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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Viver mais já não é o maior desafio da saúde no Brasil

No Dia Nacional da Saúde, especialistas alertam que o maior desafio do país deixou de ser aumentar a expectativa de vida e passou a ser garantir que a população envelheça com autonomia e qualidade 

 

Os brasileiros estão vivendo mais, mas isso não significa que estejam envelhecendo com saúde. Enquanto a expectativa de vida ao nascer alcançou 76,6 anos, o maior índice da série histórica do IBGE, a população com 60 anos ou mais deverá representar 37,8% dos brasileiros até 2070. O avanço da longevidade ocorre ao mesmo tempo em que crescem as doenças crônicas e os desafios para preservar a autonomia durante o envelhecimento. No Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, especialistas defendem que o foco da prevenção precisa deixar de ser apenas o tratamento das doenças e passar a priorizar a manutenção da saúde ao longo da vida.

Para Alexandre Duarte, médico, professor, pesquisador, referência em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do Instituto Avantgarde, a medicina vive uma mudança importante de perspectiva. Segundo ele, prolongar a vida é uma conquista, mas preservar a capacidade física, cognitiva e metabólica será um dos principais desafios da saúde nas próximas décadas. "O objetivo não deve ser apenas aumentar a quantidade de anos vividos, mas garantir que esses anos sejam acompanhados de independência, disposição e qualidade de vida. Muitas doenças que aparecem depois dos 60 anos começam a se desenvolver silenciosamente décadas antes”, afirma o médico.

Esse cenário já preocupa organismos internacionais. O Relatório Mundial sobre Envelhecimento e Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS), destaca que o envelhecimento saudável depende principalmente da manutenção da capacidade funcional, conceito que reúne mobilidade, cognição, autonomia e bem-estar, e não apenas da ausência de doenças. A própria OMS define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, entendimento que reforça a necessidade de ampliar a prevenção para além do tratamento de enfermidades.


A saúde metabólica começa a ser construída antes dos primeiros sintomas

Na avaliação do doutor Alexandre, um dos maiores equívocos é associar prevenção apenas à realização de exames ou ao início de tratamentos após o diagnóstico de alguma doença. Para ele, a deterioração metabólica costuma ocorrer de forma lenta, impulsionada por hábitos repetidos durante muitos anos.

"A perda de massa muscular, a resistência à insulina, o excesso de gordura visceral e o processo inflamatório não surgem de uma hora para outra. São alterações que podem permanecer silenciosas durante décadas. Quando aparecem limitações físicas ou doenças crônicas, recuperar plenamente a capacidade funcional se torna muito mais difícil", afirma Alexandre.

Na prática, o médico explica que preservar a saúde não exige medidas complexas, mas constância. Segundo ele, algumas atitudes acessíveis podem fazer diferença ao longo dos anos, como dar preferência a alimentos naturais e reduzir o consumo de produtos ultraprocessados, manter uma rotina de exercícios que inclua caminhadas e fortalecimento muscular, dormir entre sete e nove horas por noite, controlar o estresse, evitar o cigarro e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, realizar consultas e exames preventivos regularmente e manter a mente ativa por meio da leitura, do aprendizado contínuo e da convivência social. "São hábitos simples, mas que influenciam diretamente a saúde metabólica e aumentam as chances de chegar ao envelhecimento com autonomia."


Mais anos de vida exigem uma nova forma de prevenir

O envelhecimento da população brasileira também começa a transformar a agenda da saúde pública. Dados do Ministério da Saúde mostram que as doenças crônicas não transmissíveis, como enfermidades cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas, permanecem entre as principais causas de morte no país e respondem pela maior parte da demanda assistencial do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o especialista, esse cenário exige uma mudança de mentalidade tanto entre profissionais quanto entre a população. "Esperar o aparecimento da hipertensão, do diabetes ou das primeiras limitações para mudar hábitos significa perder uma parte importante da oportunidade de prevenção. O envelhecimento saudável não começa aos 60 anos. Ele é resultado das escolhas feitas diariamente ao longo da vida", explica Alexandre.

No Dia Nacional da Saúde, a discussão sobre longevidade ganha um significado que vai além do aumento da expectativa de vida. Em um país que envelhece rapidamente, preservar a autonomia, a capacidade funcional e a qualidade de vida tende a se tornar um dos principais indicadores de sucesso das políticas de prevenção e promoção da saúde.

"O maior patrimônio que uma pessoa pode construir ao longo da vida é a capacidade de continuar independente. Envelhecer com saúde não acontece por acaso. É resultado das escolhas feitas diariamente muito antes da velhice chegar", conclui Alexandre Duarte.  




Dr. Alexandre Duarte - médico, professor e palestrante, referência em fisiologia metabólica e hormonal no Brasil. Graduado em Medicina pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), aprofundou sua formação durante 12 anos nos Estados Unidos, onde concluiu o Fellowship in Metabolic and Nutritional Medicine pela MMI/USA. Fundador do Grupo Avantgarde, Alexandre Duarte acumula mais de duas décadas de atuação clínica e acadêmica. Ao longo de sua trajetória, contribuiu para a recuperação da saúde de aproximadamente 20 mil pacientes e para a formação de mais de 3 mil médicos em áreas ligadas à fisiologia metabólica, modulação hormonal e medicina personalizada. Defensor da chamada medicina da saúde, baseada na investigação das causas dos desequilíbrios metabólicos e hormonais, atua na difusão de uma abordagem voltada à prevenção, personalização do tratamento e reversão de doenças crônicas associadas ao metabolismo, consolidando-se como uma das principais vozes do segmento no país.
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Instituto Avantgarde
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