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terça-feira, 12 de maio de 2026

Como atrair jovens talentos para sua empresa em 2026?

Companhia de Estágios
Para a especialista da Companhia de Estágios, candidatos a estágio pedem coerência entre discurso e realidade, processos seletivos breves e forte jornada de desenvolvimento 

 

A disputa por jovens talentos nunca foi tão intensa e, ao mesmo tempo, tão complexa. Em um cenário de maior acesso à informação e múltiplas opções de carreira, empresas que desejam atrair estudantes do ensino médio, técnico e início da graduação precisam ir além do básico. Jéssica Gondim, gerente de gestão de contratos da Companhia de Estágios, líder em recrutamento e seleção de estagiários, trainees e jovens aprendizes, reforça que o desafio atual não está apenas em comunicar bem, mas em compreender profundamente o que motiva esse público. Para a executiva, é preciso atuar em duas frentes: fazer um bom trabalho de marketing de recrutamento para dar visibilidade à empresa e às vagas, mas também entender as novas gerações, suas ambições e necessidades. A combinação entre visibilidade e proposta de valor é o verdadeiro diferencial competitivo.

A primeira dimensão desse desafio está em existir no território onde os jovens circulam. “As empresas precisam estar onde eles estão”, afirma Jéssica, destacando a importância das redes sociais como TikTok e Instagram, além da presença física em escolas e instituições de ensino. Esta aproximação exige linguagem, formato e canais adequados. Algumas empresas já marcam presença em jogos muito populares entre a geração Alfa, como Minecraft e Fortnite, além do Roblox que oferece até um gerenciador de anúncios, próximo do modelo que conhecemos de Google e Meta

“Empresas que possuem um core de negócios mais distante do público jovem, por exemplo, as que têm perfil B2B, em um primeiro momento, podem enfrentar desafios de visibilidade na atração desses candidatos. Mas uma ação de marketing para estar em evidência nas buscas do Google e nas redes sociais, somada a uma elaboração estratégica do hotsite do programa de estágio, por exemplo, costumam gerar bons resultados. Tudo isso vai construindo a reputação da empresa diante do público alvo, fazendo com que ela se torne referência no mercado.”, comenta a especialista. 

Atrair candidatos requer reputação e visibilidade

Os melhores talentos sempre são disputados entre as empresas. Nesse contexto, não é suficiente apenas oferecer vagas, é preciso contar histórias e utilizar recursos audiovisuais para mostrar os ambientes, além de destacar o impacto social que ele pode causar atuando na empresa. Também é importante apresentar propósito e, principalmente, deixar claro como serão os desafios e aprendizados durante o estágio na organização.

A construção dessa narrativa deve passar por um ponto central, a autenticidade. Jéssica destaca que a identificação geracional tem peso decisivo na escolha, especialmente porque esse público valoriza vivências reais e rejeita comunicações excessivamente formais ou distantes. A linguagem corporativa tradicional, nesse sentido, não é suficiente. 

“É mais interessante colocar estagiários que já trabalham na empresa para contar sobre o dia a dia”, sugere.  “Eles podem trazer a experiência real do estágio, têm uma linguagem semelhante à dos futuros candidatos e conseguem destacar melhor quais foram as atividades que mais gostaram, o que mais os impactou e o que contribuiu para o seu desenvolvimento ”, complementa Jéssica.  

Precisão e eficiência dos processos seletivos 

Outro eixo crítico está no desenho dos processos seletivos. Se antes a complexidade era vista como sinônimo de prestígio, hoje ela representa um risco de evasão. “Antigamente, tínhamos processos seletivos mais longos, que eram mais cansativos,  tanto para quem organiza quanto para quem participa", relembra Jéssica. Hoje em dia, entre 70% e 80% dos processos têm no máximo três etapas, refletindo a demanda por agilidade e praticidade. A simplificação não é apenas uma tendência, é uma necessidade para manter o interesse do candidato.

A tecnologia, especialmente a inteligência artificial, tem acelerado essa transformação. Processos seletivos realizados via WhatsApp, com feedbacks quase imediatos, já começam a ganhar espaço. A especialista esclarece que esse avanço atende diretamente ao perfil de uma geração que valoriza respostas rápidas e interações simplificadas. Ao mesmo tempo, levanta um novo desafio equilibrar a eficiência tecnológica com uma experiência humanizada.

Além da velocidade, o perfil da vaga também passou a ter papel estratégico. A falta de transparência pode ser decisiva para afastar candidatos. “Para jovens sem experiência prévia, termos técnicos e descrições genéricas dificultam a compreensão e reduzem o interesse. A recomendação é apresentar as atividades em linguagem acessível e contextualizar o impacto do trabalho, tornando a oportunidade mais tangível e atrativa”, alerta a especialista.


Mercado de estágio e as novas gerações 

No campo dos benefícios, também há mudanças.  Não adianta criar pacotes amplos que podem não ser aproveitados pelos estagiários, se a vaga não atende ao que, de fato, é prioridade para eles: desenvolvimento, possibilidade de efetivação e aprendizado prático. A saúde mental, em especial, emerge como um dos fatores mais relevantes, refletindo uma mudança cultural significativa em relação às gerações anteriores. Segundo relatório da Deloitte de 2025, 40% da Geração Z e 34% dos Millennials afirmam sentir-se estressados ou ansiosos durante todo ou na maior parte do tempo — entre estes, cerca de um terço aponta o trabalho como a principal fonte de estresse.

Os jovens da geração Z priorizam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, além de propósito no trabalho, acima de remuneração isolada. Esse comportamento ajuda a explicar por que benefícios ligados ao bem-estar, como acompanhamento psicológico, acesso a terapias, atividades físicas variadas e programas de qualidade de vida, ganham protagonismo. Trata-se de uma mudança estrutural na forma como o trabalho é percebido e valorizado.

Por outro lado, o ponto mais sensível dessa equação está depois da contratação, que é a criação de senso de pertencimento e de perspectiva profissional, fatores que influenciam diretamente a permanência dos talentos na empresa. “É um problema quando os jovens ficam apenas dois ou três meses.  Mesmo quando há excelência na atração dos candidatos, ao ser contratado, o estagiário passa a refletir se está se desenvolvendo o tanto que gostaria e, se não estiver, tende a ir embora. Esse movimento, que tem se tornado cada vez mais comum, evidencia um desalinhamento entre expectativa e realidade, que compromete não só a experiência do jovem, mas também o fluxo de trabalho da equipe.

No campo da gestão, o grande desafio é a formação da liderança para receber esses jovens. Os gestores precisam ser capacitados para oferecer feedbacks contínuos e canais abertos de diálogo, ajustes e adaptações. 

“O estagiário pode sair e falar positivamente sobre o tempo na empresa e compartilhar projetos ou ações de impacto nas redes, o que fortalece a marca empregadora.  Ou pode relatar situações que foram negativas ou que não atenderam às suas expectativas”, afirma Jéssica. Em um mercado altamente conectado, essa narrativa tem peso significativo, podendo facilitar ou dificultar a atração de candidatos qualificados nos ciclos seguintes. 

“É preciso lembrar que esse jovem pode ser um futuro cliente, fornecedor ou parceiro”, observa a especialista. Por isso, a jornada oferecida vai além da experiência individual e passa a integrar a construção de relacionamentos de longo prazo. Nesse sentido, investir em desenvolvimento e cultura deixa de ser apenas uma ação de RH e passa a ser uma estratégia de negócio.

 

Companhia de Estágios
www.ciadeestagios.com.br


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