Especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica esclarece dúvidas frequentes e reforça a importância do diagnóstico precoce para controlar a evolução das manchas
Embora seja uma doença
amplamente conhecida pelas manchas brancas na pele, o vitiligo ainda desperta
dúvidas e está cercado por informações equivocadas. Crenças sobre transmissão,
causas e possibilidades de tratamento continuam presentes no imaginário popular
e podem atrasar o diagnóstico, além de contribuir para situações de
preconceito.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) reforça a importância
da orientação médica e do acesso à informação de qualidade.
O vitiligo é uma doença crônica caracterizada pela perda da
pigmentação da pele em decorrência da diminuição da função e da destruição dos
melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. A condição pode
surgir em qualquer fase da vida e tem origem multifatorial. Fatores genéticos,
alterações imunológicas e neurológicas, distúrbios oxidativos celulares,
estresse físico ou emocional e traumas na pele estão entre os elementos
associados ao seu desenvolvimento.
De acordo com o dermatologista Juliano Barros, especialista e
membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), a
desinformação ainda representa um dos principais obstáculos para quem convive
com a doença.
"É comum ouvir que o vitiligo pode ser transmitido pelo
contato físico, mas isso não acontece. A doença não é contagiosa e não oferece
qualquer risco de transmissão. Esclarecer esse tipo de informação é fundamental
para reduzir o estigma enfrentado por muitos pacientes", afirma.
Outra característica que costuma gerar dúvidas é a ausência de sintomas
físicos. Na maioria dos casos, o vitiligo não provoca dor, coceira ou
desconforto, e seu principal sinal é o surgimento de manchas mais claras ou
completamente despigmentadas em diferentes regiões do corpo.
"O aparecimento dessas manchas costuma ser a manifestação
mais evidente da doença. Sempre que houver alteração na coloração da pele, a
recomendação é buscar avaliação dermatológica para confirmar o diagnóstico e
definir a melhor conduta", orienta o especialista.
A evolução do quadro varia de pessoa para pessoa. Em alguns
pacientes, as manchas permanecem restritas a determinadas áreas do corpo. Em
outros, podem surgir em diferentes regiões ao longo do tempo. Por esse motivo,
o acompanhamento médico é essencial.
Além das dúvidas relacionadas às causas da doença, ainda existe a
falsa percepção de que não há tratamento disponível. Segundo o especialista, os
avanços da dermatologia ampliaram as possibilidades terapêuticas e permitem
controlar a progressão do quadro em muitos casos.
"O tratamento busca regular a resposta imunológica envolvida
no processo que afeta os melanócitos. Entre as opções disponíveis estão
medicamentos imunomoduladores, agentes antioxidantes, procedimentos cirúrgicos
em casos específicos e a fototerapia com luz ultravioleta, que pode estimular a
repigmentação da pele e contribuir para resultados bastante positivos",
explica.
Além dos aspectos clínicos, o vitiligo também pode afetar a
autoestima e a qualidade de vida dos pacientes. O preconceito e a falta de
informação ainda fazem parte da realidade de muitas pessoas que convivem com a
doença.
"Quanto mais conhecimento houver sobre o vitiligo, menores
serão as barreiras enfrentadas pelos pacientes. O acesso ao diagnóstico e ao
tratamento adequados contribui para o controle da doença e ajuda a combater
preconceitos que não têm fundamento", conclui.
Mitos e verdades sobre o vitiligo
Vitiligo é contagioso?
Não. A doença não é transmitida por contato físico, compartilhamento de objetos ou convivência social.
Toda mancha branca na pele é vitiligo?
Não. Outras doenças dermatológicas também podem causar alterações na pigmentação da pele, como nevo acrômico, albinismo, piebaldismo, pitiríase versicolor, pitiríase alba, líquen escleroso e atrófico e hanseníase. O diagnóstico deve ser sempre realizado por um médico.
O estresse pode influenciar o surgimento da doença?
Sim. O estresse físico ou emocional está entre os fatores
associados ao aparecimento ou agravamento do quadro em pessoas predispostas.
Estudos demonstram que entre 7,2% e 26,9% dos pacientes associaram o início da
doença a algum distúrbio emocional, enquanto de 21% a 60% relataram o
aparecimento de manchas acrômicas após traumatismos físicos, fenômeno
denominado isomórfico ou de Koebner.
Vitiligo tem tratamento?
Sim. Existem diferentes abordagens terapêuticas que ajudam a controlar a evolução da doença e favorecem a repigmentação da pele. Entre as opções mais utilizadas, com resultados satisfatórios e embasamento científico consistente, estão terapias imunomoduladoras e anti-inflamatórias, tratamentos que estimulam a atividade dos melanócitos e a repigmentação, agentes antioxidantes, procedimentos cirúrgicos em casos estáveis há cerca de um ano e a associação de tecnologias a medicamentos específicos em técnicas conhecidas como drug delivery, também indicadas para casos estáveis de vitiligo.
Crianças podem desenvolver vitiligo?
Sim. A doença pode surgir em qualquer idade, inclusive na
infância.
Como escolher um médico habilitado
A SBCD ressalta a importância de a população buscar um
profissional habilitado para acompanhamento, diagnóstico e tratamento. Para
isso, é fundamental verificar se o médico possui o Registro de Qualificação de
Especialista (RQE), qualificação atestada pelo Conselho Regional de Medicina
(CRM).
A consulta é simples e pode ser feita a partir do nome do
profissional no site do Conselho Federal de Medicina (CFM). Clique aqui!
Esse cuidado na escolha ajuda a evitar atendimentos inadequados
por profissionais não habilitados e garante mais segurança ao paciente.

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