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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

As marcas invisíveis da violência psicológica

Especialista explica por que o abuso psicológico pode desencadear alterações hormonais, metabólicas e cardiovasculares que permanecem mesmo após o fim da violência 

 

O Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, ganha um marco importante no dia 7 de agosto, quando é celebrado o Dia Estadual da Lei Maria da Penha. A data amplia o debate sobre as diferentes formas de violência, incluindo a psicológica, que vai além dos impactos emocionais e pode provocar alterações hormonais, metabólicas e cardiovasculares de longo prazo.

Para Lucas Rezende, médico com atuação em nutrologia e medicina preventiva, os efeitos do abuso psicológico sobre a saúde física ainda são pouco reconhecidos. Dr Lucas desenvolve sua prática clínica na ARC Health Place, clínica de São Paulo especializada em medicina preventiva, saúde metabólica e cuidados com a saúde da mulher, onde atua na identificação precoce de fatores de risco para doenças crônicas e na promoção do envelhecimento saudável.

"Quando uma pessoa vive sob medo constante, humilhações, ameaças ou manipulação, o organismo permanece em estado permanente de alerta. Esse processo aumenta a liberação de cortisol, interfere na qualidade do sono, favorece processos inflamatórios e pode aumentar o risco de alterações metabólicas e cardiovasculares. Muitas vezes, a violência termina, mas o corpo continua respondendo como se o perigo ainda existisse", afirma o médico.

Os impactos da violência contra a mulher sobre a saúde vão além das lesões imediatas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mulheres expostas à violência apresentam maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, dores crônicas, distúrbios gastrointestinais, ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático e outras condições que comprometem a qualidade de vida.


Como o estresse prolongado afeta o organismo

De acordo com o médico, o excesso de cortisol provocado pela exposição contínua ao estresse interfere em diferentes mecanismos do organismo. Ao longo do tempo, essa resposta pode dificultar o controle da glicemia, favorecer o acúmulo de gordura abdominal, elevar a pressão arterial e comprometer o sistema imunológico.

"Nem sempre o paciente relaciona sintomas como fadiga, insônia, dores persistentes ou alterações metabólicas à violência vivida anos antes. Por isso, a investigação clínica precisa considerar toda a história de vida da pessoa e não apenas os sintomas apresentados naquele momento", explica Lucas.

Além das alterações hormonais e metabólicas, o médico destaca que o estresse contínuo pode acelerar o envelhecimento biológico e reduzir a capacidade de recuperação do organismo. Quanto maior o tempo de exposição à violência, maiores tendem a ser os impactos sobre a saúde física.


A recuperação também passa pelo cuidado integral

Embora o acompanhamento psicológico seja indispensável, Lucas Rezende ressalta que a recuperação não deve se limitar à saúde mental. Em muitos casos, é necessário avaliar alterações metabólicas, cardiovasculares e hormonais que permanecem mesmo após o encerramento do ciclo de violência.

"Cuidar apenas das consequências emocionais pode não ser suficiente. A recuperação precisa incluir uma avaliação clínica completa para identificar alterações que, muitas vezes, permanecem silenciosas. Quanto mais cedo esse acompanhamento começa, maiores são as chances de restabelecer o equilíbrio do organismo e prevenir doenças futuras", conclui. 



Lucas Rezende - médico (CRMSP 181835), com atuação em nutrologia, medicina preventiva, saúde metabólica, menopausa e perimenopausa. Desenvolveu sua prática clínica voltada à identificação precoce de fatores de risco para doenças crônicas, defendendo uma medicina que prioriza a prevenção, o diagnóstico antecipado e a promoção da saúde antes do surgimento dos sintomas. Sua atuação integra medicina baseada em evidências, avaliação clínica aprofundada, exames laboratoriais e mudanças no estilo de vida para construir estratégias individualizadas de cuidado. Ao longo da carreira, consolidou seu trabalho em temas como envelhecimento saudável, saúde metabólica, obesidade, composição corporal, saúde hormonal e medicina do estilo de vida, defendendo uma mudança de paradigma no cuidado com a saúde, com foco em preservar a qualidade de vida e ampliar a longevidade da população.
Para mais informações, acesse o site, Instagram, youtube ou Linkedln.

 

ARC Health Place
Instagram: @arc.healthplace


Fontes de Pesquisa:

Ministério das Mulheres (Ligue 180): https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2026/abril/canal-ligue-180-registra-crescimento-de-27-nas-denuncias-e-10-nos-atendimentos-no-primeiro-trimestre-de-2026

Organização Mundial da Saúde (OMS): https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/violence-against-women

Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS): https://www.paho.org/pt/topicos/violencia-contra-mulheres

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