Pesquisa da Fecomércio mostra que 87,5% dos empresários esperam impacto positivo do Dia dos Pais nas vendas, mas apenas 43,7% acreditam que vão superar os resultados de 2025; contraste entre os dois números revela um varejo mais cauteloso do que otimista, e aponta para onde a competitividade da data vai realmente se decidir
Próximo do Dia dos Pais, uma das principais datas
do calendário do varejo brasileiro, os números do setor escondem uma
contradição que passa despercebida à primeira vista. Uma pesquisa
recente da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo),
mostra que 87,5% dos empresários acreditam que a data vai impactar
positivamente as vendas. Mas quando a pergunta muda de "vai vender
bem?" para "vai vender mais que em 2025?", o otimismo cai,
revelando que apenas 43,7% esperam superar o resultado do ano passado.
A diferença entre os dois números não é
estatística, é comportamental, já que o varejo brasileiro entra no Dia dos Pais
2026 esperando um resultado positivo, mas não espera crescimento. É um otimismo
com o pé no freio, em que a expectativa de vender bem convive com a cautela de
não prometer vender mais.
Esse tipo de contradição costuma aparecer em
momentos em que o empresário sente o consumo aquecido no dia a dia, mas segue
inseguro sobre o poder de compra do consumidor no médio prazo, um sinal de
conjuntura que interessa tanto ao varejo quanto a quem observa o comportamento
de consumo no Brasil em 2026.
Embora as lojas físicas continuem sendo
protagonistas para retirada de produtos, experiências presenciais e compras de
ocasião, a decisão acontece cada vez mais em um ambiente híbrido. O consumidor
pesquisa nas redes sociais, compara preços em marketplaces, verifica
disponibilidade de estoque e busca conveniência antes mesmo de entrar no
estabelecimento.
Onde a cautela vira
oportunidade
Para Alex Marques, diretor comercial da Data System, empresa especializada em
soluções de gestão para o varejo, esse otimismo contido muda o que significa
"se preparar bem" para a data. "Quando o mercado inteiro espera
vender bem, mas só a metade acredita em crescimento, a disputa deixa de ser
sobre quem vai vender, porque todo mundo vai vender um pouco. A real disputa é
sobre quem vai conseguir converter essa expectativa positiva em resultado real,
sem depender de sorte ou de fluxo espontâneo de loja", explica o
executivo. "Quando o crescimento não é garantido, cada venda perdida por
falta de estoque, por informação divergente entre canais ou por demora no
atendimento pesa mais no resultado final do que pesaria em um ano de expansão
generalizada. A margem de erro fica menor exatamente quando o mercado está mais
cauteloso", complementa Marques.
Outro dado da pesquisa que reforça esse cenário
revela que 83,5% dos empresários acreditam que as compras vão se concentrar na
última semana antes da data. Combinado com o otimismo contido do restante da
pesquisa, esse número sugere um consumidor que decide tarde e com cautela, o
oposto de uma compra por impulso e um varejo que precisa estar pronto para
captar essa decisão no momento exato em que ela acontece, sem previsibilidade
de fluxo ao longo do mês.
Uma leitura de conjuntura, não
só de data
Para o diretor comercial da Data System, esse
padrão de otimismo moderado tende a se repetir nas próximas datas sazonais do
ano, incluindo a Black Friday. "O Dia dos Pais de 2026 é, nesse sentido,
um retrato antecipado de como o consumidor brasileiro deve se comportar no
restante do ano, disposto a comprar, mas sem euforia e cada vez mais seletivo
em relação a quem entrega o que promete", comenta Marques.
Em um cenário onde a maioria do mercado espera
vender bem, mas não espera crescer, a diferença competitiva deixa de estar na
expectativa e passa a estar na execução em quem consegue transformar um
consumidor cauteloso e pesquisador em venda concluída, sem depender do volume
espontâneo que caracterizava datas sazonais em anos de consumo mais aquecido.
Data
System

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