SBGG explica por que autonomia e independência são os principais indicadores do envelhecimento saudável
Hipertensão, diabetes e artrose estão entre as doenças crônicas mais frequentes
na população idosa. Ainda assim, conviver com esses diagnósticos não significa,
necessariamente, envelhecer sem saúde. A Sociedade Brasileira de Geriatria e
Gerontologia (SBGG) chama atenção para uma mudança importante na forma de
compreender o envelhecimento: hoje, mais importante do que as doenças que uma
pessoa possui é sua capacidade de manter autonomia, independência e qualidade
de vida.
"A
maioria das pessoas idosas convive com uma ou mais doenças crônicas e isso, por
si só, não significa incapacidade ou perda de qualidade de vida. Atualmente,
sabemos que é perfeitamente possível envelhecer com saúde mesmo convivendo com
doenças, desde que essas condições sejam bem acompanhadas e não comprometam, de
forma importante, a autonomia e a independência", explica Isabela Oliveira
Azevedo Trindade, fisioterapeuta, especialista em Gerontologia e presidente do
Departamento de Gerontologia da SBGG.
O que realmente define um envelhecimento saudável
A
idade cronológica explica apenas uma parte do processo de envelhecimento.
Hábitos de vida, vínculos sociais, escolaridade, acesso aos serviços de saúde e
condições socioeconômicas influenciam diretamente a forma como cada indivíduo
envelhece.
"Duas
pessoas podem ter exatamente os mesmos diagnósticos e apresentar níveis
completamente diferentes de saúde. Enquanto uma continua independente, ativa e
socialmente participativa, a outra pode apresentar limitações importantes. Isso
acontece porque a saúde da pessoa idosa é determinada, principalmente, pela sua
capacidade funcional, ou seja, pela habilidade de fazer aquilo que valoriza no
cotidiano", afirma.
Na
prática, esse conceito considera não apenas as doenças existentes, mas também
aspectos como mobilidade, cognição, saúde mental, força muscular, visão,
audição e o ambiente em que a pessoa vive. "Quando preservamos as
condições físicas e cognitivas ao longo da vida e oferecemos ambientes
favoráveis, aumentamos as chances de manter autonomia e independência, mesmo
diante de doenças crônicas", acrescenta.
Para
Isabela, outro equívoco comum é acreditar que perder autonomia faz parte,
inevitavelmente, do envelhecimento. "Embora algumas mudanças sejam
naturais, muitas limitações podem ser prevenidas, retardadas ou tratadas quando
identificadas precocemente. Mais importante do que perguntar quais doenças uma
pessoa tem é perguntar se ela consegue viver da maneira como deseja."
Muito além das consultas médicas
Preservar
a capacidade funcional depende, além das consultas e tratamentos, da prática
regular de atividade física, de uma alimentação equilibrada, sono de qualidade,
vacinação, cuidados com a saúde bucal, visão e audição, prevenção de quedas e
revisão periódica dos medicamentos.
"A prática regular de atividade física talvez seja a intervenção isolada com maior impacto para preservar força, equilíbrio, mobilidade, cognição e saúde mental. Mas outros fatores, frequentemente negligenciados, também fazem uma enorme diferença, como relações afetivas, participação comunitária, atividades culturais e propósito de vida, componentes essenciais do envelhecimento saudável", destaca.
"Mesmo
pessoas que já apresentam doenças crônicas ou alguma limitação funcional, podem
melhorar sua capacidade, recuperar parte da autonomia e ganhar qualidade de
vida quando recebem intervenções adequadas. O grande objetivo da Geriatria e da
Gerontologia não é apenas aumentar a expectativa de vida, mas ampliá-la com
saúde. Isso significa viver mais anos com autonomia, independência,
participação social e dignidade. Envelhecer com saúde não é envelhecer sem
doenças. É preservar a capacidade de fazer escolhas, manter vínculos e
continuar realizando aquilo que dá sentido à própria vida", finaliza
Isabela.
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG
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