Levantamento mostra que beneficiários com 59 anos
ou mais já representam 16,95% da carteira médico-hospitalar e revela que perdas
líquidas aparecem principalmente entre as coortes de meia-idade
A
saúde suplementar brasileira chegou a junho de 2026 com uma mudança relevante
na composição de seus beneficiários. Levantamento da LifesHub mostra que a
participação das pessoas com 59 anos ou mais alcançou 16,95% da carteira
médico-hospitalar, enquanto a relação entre beneficiários de até 38 anos e
aqueles com 59 anos ou mais caiu de 3,83, em 2019, para 3,08. No período, o
número de pessoas na faixa de 59 anos ou mais avançou 26,1%, enquanto as faixas
de até 38 anos cresceram apenas 1,4%. Os dados indicam um processo de
envelhecimento mais acelerado da carteira e colocam em discussão como a mudança
demográfica pode alterar o equilíbrio dos planos nos próximos anos.
O
movimento ocorre mesmo em um mercado que continua aumentando de tamanho. Entre
dezembro de 2019 e junho de 2026, a carteira analisada pela LifesHub passou de
47,7 milhões para 53,4 milhões de vidas, com 79% da expansão concentrada entre
beneficiários com 44 anos ou mais. No mesmo intervalo, as faixas de 29 a 33 e
de 34 a 38 anos registraram redução em números absolutos. Dados divulgados pela
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) confirmam a dimensão atual do
setor, com 53,1 milhões de vínculos em planos de assistência médica em junho de
2026.
Uma
segunda análise da LifesHub, porém, acrescenta uma perspectiva importante a
esses números: a redução das faixas mais jovens não significa necessariamente
que esses beneficiários estejam abandonando os planos. Ao acompanhar as mesmas
gerações ao longo de cinco anos, o levantamento identificou crescimento de
24,5% na coorte que tinha entre 19 e 23 anos em 2019, de 20,9% na seguinte e de
9,1% na posterior. As perdas líquidas aparecem mais adiante, nas coortes de 44
a 48 anos, com queda de 1,8%, e de 49 a 53 anos, com recuo de 5,4% à medida que
envelhecem cinco anos.
“Quando
analisamos apenas uma fotografia da carteira por faixa etária, podemos chegar à
conclusão de que o principal desafio está em trazer ou manter os mais jovens
nos planos. Quando acompanhamos as mesmas gerações ao longo do tempo, o cenário
se torna mais complexo. Os dados mostram entrada nas coortes mais novas e
perdas que aparecem mais adiante, especialmente na meia-idade. Isso muda a
discussão: além de pensar em aquisição, o setor precisa entender retenção,
desenho de produto e como se preparar para uma população que continuará
envelhecendo”, afirma Ademar Paes Junior, CEO da LifesHub.
O
recorte regional reforça que não existe uma única realidade para o país. No Rio
de Janeiro, 22,4% dos beneficiários estão na faixa de 59 anos ou mais e existem
2,11 jovens para cada beneficiário dessa idade, além de uma redução de 5,3% no
número de jovens. Rio Grande do Norte e Goiás apresentam outro comportamento:
ambos ganharam beneficiários jovens e, ainda assim, registraram algumas das
maiores altas na participação dos mais velhos, sinal de que o avanço do
envelhecimento pode ocorrer mesmo em mercados que continuam atraindo novas
gerações.
O
efeito da composição etária aparece também quando se observa o preço. A
mensalidade média informada à ANS para a faixa de 59 anos ou mais é de R$
4.307,60, ante R$ 745,98 entre beneficiários de 0 a 18 anos - uma diferença de
5,8 vezes. Aplicando os preços atuais às carteiras dos anos anteriores, a
LifesHub calculou que apenas a alteração do perfil etário elevaria a
mensalidade média teórica de R$ 1.767,65 em 2019 para R$ 1.856,56 em junho de
2026, alta de 5%. O cálculo busca isolar exclusivamente o efeito da composição
da carteira, sem representar uma projeção de receita, despesa ou
sinistralidade.
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