Pesquisa que avaliou dados de egressos da rede pública reforça a
importância do Ensino Médio Integral para ampliação de renda, empregabilidade e
bem-estar social da população
Um levantamento
sobre o Ensino Médio Integral (EMI) no Brasil indica que esta política pública apresenta uma razão custo-benefício sólida, com
retornos que podem chegar até R$ 3,49 para cada R$ 1,00 investido, dependendo
do cenário de expansão e eficiência. O estudo
posiciona o EMI como um investimento educacional de grande impacto no país,
revelando que o alto desempenho está na combinação de dois fatores
fundamentais: gestão estratégica de custos e impacto educacional multiplicado.
A pesquisa,
elaborada pelos pesquisadores Natália Marchi, Enlinson Mattos e Vladimir
Ponczek, todos da área de economia e avaliação de políticas públicas, em
conjunto com o Instituto Natura, baseou-se em evidências concretas e dados de
egressos da rede pública de Pernambuco — estado pioneiro na adoção da política
de educação integral. A análise simula diferentes cenários, comprovando que,
quando o governo planeja a expansão do EMI de forma organizada e em larga
escala, o custo por vaga pode diminuir significativamente. Ess
a eficiência
sugere que ampliação da modalidade em toda a rede de ensino tende a gerar
economias adicionais, à medida que o Estado replica modelos já testados e
otimiza recursos, em vez de realizar implementações isoladas.
O estudo revela
que o retorno econômico não vem apenas da melhoria da aprendizagem, mas de um
ganho triplo que gera um efeito contínuo na trajetória do jovem. O aluno do
tempo integral aprende mais (aumento da proficiência), apresenta uma chance
muito menor de abandonar os estudos (melhora o fluxo escolar e redução da
evasão) e tem uma probabilidade significativamente maior de ingressar e
concluir o ensino superior.
No longo prazo,
esses três fatores impulsionam a produtividade do país. "O aluno se torna
um profissional mais qualificado, com salários maiores e maior poder de
consumo, contribuindo de forma mais robusta para a economia. No cenário mais
otimista do estudo, a soma desse 'benefício econômico' ao longo da vida do egresso
chega a quase três vezes e meia o valor investido pelo Estado", explica
Vladimir Ponczek.
Além disso, entre
os ganhos diretos, o levantamento aponta um aumento médio de R$ 172,00 na renda
mensal e elevação de três pontos percentuais na taxa de emprego entre jovens do
EMI. Já os efeitos indiretos incluem um avanço no aprendizado equivalente a 0,1
desvio padrão — indicador estatístico que aponta uma melhora relevante no
desempenho médio dos estudantes —, redução da evasão escolar em 4,8 pontos
percentuais e um crescimento de 8,8 pontos percentuais na trajetória do ensino
superior.
Para Maria
Slemenson, Superintendente do Instituto Natura Brasil, os dados mostram que o
EMI é uma escolha estratégica tanto do ponto de vista econômico quanto social.
“O Brasil avançou na oferta da educação integral, mas pode ir além. A cada novo
estudo que corrobora com sua relevância, aumenta a urgência por maior
compromisso político e gera força para expansão. O Ensino Médio Integral é uma
política inegociável para o desenvolvimento do nosso país e há evidências
suficientes para colocá-lo no centro da estratégia educacional”, afirma.
Ao traduzir
avanços pedagógicos em indicadores econômicos, o estudo oferece subsídios
objetivos para o debate sobre a eficiência na alocação de recursos públicos,
provando que o Ensino Médio Integral é uma ferramenta essencial para romper
ciclos de desigualdade e acelerar o crescimento do Brasil.
Instituto
Avon
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