Excesso de peso compromete o retorno venoso,
favorece inflamação e eleva o risco de complicações circulatórias,
especialmente nos membros inferiores
A obesidade é um fator de risco importante para
uma série de problemas de saúde, e entre eles estão as doenças venosas, que
podem se manifestar com sintomas como: dor, inchaço, sensação de peso nas
pernas, varizes e até trombose. Embora muitas vezes a relação entre excesso de
peso e circulação não receba a devida atenção, o impacto sobre o sistema
vascular pode ser significativo. O tema ganha ainda mais relevância diante do
avanço global da obesidade: segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2022
cerca de 890 milhões de adultos viviam com obesidade no mundo, e 43% dos
adultos já estavam com sobrepeso.
No Brasil, o cenário também preocupa. Dados do Atlas Mundial da
Obesidade 2025 indicam que 68% da população brasileira tem excesso de peso,
sendo 31% com obesidade e 37% com sobrepeso, com tendência de crescimento nos
próximos anos.
De acordo com Dr. Márcio Steinbruch, especialista em cirurgia
vascular formado pelo Hospital das Clínicas da FMUSP e membro titular da
Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, o excesso de gordura
corporal exerce pressão sobre as veias, dificulta o retorno do sangue ao
coração e favorece o surgimento ou agravamento de doenças venosas.
“A obesidade sobrecarrega a circulação, principalmente nos membros
inferiores. O aumento da pressão abdominal e o processo inflamatório associado
ao excesso de peso prejudicam o retorno venoso e criam um cenário favorável
para o aparecimento de varizes, insuficiência venosa crônica e também para
complicações mais graves, como a trombose”, explica.
O estudo populacional “Prevalence of Chronic Venous Disease and
Quality of Life in a Representative Adult Population Sample in Greece”,
divulgado recentemente, mostrou que a prevalência de doença venosa crônica foi
maior entre indivíduos com obesidade do que nos demais grupos avaliados.
Segundo Steinbruch, esse impacto acontece por diferentes
mecanismos. Além da sobrecarga mecânica nas pernas, a obesidade está associada
a maior inflamação sistêmica, redução da mobilidade e, muitas vezes, ao
sedentarismo, fatores que contribuem diretamente para piora da circulação.
“O sangue das pernas precisa vencer a gravidade para voltar ao
coração. Quando há obesidade, especialmente associada à baixa atividade física,
esse processo se torna menos eficiente. Isso favorece o acúmulo de sangue nas
veias, gerando sintomas e aumentando o risco de evolução do quadro”, afirma
Steinbruch.
Entre os sinais de alerta mais comuns estão o inchaço nas pernas e
tornozelos, sensação de peso, dor ao fim do dia, cansaço nas pernas,
aparecimento de vasinhos e varizes, além de alterações na pele em casos mais
avançados. Em situações mais graves, pode haver inflamação venosa,
escurecimento da pele e formação de feridas.
O especialista ressalta, ainda, que a obesidade também é um fator
de risco relevante para tromboembolismo venoso, grupo que inclui a trombose
venosa profunda e a embolia pulmonar. Revisões recentes destacam que esse risco
é explicado por uma combinação de estase venosa, aumento da pressão
intra-abdominal, menor velocidade do fluxo sanguíneo nos membros inferiores e
um estado inflamatório e pró-coagulante associado ao excesso de tecido adiposo.
“A trombose é uma condição séria e que exige atenção. Pacientes
com obesidade podem ter risco aumentado, especialmente quando existem outros
fatores associados. Por isso, a avaliação vascular é importante não apenas
quando já existem sintomas visíveis, mas também como forma de prevenção”,
alerta.
De acordo com Steinbruch, o controle do peso corporal faz parte do
cuidado com a saúde vascular e pode contribuir tanto para a prevenção quanto
para a melhora dos sintomas em pacientes com doenças venosas. A própria OMS
destaca que sobrepeso e obesidade estão ligados a um aumento expressivo da
carga de doenças crônicas e que o manejo do peso deve ser encarado como parte
do cuidado contínuo em saúde.
“A perda de peso, aliada à prática regular de atividade física, ao
uso de meias de compressão quando indicado e ao acompanhamento médico, pode
trazer melhora importante da circulação e da qualidade de vida. Não se trata
apenas de uma questão estética, mas de saúde”, destaca.
O especialista reforça que sintomas recorrentes nas pernas não
devem ser ignorados, sobretudo em pessoas com sobrepeso ou obesidade. “Muita
gente se acostuma com o inchaço e com a dor nas pernas e demora para buscar
ajuda. Quanto mais cedo o problema é investigado, maiores são as chances de
evitar complicações e indicar o tratamento mais adequado para cada caso”,
conclui.
Fonte:
Dr. Márcio Steinbruch - Médico com especialização em cirurgia vascular pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, além disso, é membro efetivo e possui título de especialista pela SBAVC - Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Pode participar de pautas sobre varizes, tromboses, problemas derivados destas doenças, cirurgias e problemas vasculares no geral.
Dr. Márcio Steinbruch | Cirurgião vascular (@livredevarizes) • vídeos do Instagram
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