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terça-feira, 30 de junho de 2026

O fim de um estereótipo: por que as companhias aéreas querem mais do que simpatia dos comissários

Enquanto estereótipos sobre a profissão perdem força, companhias buscam profissionais capazes de lidar com emergências, conflitos e situações de alta pressão a bordo

 

Alguém desmaia na poltrona 14B. Uma discussão entre passageiros começa a sair do controle. Uma criança entra em pânico durante uma turbulência severa. Em situações como essas, a primeira resposta costuma vir de um comissário de bordo, profissional treinado para agir rapidamente em emergências, garantir a segurança a bordo e prestar assistência aos passageiros. 

Ainda associado por muitos ao serviço de refeições e às demonstrações de segurança antes da decolagem, esse profissional desempenha um papel muito mais complexo dentro da aeronave. E é justamente essa realidade que vem transformando a forma como as companhias aéreas recrutam seus talentos, em um momento em que o setor vive sua maior expansão histórica.

O contexto ajuda a entender a urgência da mudança. A aviação civil brasileira encerrou 2025 com 129,6 milhões de passageiros transportados, o maior volume já registrado no país, segundo a ANAC. O Brasil foi o principal destaque mundial em demanda doméstica no período, com crescimento de 11,1% em relação a 2024, de acordo com a IATA. E a tendência é de longo prazo: projeções da Airbus indicam que o tráfego de passageiros no Brasil deve aumentar 145% até 2044, chegando a 266,3 milhões de pessoas por ano.

Para absorver esse crescimento, as aéreas aceleraram contratações. A LATAM bateu o recorde de mais de 1 mil contratações de tripulantes no Brasil em 2024 e abriu 738 novas vagas para comissários de voo em 2025. No total, o mercado registrou 1.525 admissões formais para a função nos últimos 12 meses, segundo dados do CAGED/Ministério do Trabalho.

Mais vagas, porém, não significa qualquer perfil. À medida que a aviação se torna mais complexa e as experiências dos passageiros ganham novas exigências, o profissional buscado pelas companhias também evolui. Além da qualificação técnica como formação de qualidade para comissários de voo, cresce a busca por candidatos com inteligência emocional, capacidade de comunicação e preparo para lidar com situações de pressão.


Segurança primeiro, e isso exige equilíbrio emocional

Mais do que servir refeições ou orientar viajantes, os comissários são treinados para atuar em situações críticas: emergências médicas, evacuações e gerenciamento de conflitos dentro da cabine. Em um ambiente onde centenas de pessoas compartilham um espaço reduzido por horas, manter o controle emocional e tomar decisões rápidas pode ser tão importante quanto dominar procedimentos operacionais.

"O passageiro enxerga o atendimento, mas a principal função do comissário continua sendo a segurança. O que mudou é que as empresas perceberam que habilidades emocionais são fundamentais para que esses profissionais consigam desempenhar esse papel da melhor forma possível, especialmente em situações de pressão", afirma Mila Seidl, CEO do Lito Group.

A formação já demonstra essa complexidade. Durante o treinamento, os alunos aprendem procedimentos de evacuação, combate a incêndios, sobrevivência em diferentes cenários, gerenciamento de recursos da tripulação e primeiros socorros. Também são preparados para lidar com passageiros ansiosos, crises de pânico, conflitos interpessoais e intercorrências médicas como episódios de mal-estar, quedas de pressão, desmaios, crises alérgicas e dificuldades respiratórias estão entre os atendimentos mais comuns a bordo.

A valorização das habilidades comportamentais também têm ajudado a derrubar outro estereótipo da aviação: o de que a carreira é destinada apenas aos mais jovens. Segundo levantamento da maior escola de aviação da América Latina Lito Academy , o número de alunos acima dos 40 anos matriculados nos cursos de comissário cresceu 20% nos últimos três anos, reflexo de um movimento de profissionais em busca de transição de carreira.

Em um ambiente que exige contato constante com passageiros e tomadas de decisão sob pressão, competências como comunicação, resiliência e gestão de conflitos, desenvolvidas ao longo de trajetórias profissionais diversas, podem representar um diferencial importante nos processos seletivos.

"Os passageiros estão cada vez mais conscientes do papel estratégico dos comissários. Ao mesmo tempo, as empresas entendem que o profissional ideal é aquele que alia conhecimento técnico, capacidade de liderança e inteligência emocional para lidar com qualquer situação que possa surgir durante um voo", conclui Mila, CEO da Lito Academy.

 

Lito Group
Lito Academy


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