Dados do IBGE revelam salto expressivo de lares do mesmo gênero no país, enquanto clínicas apontam que cerca de 1 a cada 10 ciclos de FIV já é realizado por casais homoafetivos em busca da parentalidade biológica
O
sonho da parentalidade tem ganhado novos contornos e forte expansão no Brasil.
Pesquisas recentes do IBGE mostram que, em um intervalo de 12 anos, o número de
lares formados por casais do mesmo gênero saltou de 59.957 para 391.080 no
país. Impulsionado por essa transformação demográfica e pela consolidação de
marcos regulatórios, cresce o número de casais homoafetivos que buscam a
reprodução assistida para construir suas famílias. No entanto, boa parte desses
casais ainda desconhece que o Brasil já autoriza todos os procedimentos de
reprodução assistida necessários para ter filhos biológicos.
A
doação de óvulos e de sêmen e a fertilização in vitro para casais formados por
dois homens ou duas mulheres são práticas legais, seguras e realizadas em
clínicas especializadas do país. Atualmente, estima-se que cerca de 1 a cada 10
ciclos de Fertilização In Vitro (FIV) já seja realizado por casais
homoafetivos, um número que cresce junto com a busca por novas estruturas
familiares no Brasil.
“Muitos
casais desconhecem essa possibilidade e acreditam que precisam buscar
alternativas em outros países. No entanto, o Brasil oferece tratamentos de alta
qualidade e com a segurança da legislação vigente.” Explica Dra. Graziela
Canheo, ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana da La Vita
Clinic.
Desde
2013, a regulamentação do Conselho Federal de Medicina (CFM) garantiu o acesso
igualitário às técnicas de fertilização in vitro (FIV) para casais homoafetivos
e pessoas solteiras (Resolução CFM nº 213/2013), marco ampliado em 2017 para
contemplar novos formatos e procedimentos específicos, como a gestação
compartilhada.
"O
fato é que casais homoafetivos, seja de homens ou mulheres, podem realizar o
sonho de ser pais ou mães com as mesmas técnicas seguras e reconhecidas usadas
por casais heterossexuais", celebra a Dra. Graziela Canheo.
Opções Autorizadas por Perfil de Casal
A
medicina reprodutiva atual oferece diferentes caminhos terapêuticos e
biológicos para atender a cada planejamento familiar:
Para Casais de Mulheres:
Inseminação Intrauterina (IIU): Envolve a introdução de esperma doado diretamente no útero durante o
período fértil. É um procedimento de baixa complexidade, com taxa de nascimento
vivo de cerca de 20% por ciclo, sendo exigida pelo menos uma trompa uterina
pérvia.
Fertilização In Vitro (FIV):
Consiste na fertilização de óvulos com esperma de doador em laboratório,
seguida da transferência embrionária. Apresenta taxa de sucesso de
aproximadamente 60% por ciclo e possibilita o congelamento de embriões para
tentativas futuras.
Recepção de Óvulos da Parceira (ROPA): Permite que ambas participem ativamente do
processo biológico: uma fornece o material genético (óvulo) e a outra realiza a
gestação. A taxa de nascimento vivo chega a cerca de 70% por tratamento.
Para Casais de Homens:
FIV com Útero de Substituição: Utiliza óvulos de uma doadora anônima ou apta conforme as normas do
CFM, fertilizados com o esperma de um dos parceiros. O embrião é transferido
para o útero de uma gestante de substituição. Pela regulamentação, a cedente do
útero deve ser parente consanguínea de até quarto grau de um dos pais; caso
contrário, exige-se autorização especial do Conselho Regional de Medicina. A
taxa de nascimento vivo neste formato ronda os 85%.
Segurança Jurídica e Planejamento Familiar
Mais
do que o procedimento médico, a chegada dos filhos demanda atenção às esferas
legais e trabalhistas.
"Em
paralelo ao processo da gravidez em si, diversas outras esferas exigem a
atenção do casal", pontua a Dra. Paula Fettback, ginecologista
especialista em Reprodução Humana pela Federação Brasileira das Associações de
Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
No
momento do nascimento, a documentação é direta: "Depois de todos os
procedimentos, a criança gerada deverá ser registrada com o nome dos dois pais,
ou das duas mães, por um deles, em cartório", explica a médica. No tocante
aos afastamentos trabalhistas, ambos possuem direitos garantidos, sendo que a
licença-maternidade de quatro meses é habitualmente concedida a apenas um dos
cônjuges em regime CLT, caso ambos estejam empregados.
"A
gravidez para casais homoafetivos é um processo importante. Tudo deve ser feito
com o máximo de compromisso e cuidado, com profissionais capacitados e
ambientados com a legislação, para que o casal gere uma criança saudável e, da
mesma forma, um ambiente familiar saudável", conclui a especialista.
Dra. Graziela Canheo - CRM 145288 | RQE 68331 - Ginecologista e Obstetra. Reprodução Humana. Médica Graduada pela Universidade Metropolitana de Santos (2010). Residência médica em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital do Servidor Público Estadual do Estado de São Paulo (2013). Título de Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia pela ABPTGIC (2014). Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (2015). Fellowship em Reprodução humana pelo Instituto Idéia Fértil de Saúde Reprodutiva (2014 – 2016). Pós-graduação em videolaparoscopia e histeroscopia pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (2018 – 2019). Membro das principais sociedades nacionais e internacionais da área da Ginecologia e Reprodução Humana. Diretora técnica e médica da La Vita Clinic
Dra. Paula Fettback - CRM 117477 SP - CRM 33084 PR. Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2004). Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP- 2007). Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana. Estágio em Reprodução Humana na Universidade de Michigan - USA. Médica colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC-FMUSP (2016). Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM - 2016). Médica da Clínica MAE São Paulo – SP. Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020)
Nenhum comentário:
Postar um comentário