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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Lipedema atinge mais de 12% das brasileiras; tecnologia e diagnóstico precoce revolucionam tratamento além da estética


Condição que afeta cerca de 12,3% das mulheres brasileiras ainda é frequentemente confundida com obesidade e linfedema; diagnóstico precoce e avanços da medicina regenerativa podem mudar a qualidade de vida das pacientes 

 


Milhares de brasileiras convivem com dores constantes nas pernas, sensação de peso, hematomas frequentes e aumento desproporcional do volume dos membros inferiores, sem saber que esses sintomas podem estar relacionados ao lipedema. Ainda pouco conhecido, o distúrbio crônico do tecido adiposo permanece subdiagnosticado no Brasil, atrasando o acesso ao tratamento adequado e comprometendo a qualidade de vida das pacientes. No Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, ampliar o conhecimento sobre a doença é tão importante quanto desenvolver novas alternativas terapêuticas.

A relevância do tema é evidenciada por um estudo publicado no Journal of Vascular Brasileiro, que estimou que 12,3% da população feminina adulta brasileira apresenta sintomas compatíveis com alta probabilidade de lipedema, reforçando que a doença representa uma importante questão de saúde pública. O dado foi incorporado ao Consenso Brasileiro de Lipedema, elaborado pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), que também destaca a necessidade de ampliar a conscientização entre profissionais de saúde para reduzir o subdiagnóstico.


Uma doença frequentemente confundida com obesidade

O lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços. Diferentemente da obesidade, a gordura acometida pela doença costuma ser resistente à perda de peso, mesmo com alimentação equilibrada e prática regular de exercícios. Dor ao toque, sensação constante de peso, inchaço e facilidade para o aparecimento de hematomas também fazem parte do quadro clínico.

A doença ainda enfrenta demora para ser diagnosticada no Brasil porque seus sinais são frequentemente confundidos também com o linfedema, inchaço causado pelo acúmulo de líquidos em determinadas regiões do corpo que normalmente seriam eliminados pelo organismo através do sistema linfático, e doenças venosas, além de ainda ser pouco reconhecida por parte dos profissionais de saúde e da própria população.

Segundo o Consenso Brasileiro de Lipedema, a sobreposição de sintomas com obesidade, linfedema e doenças venosas explica parte da dificuldade diagnóstica, fazendo com que muitas pacientes levem anos até receberem um diagnóstico correto.

Para a Dra. Patricia Lyra, cirurgiã plástica especialista em lipedema e consultora médica da DMC Group, esse atraso interfere diretamente na evolução da doença. "O maior desafio hoje não é apenas tratar o lipedema, mas fazer com que ele seja reconhecido precocemente. Muitas mulheres passam anos acreditando que o problema está relacionado apenas ao excesso de peso, quando, na realidade, convivem com uma doença crônica que exige uma abordagem específica."

Segundo a especialista, o diagnóstico continua sendo predominantemente clínico, baseado na avaliação médica, na história da paciente e na exclusão de outras doenças com manifestações semelhantes.


Tratamento evolui e deixa de focar apenas na estética

O consenso publicado pela SBACV também reforça uma mudança importante na forma como o lipedema vem sendo tratado. Atualmente, a recomendação é que o cuidado seja multidisciplinar, envolvendo atividade física, fisioterapia, acompanhamento nutricional, terapia compressiva e manejo da inflamação. A cirurgia passa a ser considerada quando existe indicação clínica, persistência dos sintomas e comprometimento funcional, sempre de forma individualizada.

Para a especialista, essa mudança representa uma transformação importante na própria compreensão da doença. "Durante muito tempo o tratamento foi bastante associado ao aspecto estético. Hoje o entendimento é de que o principal objetivo é devolver funcionalidade, reduzir dor, preservar a mobilidade e melhorar a qualidade de vida da paciente. A aparência é uma consequência desse processo, não seu principal propósito."


Tecnologia e medicina regenerativa impulsionam nova geração de procedimentos

Se o diagnóstico ainda representa um desafio, o tratamento tem avançado rapidamente. A incorporação de tecnologias de alta precisão vem modificando a forma como, em casos selecionados, os procedimentos cirúrgicos são realizados, permitindo maior preservação dos tecidos, redução do trauma cirúrgico e recuperação funcional mais rápida.

Esse movimento acompanha um conceito cada vez mais presente na medicina regenerativa: realizar intervenções que respeitem a biologia do organismo, minimizando a resposta inflamatória, preservando estruturas vasculares e linfáticas e favorecendo os processos naturais de recuperação.

Estudos brasileiros também vêm avaliando tecnologias aplicadas à lipoaspiração para lipedema. Uma pesquisa desenvolvida pela equipe do professor de cirurgia plástica da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFSCPRA) e consultor médico da DMC Group, Dr. Denis Valente, comparou a técnica convencional com um procedimento assistido pela tecnologia One STEP®, observando redução do tempo cirúrgico, menor risco de queimaduras e perda sanguínea, diminuição da dor pós-operatória e retorno mais precoce às atividades em pacientes com lipedema que precisam passar pelo tratamento cirúrgico. 

Segundo a Dra. Patrícia Lyra, essas evoluções representam uma mudança na própria lógica do tratamento cirúrgico. "Quando incorporamos tecnologias mais precisas na prática cirúrgica, o procedimento ganha outra lógica: menos trauma para a paciente e mais segurança para o cirurgião. Assim proporcionamos uma melhor qualidade de vida e um retorno mais rápido às atividades cotidianas das pacientes."


Informação ainda é o principal tratamento

Embora a ciência tenha ampliado significativamente as possibilidades terapêuticas para o lipedema, especialistas ressaltam que a inovação só produz impacto quando a doença é reconhecida precocemente. Reduzir o tempo até o diagnóstico permite que as pacientes tenham acesso mais cedo ao acompanhamento multidisciplinar e, quando indicado, às tecnologias que tornam os procedimentos mais seguros e menos invasivos.

O próprio Consenso Brasileiro de Lipedema destaca que o reconhecimento precoce da doença pode reduzir sua progressão, minimizar complicações e evitar anos de sofrimento físico e emocional decorrentes do diagnóstico tardio.

Para Dra. Patrícia, ampliar o debate sobre o lipedema é um passo fundamental para transformar esse cenário. "Assim como outras áreas da medicina evoluíram para procedimentos cada vez menos invasivos e mais precisos, o tratamento do lipedema também caminha nessa direção. A incorporação de novas tecnologias e protocolos amplia a capacidade de personalizar as intervenções, reduzir o trauma cirúrgico e acelerar a recuperação, refletindo uma mudança de paradigma no cuidado dessas pacientes”, conclui.  

 

DMC Group
https://dmcgroup.com.br/


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