Esse é o resultado de um levantamento
da Omie realizado para medir o grau de exposição dos negócios às novas regras
Freepik - modificada com IA
A reforma tributária do consumo
sai definitivamente do papel em 1º de janeiro de 2027 e promete mudar a rotina
fiscal das empresas. Os impactos são diversos e generalizados. Dependem do
setor, modelo de negócios, posição na cadeia produtiva, regime tributário
adotado, margem de lucro, perfil de fornecedores e clientes, volume de despesas
que podem gerar créditos de IBS e CBS e uma infinidade de outros fatores.
Um mapeamento realizado pela
Omie, o Radar Setorial da Reforma Tributária, com base em fluxos financeiros
reais de mais de 30 mil pequenas e médias empresas que atuam em 76 segmentos
nos setores da indústria, comércio e serviços, mostra que 26 estão altamente
expostos às novas regras da reforma tributária.
São cerca de 2 milhões de
empresas, excluindo os MEIs, sendo mais da metade (1,1 milhão) do Simples
Nacional. Do universo de empresas que usam o regime simplificado, 70% são
prestadores de serviços que atuam no modelo B2B, ou seja, os mais afetados pela
reforma por terem a mão de obra como principal despesa, o que limita a
apropriação de créditos tributários.
O economista Felipe Beraldi,
gerente de indicadores e estudos econômicos da Omie, plataforma de gestão
financeira, explica que estar mais exposta não significa que a empresa terá
aumento em sua carga de impostos, necessariamente, ou que a reforma será boa ou
ruim para o negócio. Mas indica que é preciso se preparar, rever preços de
produtos e serviços, fazer simulações de cenários, mapear a cadeia de clientes
e fornecedores, por exemplo.
“A reforma tributária vai mudar
a forma como as empresas compram, vendem e formam preço, ou seja, a
lógica dos negócios. Os próximos anos serão caóticos por causa da coexistência
de dois regimes tributários. Quem não se preparar, tiver um conhecimento
profundo sobre o seu negócio, estará fora do game”, alerta.
Calendário
da transição
Para as empresas do Simples
Nacional, conhecer quais são os impactos da reforma com antecedência é
particularmente importante porque as novas regras afetam a competitividade do
negócio, principalmente para quem vende produtos ou serviços para outros CNPJs.
Para quem atua no varejo, reforçou o economista, o grau de exposição é menor,
embora também exija a realização de estudos e simulações.
A menos de seis meses para o
novo sistema tributário começar a rodar, Beraldi chama a atenção para a
importância de os pequenos empresários acompanharem com lupa o calendário de
prazos da transição.
O mês de setembro, por exemplo,
na avaliação do economista, será crucial para as empresas do Simples, que
deverão decidir se optam ou não pelo modelo híbrido, ou seja,
se irão recolher de forma separada da guia do Simples (DAS) a CBS e o IBS.
“É preciso aproveitar os
próximos meses para revisar processos, simular cenários mesmo sem conhecer
ainda a alíquota da CBS, se aproximar do contador e avaliar como a reforma
tributária afetará seus negócios antes do início da cobrança dos novos
impostos, em janeiro de 2027”, recomenda.
Ele também chamou a atenção
para a falta de preparação do mercado. Levantamento da Omie mostra que 48% das
empresas ainda não iniciaram análises sobre a reforma e 63% dos contadores não
haviam mapeado os impactos da carteira de clientes.
Os mais
expostos
Segundo o levantamento da Omie, dos 26 segmentos mais vulneráveis, 14 são da indústria, nove do setor de serviços e três da construção civil e infraestrutura. Integram a lista, por exemplo, os setores de alojamento, transporte terrestre, fabricação de celulose e papel, esgoto e atividades afins, telecomunicações, fabricação, manutenção e reparação de máquinas e equipamentos, fabricação de produtos químicos, fabricação de móveis, seguros e previdência complementar, dentre outros.
Silvia Pimentel
https://dcomercio.com.br/publicacao/s/reforma-tributaria-sera-critica-para-2-milhoes-de-empresas-metade-e-do-simples
Nenhum comentário:
Postar um comentário