Especialista alerta que desaparecimento repentino em relacionamentos pode provocar sofrimento emocional profundo e impactos na saúde mental
O fim silencioso de relacionamentos, conhecido
popularmente como “ghosting”, tem se tornado cada vez mais comum na era digital
e acendido um alerta entre especialistas em saúde emocional. A prática acontece
quando uma pessoa simplesmente desaparece da vida da outra sem explicações,
interrompendo contatos, mensagens e qualquer tipo de comunicação. Apesar de
acontecer no ambiente virtual, os efeitos emocionais são reais e podem gerar
ansiedade, insegurança e sensação intensa de abandono.
Segundo o neurocientista e hipnoterapeuta Renê
Skaraboto, da clínica Hipnose para Todos o cérebro humano
interpreta a rejeição emocional de maneira muito mais profunda do que muitas
pessoas imaginam. “O ghosting é como uma despedida sem funeral. A pessoa
simplesmente desaparece sem dar um motivo, sem encerrar o ciclo. Isso deixa o
cérebro preso em expectativa, dúvida e sofrimento emocional”, explica.
De acordo com especialistas em comportamento, o
cérebro humano ainda carrega mecanismos ancestrais ligados à sobrevivência em
grupo. Durante milhares de anos, ser excluído de uma comunidade significava
risco real de morte, vulnerabilidade e isolamento. Embora a sociedade tenha
evoluído, o cérebro continua reagindo à rejeição social como um sinal de
ameaça. “Nosso cérebro não foi feito para viver na velocidade das relações
modernas. Quando alguém nos rejeita ou desaparece sem explicação, o inconsciente
entende isso como perda de conexão e risco emocional”, afirma Renê.
O impacto psicológico pode ser ainda maior
justamente pela ausência de respostas. Sem uma conversa final ou um
encerramento claro, muitas pessoas permanecem alimentando expectativas, criando
hipóteses e revivendo situações na tentativa de encontrar uma explicação. Esse
processo aumenta o desgaste emocional e pode desencadear sintomas como insônia,
ansiedade, baixa autoestima e dificuldade de confiar em novos relacionamentos.
Outro ponto levantado pelo especialista é a
dificuldade crescente das pessoas em desenvolver comunicação emocional
verdadeira. Em muitos relacionamentos, existe excesso de conversa superficial,
mas pouca troca genuína de sentimentos. “Falar não é o mesmo que se comunicar.
Muitos casais conversam sobre trabalho, rotina, notícias e problemas externos,
mas não conseguem falar sobre suas dores, inseguranças e necessidades
emocionais”, destaca.
Segundo ele, a ausência de diálogo é um dos
principais fatores que enfraquecem os relacionamentos atuais. A comunicação
emocional saudável exige maturidade, vulnerabilidade e disposição para
conversas difíceis. “Quando as pessoas evitam conflitos ou desaparecem sem
enfrentar situações desconfortáveis, acabam gerando ainda mais sofrimento no
outro”, explica.
Especialistas em saúde mental reforçam que o
autoconhecimento é uma das ferramentas mais importantes para lidar com
situações de rejeição e abandono emocional. Direcionar toda a atenção para as
atitudes do outro pode aumentar ainda mais o sofrimento. “Enquanto a pessoa
continuar esperando respostas externas para se sentir bem, ela perde a conexão
consigo mesma. O processo de cura começa quando ela volta o olhar para si”,
afirma Renê.
Em um cenário cada vez mais acelerado e digital,
profissionais alertam para a importância de fortalecer relações mais humanas,
conscientes e transparentes. Pequenos momentos de conexão, escuta e diálogo
podem fazer diferença significativa na construção de vínculos mais saudáveis e
duradouros.
Renê Skaraboto - Neurocientista e Hipnoterapeuta
@hipnose_para_todos
www.clinicahipnoseparatodos.com.br
Ed. Batel Executive Center
Travessa João Turin, nº 37, sala 601, 6º andar, Água Verde, Curitiba/PR.

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