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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Diploma universitário continua sendo diferencial no mercado, mas desafio é formar mais profissionais, avalia especialista


Estudo mostra que brasileiros com ensino superior ganham, em média, 148% mais do que quem concluiu apenas o ensino médio. Para Antonio Esteca, o dado evidencia a escassez de profissionais qualificados e os desafios da permanência no ensino superior

 

 

Embora o mercado de trabalho tenha passado por profundas transformações nos últimos anos, com o avanço da inteligência artificial, da digitalização e de novas formas de contratação, o diploma universitário continua sendo um dos principais diferenciais para quem busca melhores oportunidades profissionais no Brasil. Dados da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico mostram que trabalhadores brasileiros com ensino superior completo recebem, em média, 148% a mais do que aqueles que possuem apenas o ensino médio - percentual quase três vezes superior à média dos países da organização, que é de 54%.

 

Para o especialista em avaliação e regulação da educação superior e avaliador do Inep/MEC, Antonio Esteca, o dado vai além da valorização do diploma e revela uma característica do próprio mercado brasileiro. “O ensino superior continua sendo um importante fator de mobilidade social no Brasil. Quando observamos uma diferença salarial tão expressiva, percebemos também que existe uma demanda por profissionais qualificados maior do que a oferta disponível. Isso mostra que investir em formação continua sendo um diferencial competitivo para quem deseja crescer profissionalmente”, afirma.

 

Segundo Esteca, o cenário também evidencia outro desafio: garantir que mais estudantes consigam concluir a graduação. “O Brasil ampliou significativamente o acesso ao ensino superior nas últimas décadas, mas ainda enfrenta índices elevados de evasão. O grande desafio agora não é apenas colocar o aluno na universidade, mas criar condições para que ele conclua sua formação e esteja preparado para atender às demandas do mercado”.


 

Mercado exige novas competências


Na avaliação do especialista, a valorização do diploma está diretamente relacionada às mudanças pelas quais passam as empresas e a economia. “Hoje o mercado busca profissionais que dominem competências técnicas, mas também tenham capacidade analítica, pensamento crítico, comunicação, resolução de problemas e adaptação às transformações tecnológicas. A graduação continua sendo um ambiente importante para desenvolver essas competências”, observa.

 

Esteca destaca ainda que áreas ligadas à tecnologia, engenharia, inovação e análise de dados tendem a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos, impulsionadas pela transformação digital. “O avanço da inteligência artificial não reduz a importância da educação superior. Pelo contrário. Ele aumenta a necessidade de profissionais capazes de interpretar informações, tomar decisões e utilizar a tecnologia de forma estratégica", afirma.


 

Formação além do diploma


Para Antonio Esteca, a discussão sobre ensino superior precisa deixar de se concentrar apenas no acesso às universidades e passar a considerar toda a jornada acadêmica. “O diploma continua abrindo portas, mas ele é resultado de um processo. Precisamos fortalecer políticas de permanência, melhorar a qualidade da formação e aproximar ainda mais as instituições do mercado de trabalho. Quanto maior for essa conexão, maiores serão as oportunidades para os estudantes e para o desenvolvimento do país", conclui. 

 



Antonio Esteca - graduado e mestre em Ciência da Computação pela UNESP, especialista em Gestão de Negócios pelo IBMEC-RJ e doutor em Psicologia pela PUC-Campinas. Atua no ensino superior desde 2013, com experiência em docência, gestão acadêmica, inovação educacional e desenvolvimento institucional. É avaliador institucional do INEP/MEC e acompanha de perto temas relacionados à qualidade e às transformações da educação brasileira. Atualmente, destaca-se também como uma das 10 vozes de maior influência no LinkedIn no mundo na área da Educação Superior. Em sua pesquisa de doutorado, dedicou-se ao estudo da prevenção do bullying e do cyberbullying no contexto escolar, tema que dialoga diretamente com a formação de educadores e com a promoção de ambientes escolares mais seguros e saudáveis. Atualmente, é CEO e Diretor-Geral da Faculdade Metropolitana do Estado de São Paulo (FAMEESP), da Faculdade Metropolitana de Franca (FAMEF) e da Faculdade de Tecnologia, Ciências e Educação (FATECE).
https://www.linkedin.com/in/antonioesteca

 

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