Margem, fluxo de
caixa e impacto tributário passaram a orientar decisões sobre preços,
investimentos e expansão
A reforma tributária colocou a gestão contábil no
centro de decisões que vão muito além do pagamento de impostos. Desde janeiro
de 2026, o país vive o ano de teste da CBS e do IBS, com alíquotas de 0,9% e
0,1%, respectivamente. A Receita Federal também informou, em julho, que prepara
o cronograma para adequação dos documentos fiscais eletrônicos às novas
exigências. Para as empresas, a mudança ocorre em um período no qual conhecer
custos, margens e efeitos dos tributos sobre cada operação se tornou
determinante para planejar os próximos anos.
Para Vanderlei Goulart,
contador e diretor-presidente da Meta
Assessoria Empresarial, empresa especializada em soluções contábeis,
fiscais e de gestão para empresas, tratar a contabilidade somente como
responsável por guias, declarações e obrigações fiscais reduz a capacidade do
empresário de enxergar o próprio negócio. “Quando a contabilidade olha apenas
para o que já aconteceu e para aquilo que precisa ser entregue ao Fisco, a
empresa perde uma parte importante da informação que poderia usar para decidir.
Os números precisam mostrar onde está a margem, quanto a operação realmente
gera de resultado e qual é o impacto tributário das escolhas feitas pelo
empresário”, afirma.
Contabilidade começa antes do
imposto
Na prática, informações que já fazem parte da
rotina contábil podem responder a questões diretamente ligadas à gestão: quais
produtos ou serviços entregam maior margem, quanto do faturamento é convertido
em resultado, onde estão os custos que mais cresceram, qual é a necessidade de
capital de giro e até que ponto uma expansão cabe no caixa.
Para Vanderlei,
o erro está em analisar o faturamento isoladamente. Uma empresa pode vender
mais e, ainda assim, comprometer a rentabilidade caso custos, despesas e carga
tributária avancem em ritmo superior à receita. “Faturamento alto não significa
necessariamente negócio saudável. O empresário precisa entender quanto sobra
depois de pagar fornecedores, equipe, despesas financeiras, impostos e toda a
estrutura necessária para vender. É essa leitura que permite saber se crescer
está realmente deixando a empresa mais rentável”, explica o especialista.
Esse acompanhamento também muda a qualidade das
decisões de expansão. Antes de abrir uma unidade, contratar funcionários,
ampliar estoques ou investir em equipamentos, projeções de fluxo de caixa e
rentabilidade permitem estimar o efeito da decisão sobre a estrutura
financeira. A contabilidade deixa, assim, de registrar apenas o passado e passa
a fornecer informações para escolhas futuras.
Reforma tributária aumenta a
necessidade de planejamento
A transição tributária tornou essa mudança ainda
mais urgente. Em 2026, as empresas começaram a conviver com as novas regras da
CBS e do IBS, enquanto a substituição dos tributos atuais ocorrerá de forma
gradual. Em 2027, PIS e Cofins serão extintos. Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS
serão progressivamente substituídos pelo IBS, até a entrada integral do novo
modelo em 2033.
Para as empresas, isso significa que decisões sobre
formação de preço, aproveitamento de créditos, contratos, fornecedores e
estrutura operacional precisarão considerar os efeitos do novo sistema. “Não
basta esperar a mudança tributária acontecer para depois calcular o impacto. A
empresa precisa projetar como suas margens, preços e fluxo financeiro podem ser
afetados. É justamente nesse ponto que contabilidade, tributação e gestão
precisam conversar”, diz Goulart.
A Receita Federal estabeleceu ainda novas
obrigações relacionadas à emissão de documentos fiscais com destaque
individualizado da CBS e do IBS e às declarações previstas para determinados
regimes. Em julho de 2026, o Fisco e o Comitê Gestor do IBS informaram que um
novo cronograma de implementação dos documentos fiscais eletrônicos seria
divulgado até o fim do mês.
Para Vanderlei, a mudança de mentalidade começa quando o empresário deixa de procurar a contabilidade somente para saber quanto precisa pagar. “A pergunta mais importante não deveria ser apenas quanto tenho de imposto neste mês, mas o que os números estão mostrando sobre a empresa. Quando essa informação chega à gestão com qualidade, ela ajuda a corrigir decisões antes que o problema apareça no caixa”, conclui.
Vanderlei Goulart - fundador, CEO e diretor-presidente da Meta Assessoria Empresarial, contador, perito contábil e consultor empresarial, com pós-graduação em Auditoria e Perícia e mais de 30 anos de atuação no mercado. Atua no suporte estratégico a empresas nas áreas de gestão contábil, fiscal, trabalhista e planejamento empresarial, com foco em tomada de decisão, eficiência operacional e sustentabilidade financeira dos negócios.
Também é instrutor da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), onde ministra treinamentos sobre gestão de crise, finanças e capacitações voltadas aos níveis tático e estratégico do varejo. É fonte para comentar temas relacionados a tributação, ambiente de negócios, varejo, gestão empresarial e impactos econômicos no setor produtivo.
Linkedin.
Meta Assessoria Empresarial
site
Fonte de pesquisa
https://www.bcb.gov.br/publicacoes/ref/202605
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