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terça-feira, 12 de maio de 2026

Ação em SP reúne mães atípicas em dia de autocuidado e acolhimento

Iniciativa no mês das mães ofereceu escuta, serviços gratuitos e momentos de cuidado para mulheres com filhos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) 

 

Nesta segunda-feira (11/5), um grupo selecionado de 25 mães participou de um dia dedicado ao cuidado integral, com atendimentos gratuitos, escuta e momentos de acolhimento — em uma iniciativa social que propõe inverter a lógica mais comum: em vez de olhar apenas para a criança, olhar para quem cuida. Realizada em um salão de beleza na zona sul de São Paulo, a ação social “Um Olhar para Quem Cuida” criou um espaço de pausa e bem-estar para mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), reforçando a importância do autocuidado em rotinas marcadas por alta demanda emocional e falta de tempo.

O encontro, idealizado pela psiquiatra Fabricia Signorelli, reuniu profissionais voluntários de diferentes áreas, incluindo saúde mental, dermatologia e serviços de beleza, criando um ambiente que combina acolhimento e cuidado prático. “A gente ainda fala muito sobre o cuidado com a criança, mas pouco sobre quem sustenta esse cuidado todos os dias. Na prática, vemos mães exaustas, muitas vezes já com sinais de ansiedade, depressão e esgotamento emocional, tentando dar conta de tudo sem uma rede de apoio. Iniciativas como esta são importantes porque criam um espaço real de escuta, reconhecimento e cuidado para essas mulheres, ainda que por um dia”, afirma Fabricia Signorelli, psiquiatra e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).


Atividades que marcaram a ação

A primeira edição de “Um Olhar para Quem Cuida” ofereceu um espaço de respiro e reconhecimento, com atividades de acolhimento emocional e cuidado pessoal. A programação incluiu:

• Roda de conversa com especialistas e escuta das participantes

• Conversa guiada sobre estresse parental, culpa materna e sobrecarga emocional

• Orientação dermatológica com foco em autocuidado acessível

• Serviços voluntários de beleza (corte de cabelo, manicure, design de sobrancelhas e maquiagem)

• Produção de registros fotográficos voluntários


Principais nomes da iniciativa:

• Fabricia Signorelli, idealizadora do projeto, psiquiatra e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com atuação voltada à saúde mental materna


Apoio e Organização:

·         Renata de Ávila, médica dermatologista da Clínica Ávila, com foco em saúde e autoestima da mulher

·         Tati Cordeiro, empresária e proprietária do Studio Tati Cordeiro, espaço que sediou a ação

·         Wellington Feitosa, fotógrafo responsável pelos registros do evento

·         Maria França, maquiadora responsável pela produção de beleza

·         Vick Porto, profissional referência em unhas

·         Jessica Saavedra, design de sobrancelhas

·         Thaís Giraldelli, empreendedora no setor de beleza

Para Fabricia Signorelli, a proposta vai além de uma ação pontual. “Esse tipo de iniciativa mostra que não é possível falar de cuidado sem incluir quem cuida como parte central dessa equação. Sustentar uma rotina tão exigente sem olhar para a saúde emocional dessas mulheres tem um custo alto — individual e coletivo. A ideia é que ações como essa deixem de ser exceção e passem a integrar uma rede mais estruturada de apoio, que acompanhe essas mães de forma contínua”, afirma a psiquiatra e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).


Panorama do TEA em crianças

O contexto reforça a relevância da iniciativa. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta, principalmente, a comunicação, a interação social e o comportamento. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 1 em cada 100 crianças no mundo está dentro do espectro¹. No Brasil, ainda não há um censo nacional unificado, mas estudos e levantamentos apontam tendência de aumento nos diagnósticos, relacionada tanto à maior conscientização quanto à ampliação do acesso a serviços de saúde e diagnóstico precoce².

 

Referências:

  1. Organização Mundial da Saúde. Autism spectrum disorders.
    https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/autism-spectrum-disorders
  2. Ministério da Saúde. Linha de cuidado para atenção às pessoas com transtorno do espectro do autismo.
    https://www.gov.br/saude/pt-br

 

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