Problemas cromossômicos respondem por cerca de 50% a 60% das perdas gestacionais; especialista explica outros fatores de risco e quando é necessário investigar
O abortamento pode
ter diferentes causas, relacionadas tanto à formação do embrião quanto às
condições de saúde materna. Entre elas, as alterações cromossômicas
embrionárias são as mais frequentes e estão presentes em aproximadamente 50% a 60%
dos casos, de acordo com informações da Dra. Mirela Foresti Jiménez,
ginecologista da FEBRASGO - Federação Brasileira das Associações de
Ginecologia e Obstetrícia.
Essas alterações,
chamadas aneuploidias, ocorrem durante o processo de divisão celular e podem
resultar, por exemplo, em trissomias ou monossomias — situações em que há
cromossomos a mais ou a menos no embrião. Em muitos casos, essas alterações
impedem o desenvolvimento adequado da gestação.
“De maneira
simplificada, podemos dizer que o organismo interrompe uma gestação cujo
embrião não se formou adequadamente. Isso não diminui, evidentemente, o impacto
emocional e a frustração vivenciados pela mulher e pela família”, explica a
Dra. Mirela, que é membro da Comissão Nacional Especializada em Assistência
Ao Abortamento, Parto e Puerpério da FEBRASGO. O risco de
alterações cromossômicas aumenta progressivamente com a idade materna. Segundo
a especialista, as menores taxas são observadas entre 25 e 29 anos, com
elevação gradual após os 30 anos e crescimento mais expressivo a partir dos 38
a 40 anos.
Entre
as causas relacionadas à gestante estão
alterações anatômicas do útero, como malformações e septos uterinos, que podem
dificultar a expansão do órgão durante a gravidez. Essas condições estão mais
frequentemente associadas a perdas gestacionais tardias ou recorrentes, embora
também possam provocar abortamentos no primeiro trimestre.
Doenças
autoimunes representam outro grupo importante. A
síndrome antifosfolípide, por exemplo, está associada a perdas repetidas e pode
ser tratada após o diagnóstico. Alterações da tireoide, incluindo a presença de
anticorpos antitireoidianos, também podem aumentar o risco em determinadas
situações.
Doenças
metabólicas e endócrinas, como
diabetes mellitus mal controlado e disfunções tireoidianas, além de condições
sistêmicas graves, como doenças renais e distúrbios de coagulação, também podem
interferir na evolução da gestação. Algumas infecções
podem elevar o risco de perda gestacional, embora sejam causas menos
frequentes. Entre elas estão sífilis, citomegalovírus, parvovírus,
toxoplasmose, malária e algumas infecções por herpesvírus.
Hábitos
e condições de vida também podem
contribuir para o aumento do risco. Tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas,
excesso de cafeína, uso de drogas, exposição a substâncias tóxicas e obesidade
estão entre os fatores potencialmente modificáveis. Por isso, o cuidado antes e
durante a gravidez deve incluir acompanhamento médico, controle de doenças
crônicas, alimentação equilibrada, interrupção do tabagismo e do consumo de
álcool, além da avaliação dos medicamentos utilizados.
“Após uma primeira
perda, geralmente não há indicação para realizar imediatamente uma investigação
extensa, com cariótipo, pesquisa de anticorpos ou avaliação detalhada da
anatomia uterina”, esclarece a Dra. Mirela.
De acordo com
diretrizes de sociedades científicas, a investigação mais aprofundada costuma
ser indicada quando ocorrem duas ou mais perdas gestacionais consecutivas. A
avaliação deve ser individualizada, considerando a idade da paciente, seu
histórico clínico e reprodutivo e as características de cada gestação.
Embora o abortamento seja relativamente frequente, o acompanhamento médico é importante para orientar o casal, esclarecer dúvidas e identificar situações que necessitam de investigação ou tratamento. O acolhimento emocional também deve fazer parte do cuidado, especialmente diante do impacto provocado pela perda gestacional.
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO
Site: https://www.febrasgo.org.br/pt/
Redes Sociais:
@febrasgooficial
@feitoparaelaoficial
Nenhum comentário:
Postar um comentário