Estudo da
Federação aponta avanço de 9% no preço desde o início da guerra no Irã,
enquanto querosene de aviação subiu 37%; pressão vai continuar no segundo
semestre
Mesmo com uma elevação significativa (37%) no preço do querosene de aviação no
quadrimestre encerrado em junho, as companhias aéreas não repassaram
integralmente esse aumento aos consumidores, mostra um estudo da Federação
do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Na verdade, como o combustível representa 32% dos custos, a alta de 37% do
querosene encareceu o custo total em cerca de 12% e aumento médio de 9%, sinal
de que o repasse foi parcial. “A reação intuitiva do consumidor é sempre a
mesma: quando o petróleo explode, o medo é de que as passagens vão explodir
junto. Desta vez, não foi bem assim. Os dados da Anac trabalhados nesse
levantamento sugerem que as companhias não tenham repassado integralmente ao
consumidor”, explica o presidente do Conselho
de Turismo da FecomercioSP, Guilherme Dietze.
Contribuiu para isso, segundo a Federação, o recuo do câmbio. Como o dólar
médio passou de R$ 5,25, em março, para R$ 5, nos meses seguintes, essa
desvalorização aliviou outros custos relevantes atrelados à moeda, como
seguros, arrendamento e manutenção, que respondem por cerca de 22% das despesas
das companhias, embora não sejam necessariamente mensais.
A demanda também ajuda a entender o fenômeno. Com o País registrando recorde de
passageiros transportados — os números, até junho, seguiram em patamares
elevados, com 82% de ocupação —, há pouco espaço para ampliar ainda mais o
público viajante. Na atual conjuntura, de economia mais fraca e famílias
endividadas, se as companhias aéreas subissem as tarifas num ritmo mais forte,
poderiam afastar novos consumidores e, ao mesmo tempo, fazer parte dos
passageiros atuais repensar planos de viagem.
Pressão continua no segundo semestre
Se, diante da escalada do conflito no Oriente Médio e do avanço no preço do
petróleo, a elevação no preço dos tíquetes era esperada, a retomada da guerra e
um consequente novo avanço dos custos fará com que as companhias continuem
tentando absorvê-los o máximo que conseguirem.
Segundo Dietze, essas empresas estão cientes das limitações atuais do
consumidor brasileiro, marcado por inflação alta, juros elevados e
endividamento recorde. A questão, contudo, é até quando conseguirão sustentar
essa absorção sem pressionar cada vez mais suas margens e resultados.
“Espera-se que as companhias registrem mais pressão nos balanços do segundo
trimestre. Ainda que receitas acessórias, como bagagens e serviços, ajudem a
amortecer o impacto, a escala do aumento dos combustíveis não será totalmente
compensada”, afirma.
Entre março e junho, descontada a inflação, o litro do querosene custou, em
média, cerca de R$ 5,30, ante R$ 3,88 registrados no mesmo período de 2025. Já
o custo médio dos bilhetes passou de R$ 614 para R$ 671. Por se tratar de uma
média, alguns consumidores podem ter percebido aumentos maiores ao buscar sua
rota habitual, enquanto outros podem ter encontrado preços menores ao
aproveitar promoções, antecipar a compra ou optar por destinos relativamente
mais baratos. O valor das passagens, vale lembrar, não responde apenas ao
querosene. Pesam também custos com pessoal, leasing, manutenção e taxas.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou uma alta de
52%, em um ano, no preço das passagens, variação bastante acima da captada pela
Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). De acordo com a FecomercioSP, a
diferença se justifica pela metodologia adotada pelas instituições. Enquanto o
IBGE mede os preços por meio de pesquisa, observando voos com cerca de dois
meses de antecedência, o dado da Anac reflete as passagens efetivamente
comercializadas.
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