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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Conviver com doenças crônicas não significa envelhecer sem saúde, alerta especialista

SBGG explica por que autonomia e independência são os principais indicadores do envelhecimento saudável


Hipertensão, diabetes e artrose estão entre as doenças crônicas mais frequentes na população idosa. Ainda assim, conviver com esses diagnósticos não significa, necessariamente, envelhecer sem saúde. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) chama atenção para uma mudança importante na forma de compreender o envelhecimento: hoje, mais importante do que as doenças que uma pessoa possui é sua capacidade de manter autonomia, independência e qualidade de vida. 

"A maioria das pessoas idosas convive com uma ou mais doenças crônicas e isso, por si só, não significa incapacidade ou perda de qualidade de vida. Atualmente, sabemos que é perfeitamente possível envelhecer com saúde mesmo convivendo com doenças, desde que essas condições sejam bem acompanhadas e não comprometam, de forma importante, a autonomia e a independência", explica Isabela Oliveira Azevedo Trindade, fisioterapeuta, especialista em Gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG.
 

O que realmente define um envelhecimento saudável 

A idade cronológica explica apenas uma parte do processo de envelhecimento. Hábitos de vida, vínculos sociais, escolaridade, acesso aos serviços de saúde e condições socioeconômicas influenciam diretamente a forma como cada indivíduo envelhece. 

"Duas pessoas podem ter exatamente os mesmos diagnósticos e apresentar níveis completamente diferentes de saúde. Enquanto uma continua independente, ativa e socialmente participativa, a outra pode apresentar limitações importantes. Isso acontece porque a saúde da pessoa idosa é determinada, principalmente, pela sua capacidade funcional, ou seja, pela habilidade de fazer aquilo que valoriza no cotidiano", afirma. 

Na prática, esse conceito considera não apenas as doenças existentes, mas também aspectos como mobilidade, cognição, saúde mental, força muscular, visão, audição e o ambiente em que a pessoa vive. "Quando preservamos as condições físicas e cognitivas ao longo da vida e oferecemos ambientes favoráveis, aumentamos as chances de manter autonomia e independência, mesmo diante de doenças crônicas", acrescenta. 

Para Isabela, outro equívoco comum é acreditar que perder autonomia faz parte, inevitavelmente, do envelhecimento. "Embora algumas mudanças sejam naturais, muitas limitações podem ser prevenidas, retardadas ou tratadas quando identificadas precocemente. Mais importante do que perguntar quais doenças uma pessoa tem é perguntar se ela consegue viver da maneira como deseja."
 

Muito além das consultas médicas 

Preservar a capacidade funcional depende, além das consultas e tratamentos, da prática regular de atividade física, de uma alimentação equilibrada, sono de qualidade, vacinação, cuidados com a saúde bucal, visão e audição, prevenção de quedas e revisão periódica dos medicamentos. 

"A prática regular de atividade física talvez seja a intervenção isolada com maior impacto para preservar força, equilíbrio, mobilidade, cognição e saúde mental. Mas outros fatores, frequentemente negligenciados, também fazem uma enorme diferença, como relações afetivas, participação comunitária, atividades culturais e propósito de vida, componentes essenciais do envelhecimento saudável", destaca. 

"Mesmo pessoas que já apresentam doenças crônicas ou alguma limitação funcional, podem melhorar sua capacidade, recuperar parte da autonomia e ganhar qualidade de vida quando recebem intervenções adequadas. O grande objetivo da Geriatria e da Gerontologia não é apenas aumentar a expectativa de vida, mas ampliá-la com saúde. Isso significa viver mais anos com autonomia, independência, participação social e dignidade. Envelhecer com saúde não é envelhecer sem doenças. É preservar a capacidade de fazer escolhas, manter vínculos e continuar realizando aquilo que dá sentido à própria vida", finaliza Isabela.
 

 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG


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