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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Maio Furta-cor reforça alerta sobre depressão pós-parto e saúde mental matern

Magnific
Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista orienta sobre sinais de alerta no pós-parto e a importância do acolhimento às mães 


Maio costuma ser lembrado pelas homenagens às mães. Mas, por trás das mensagens de afeto e celebração, existe uma realidade que ainda é pouco falada: muitas mulheres atravessam a maternidade em silêncio, lidando com medo, culpa, exaustão e tristeza em um período que, socialmente, ainda é tratado como sinônimo obrigatório de felicidade. 

A campanha Maio Furta-cor, movimento voltado à conscientização sobre a saúde mental materna. A proposta é chamar atenção para os impactos emocionais da gestação, do parto, do puerpério e da maternidade, lembrando que cuidar da mãe também é uma forma de cuidar do bebê e de toda a família. 

Um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz aponta que mais de 25% das mães brasileiras são afetadas pela depressão pós-parto. Um problema que, muitas vezes, é confundido com cansaço, adaptação à nova rotina ou até falta de preparo para a maternidade. 

Nos primeiros dias após o nascimento do bebê, é comum que a mulher enfrente uma oscilação emocional intensa. Esse período é conhecido como baby blues, ou blues puerperal, uma tristeza leve e passageira que atinge cerca de 70% a 80% das mulheres no pós-parto. O quadro costuma surgir entre o 2º e o 5º dia após o parto e pode provocar choro fácil, irritabilidade, ansiedade, sensibilidade emocional e sensação de sobrecarga. 

Na maioria das vezes, o baby blues está ligado às mudanças hormonais bruscas, à exaustão física, à privação de sono e ao próprio processo de adaptação à chegada do bebê. Os sintomas costumam desaparecer espontaneamente em até duas semanas. O alerta surge quando essa tristeza não passa, quando a angústia se aprofunda. 

Quando sentimentos como exaustão extrema, tristeza profunda, culpa, medo constante, isolamento, ansiedade intensa ou dificuldade de criar vínculo com o bebê persistem, o quadro pode indicar depressão pós-parto e precisa de acompanhamento especializado. 

Para Dra. Mayara Rizzardi, psicóloga do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, um dos maiores desafios ainda é romper com a ideia de que a mãe precisa dar conta de tudo sozinha. “A maternidade ainda é cercada por uma expectativa muito rígida de felicidade. Quando a mulher sente tristeza, medo ou culpa, muitas vezes ela acha que está falhando. Mas sofrimento emocional no pós-parto não é fraqueza, não é falta de amor e não deve ser enfrentado em silêncio”, explica. 

A depressão pós-parto pode estar relacionada a diferentes fatores. Alterações hormonais, privação de sono, histórico de ansiedade ou depressão, falta de rede de apoio, dificuldades financeiras, gravidez não planejada, conflitos familiares, experiências traumáticas e sobrecarga nos cuidados com o bebê podem contribuir para o surgimento ou agravamento do quadro. 

Os sinais nem sempre aparecem de forma evidente. Em algumas mulheres, o sofrimento se manifesta pelo choro frequente e pela tristeza persistente. Em outras, vem como irritabilidade, sensação de incapacidade, medo excessivo de não cuidar bem do bebê, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações no sono e no apetite, dificuldade de concentração e isolamento. 

“Nem toda mãe vai dizer claramente que está deprimida. Às vezes, ela apenas se afasta, fica mais irritada, perde o brilho, sente culpa por tudo ou passa a acreditar que não é uma boa mãe. Por isso, a escuta precisa ser atenta, sem julgamento e sem minimizar o que ela está sentindo”, afirma. 

A prevenção passa por um cuidado que começa antes mesmo do parto. Durante a gestação, é importante que a saúde emocional da mulher seja acompanhada com a mesma atenção dedicada aos exames físicos. Perguntas simples, como “você tem conseguido descansar?”, “tem se sentido apoiada?”, “sente medo ou tristeza com frequência?” e “com quem você pode contar?”, podem abrir espaço para identificar vulnerabilidades antes que o sofrimento se agrave. 

No pós-parto, a rede de apoio tem papel decisivo. Mais do que visitar o bebê, familiares e pessoas próximas precisam olhar para a mãe. Ajudar nas tarefas da casa, permitir que ela descanse, dividir cuidados, ouvir sem julgamentos e incentivar a busca por ajuda profissional são atitudes que podem fazer diferença. 

“Frases como ‘isso é normal’, ‘toda mãe passa por isso’ ou ‘você precisa ser forte’ podem silenciar uma mulher que está pedindo socorro. O acolhimento real acontece quando alguém escuta, valida o sofrimento e ajuda essa mãe a chegar ao cuidado adequado”, destaca. 



Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista



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