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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Valorização do câmbio e cenário econômico apertado freiam repasse da alta do petróleo nas passagens, mostra FecomercioSP

 
Estudo da Federação aponta avanço de 9% no preço desde o início da guerra no Irã, enquanto querosene de aviação subiu 37%; pressão vai continuar no segundo semestre


 
Mesmo com uma elevação significativa (37%) no preço do querosene de aviação no quadrimestre encerrado em junho, as companhias aéreas não repassaram integralmente esse aumento aos consumidores, mostra um estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
 
Na verdade, como o combustível representa 32% dos custos, a alta de 37% do querosene encareceu o custo total em cerca de 12% e aumento médio de 9%, sinal de que o repasse foi parcial. “A reação intuitiva do consumidor é sempre a mesma: quando o petróleo explode, o medo é de que as passagens vão explodir junto. Desta vez, não foi bem assim. Os dados da Anac trabalhados nesse levantamento sugerem que as companhias não tenham repassado integralmente ao consumidor”, explica o presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Guilherme Dietze.
 
Contribuiu para isso, segundo a Federação, o recuo do câmbio. Como o dólar médio passou de R$ 5,25, em março, para R$ 5, nos meses seguintes, essa desvalorização aliviou outros custos relevantes atrelados à moeda, como seguros, arrendamento e manutenção, que respondem por cerca de 22% das despesas das companhias, embora não sejam necessariamente mensais.
 
A demanda também ajuda a entender o fenômeno. Com o País registrando recorde de passageiros transportados — os números, até junho, seguiram em patamares elevados, com 82% de ocupação —, há pouco espaço para ampliar ainda mais o público viajante. Na atual conjuntura, de economia mais fraca e famílias endividadas, se as companhias aéreas subissem as tarifas num ritmo mais forte, poderiam afastar novos consumidores e, ao mesmo tempo, fazer parte dos passageiros atuais repensar planos de viagem.


 
Pressão continua no segundo semestre


Se, diante da escalada do conflito no Oriente Médio e do avanço no preço do petróleo, a elevação no preço dos tíquetes era esperada, a retomada da guerra e um consequente novo avanço dos custos fará com que as companhias continuem tentando absorvê-los o máximo que conseguirem.
 
Segundo Dietze, essas empresas estão cientes das limitações atuais do consumidor brasileiro, marcado por inflação alta, juros elevados e endividamento recorde. A questão, contudo, é até quando conseguirão sustentar essa absorção sem pressionar cada vez mais suas margens e resultados.
 
“Espera-se que as companhias registrem mais pressão nos balanços do segundo trimestre. Ainda que receitas acessórias, como bagagens e serviços, ajudem a amortecer o impacto, a escala do aumento dos combustíveis não será totalmente compensada”, afirma.
 
Entre março e junho, descontada a inflação, o litro do querosene custou, em média, cerca de R$ 5,30, ante R$ 3,88 registrados no mesmo período de 2025. Já o custo médio dos bilhetes passou de R$ 614 para R$ 671. Por se tratar de uma média, alguns consumidores podem ter percebido aumentos maiores ao buscar sua rota habitual, enquanto outros podem ter encontrado preços menores ao aproveitar promoções, antecipar a compra ou optar por destinos relativamente mais baratos. O valor das passagens, vale lembrar, não responde apenas ao querosene. Pesam também custos com pessoal, leasing, manutenção e taxas.
 
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou uma alta de 52%, em um ano, no preço das passagens, variação bastante acima da captada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). De acordo com a FecomercioSP, a diferença se justifica pela metodologia adotada pelas instituições. Enquanto o IBGE mede os preços por meio de pesquisa, observando voos com cerca de dois meses de antecedência, o dado da Anac reflete as passagens efetivamente comercializadas.


 
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