Levantamento inédito mostra que fazer turismo deixa de ser lazer e se
torna uma necessidade do público maduro
Uma pesquisa inédita, idealizada por Ana Carolina Kuwabara,
fundadora do Expo Fórum de Turismo 60+, e realizada pela Data8 com o apoio do Ministério
do Turismo mediu o potencial de consumo dos mais velhos no turismo brasileiro e
chegou à conclusão de que os viajantes maduros desejam cair na estrada para se
sentirem mais livres.
“Viajar para eles vai muito além do lazer, é uma questão de
necessidade”, comenta Ana Carolina Kuwabara.
O levantamento mostra que, para 61% dos entrevistados, viajar após os 60
anos é uma forma de manter a independência. Para tanto, a esmagadora maioria (96%)
não usa dinheiro de filhos ou outros parentes quando estão viajando. Eles
gostam de serem responsáveis por arcarem com seus próprios custos durante as
viagens.
O público maduro não economiza para conseguir essa sensação de
autonomia: 34% dos turistas com 60 anos ou mais gastam mais do que R$ 10 mil
por ano em suas viagens. O estudo também revela que 52% desse público realiza
pelo menos três viagens anuais, indicando uma rotina consistente de
deslocamentos motivados pelo lazer.
Quase metade (48%) utiliza plataformas, aplicativos e ferramentas
digitais para pesquisar destinos e viagens, enquanto 68% já fecham compras
online sozinhos ou com ajuda da família, demonstrando um grau de digitalização
maior do que muitos estereótipos associados ao envelhecimento sugerem.
Apesar de família e amigos (69%) seguirem como as principais influências
na escolha dos destinos, as redes sociais e os influenciadores digitais (15%)
vêm ganhando espaço entre os mais velhos. Uma parcela semelhante (16%) prefere
fechar tudo online com a agência e não faz questão do atendimento presencial.
A pesquisa revela ainda que, embora tenham flexibilidade maior com datas
e possam escolher viajar fora da temporada (87%), quem está nessa faixa etária
não quer mais ficar preso a roteiros pré-definidos, mas sempre mantendo a
segurança.
Entender esses hábitos se torna uma questão muito importante para a área
de turismo e serviços, uma vez que o Brasil está envelhecendo a olhos vistos.
Em 2050, o país será a sexta nação mais velha do mundo, com 61 milhões de
pessoas (28% da população) nessa faixa etária, assumindo protagonismo entre os
mercados que oferecerão mais oportunidades de negócios. Estima-se que o consumo
dos 60+ salte do R$ 1,8 trilhão atual para mais que o dobro (R$ 3,8 trilhões)
em 2044.
“É nítido, a partir desses números, que temos muitas oportunidades de
expandir o turismo no Brasil com a valorização desse consumidor mais velho, com
mais tempo para aproveitar a vida em viagens e outras formas de
divertimento. O problema é que a maior parte da rede de serviços ligada ao
turismo não está preparada para essa oportunidade”, avalia Ana Carolina
Kuwabara.
Os dados foram apresentados em São Paulo, no IV Expo Fórum de Turismo
60+, evento anual que tem se dedicado ao tema do envelhecimento. A pesquisa
ouviu em todo o país mais de mil pessoas que já ultrapassaram os 60 anos.
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