Psiquiatra explica
como identificar comportamentos confundidos com amor, mas que podem indicar
dependência e desgaste psicológico
O Dia dos Namorados, comemorado em 12 de junho, costuma
celebrar o amor, a parceria e a conexão afetiva. Mas nem sempre é fácil
perceber quando uma relação deixa de ser saudável e passa a comprometer a
autonomia emocional de um dos parceiros. Em muitos casos, comportamentos
associados ao romantismo são vistos como demonstrações de amor, quando na
verdade podem sinalizar dependência emocional.
Segundo o Dr. Guido Boabaid May, médico
psiquiatra e CEO da GnTech, a principal diferença entre
uma relação saudável e uma relação baseada em dependência emocional está na
preservação da individualidade. “Um relacionamento saudável é aquele em que
duas pessoas escolhem estar juntas sem abrir mão da própria identidade. Existe
afeto, apoio mútuo, compromisso e cada um pode manter seus interesses,
amizades, objetivos, que podem até ser os mesmos, desde que seja uma opção da
pessoa e não uma imposição do outro”, explica.
Dessa forma, o especialista listou alguns
pontos para prestar mais atenção dentro das relações, com o intuito de ajudar
pessoas que têm dificuldade de perceber se estão ou não em uma relação
saudável. Confira:
1. Necessidade constante de contato
No início de um relacionamento, alguns
comportamentos podem ser confundidos com paixão intensa. No entanto, quando a
necessidade de estar conectado o tempo todo gera sofrimento, é importante
observar com mais atenção. “Entre eles, estão a necessidade de contato
constante, a sensação de ansiedade quando o parceiro demora a responder
mensagens, o abandono progressivo de atividades pessoais para priorizar a
relação e a dificuldade em tolerar momentos de distância”, afirma Guido.
2. Ignorar comportamentos tóxicos
Ignorar comportamentos que causam desconforto
ou justificar atitudes inadequadas para preservar a relação também pode indicar
um vínculo emocional desequilibrado. “Outro sinal frequente é a tendência a
idealizar o parceiro, ignorando comportamentos que causam desconforto ou
justificando atitudes inadequadas para preservar a relação”, explica o
psiquiatra.
3. Confundir controle com demonstrações
de amor
Algumas atitudes frequentemente romantizadas
podem esconder sinais de dependência emocional e perda de autonomia. “Abrir mão
de todos os próprios interesses para agradar o parceiro, tolerar repetidas
situações que causam sofrimento por medo de perder a relação, monitorar
constantemente a rotina do outro e acreditar que ciúme excessivo é sinal de
amor são exemplos comuns”, alerta o especialista. “O amor saudável envolve
cuidado e concessões, mas não exige o apagamento da individualidade”, comenta.
4. Medir a qualidade da relação pelas
redes sociais
As redes sociais também podem contribuir para
expectativas irreais e aumentar a insegurança dentro dos relacionamentos. “A
internet frequentemente apresenta versões editadas e idealizadas dos
relacionamentos. Isso pode criar expectativas irreais sobre felicidade
constante, ausência de conflitos e demonstrações públicas permanentes de
afeto”, explica o Dr. “Quando o relacionamento passa a ser medido pela
frequência de mensagens, curtidas ou publicações, há um risco maior de
ansiedade e desgaste emocional”, pontua.
Para o especialista, o fortalecimento da
autoestima e da autonomia emocional são fundamentais para a construção de
relações mais saudáveis. “Quanto mais a pessoa consegue reconhecer seu próprio
valor independentemente da relação, menor a probabilidade de estabelecer
vínculos baseados na dependência”, afirma.
O médico também reforça que dependência emocional não é sinônimo de amar intensamente. “O problema surge quando a relação passa a comprometer a autonomia, a saúde mental e a capacidade de fazer escolhas livres. Buscar ajuda profissional pode ser um passo importante quando o relacionamento se torna fonte constante de sofrimento, ansiedade ou perda de identidade. Relações saudáveis permitem que cada pessoa cresça e se desenvolva enquanto compartilha a vida com o outro”, conclui.
Guido Boabaid May - Médico psiquiatra há mais de 32 anos, com mais de 110 mil consultas realizadas, mais de 1.100 pacientes em tratamento guiado com teste farmacogenético e pioneiro da farmacogenética no Brasil. Guido também é fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil, com mais de 25 mil testes farmacogenéticos realizados sob sua liderança, a empresa é detentora do maior banco de dados de farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e é autor do livro "Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025.
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