Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome se desenvolve de forma gradual e está diretamente ligada ao estresse crônico no trabalho
Frequentemente
presente nas discussões sobre saúde mental, o burnout não surge de forma
repentina. Trata-se de uma síndrome relacionada ao trabalho, resultado de um
estresse crônico não gerenciado, que se instala aos poucos enquanto corpo e
mente dão sinais progressivos de sobrecarga.
Reconhecido
pela Organização Mundial da Saúde como um fenômeno ocupacional, o burnout
reforça uma mudança importante de perspectiva, ao passo que não se trata de uma
fragilidade individual, mas de uma resposta a contextos profissionais
exigentes, muitas vezes marcados por pressão constante, excesso de demandas e
falta de pausas adequadas.
Pensando
nisso, a Dra. Cibele Pejan, psicóloga do dr.consulta, destaca abaixo como o burnout pode se
manifestar. Confira:
Sintomas: os primeiros
indícios costumam ser sutis e, frequentemente, ignorados no dia a dia. O corpo,
em geral, é o primeiro a reagir. Cansaço persistente, dificuldades para dormir,
dores musculares e de cabeça, além de alterações no apetite, podem indicar que
o organismo está sob estresse contínuo.
"Com o tempo, os impactos também se tornam
emocionais e cognitivos. Sensação de exaustão, dificuldade de concentração,
irritabilidade, queda na motivação e distanciamento das atividades
profissionais são sinais comuns. Em paralelo, mudanças no comportamento no
trabalho, como redução de produtividade, atrasos ou desinteresse, começam a
aparecer. Vale destacar que embora esses sintomas não sejam exclusivos do
burnout, o conjunto deles pode indicar um quadro de esgotamento em
desenvolvimento”, afirma Pejan.
Consequências: mais
do que um estado de fadiga, o burnout pode trazer consequências amplas para a
saúde. Estudos apontam associação com alterações metabólicas, aumento de
marcadores inflamatórios e maior risco de condições como ansiedade e depressão.
Por isso, reconhecer os sinais precocemente é fundamental para reduzir o risco
de agravamento do quadro.
Manifestações:
apesar de se
manifestar no indivíduo, o burnout está diretamente relacionado às condições de
trabalho. Ambientes com alta pressão, jornadas prolongadas, sobrecarga de
tarefas e pouca previsibilidade favorecem o desenvolvimento da síndrome.
Tratamento: ao perceber sinais de sobrecarga, o primeiro passo é reconhecer padrões e abrir espaço para ajustes. Rever a rotina de sono, reorganizar demandas, buscar apoio profissional e dialogar sobre dificuldades no ambiente de trabalho são medidas que podem contribuir para o equilíbrio.
“Mais do que
uma resposta pontual, o cuidado com a saúde mental deve ser contínuo. Em um
cenário de rotinas aceleradas, respeitar os sinais do corpo e da mente deixa de
ser um luxo e passa a ser uma necessidade. É fundamental adotar uma rotina mais
sustentável e consciente, que preserve o bem-estar e sustente relações,
produtividade e a capacidade de enfrentar desafios de forma mais equilibrada”,
destaca Cibele.
Hormônios não explicam tudo: estudo clínico revela que ambiente molda comportamento adolescente
A endocrinologista Dra. Angela Maria Spinola e Castro, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), desafiou uma plateia em recente congresso pediátrico com uma provocação: e se o "comportamento adolescente" – rebeldia, vaidade, gírias – não fosse obra exclusiva dos hormônios da puberdade, mas sim do ambiente familiar e social?
Em sua apresentação "Puberdade e Comportamento", Dra. Spinola apresentou dois casos clínicos irrefutáveis de meninas de 8 anos. No primeiro, a puberdade precoce estava confirmada pelos exames, mas a meninas tinha traços infantilizados: dependência materna extrema, usava mamadeira aos 9 anos de idade e apresentava zero confronto ou vaidade. No segundo caso, os exames clínicos não indicavam qualquer sinal hormonal de puberdade na menina, mas ela demonstrava comportamento típico da adolescência: confrontos com adultos, comportamento similar ao da irmã de 14 anos, uso de gírias, posturas de "mais velha" e rejeição de coleguinhas da idade.
"Os hormônios abrem janelas neurobiológicas, mas o ambiente constrói a identidade", afirmou Dra. Angela. Seus achados desafiam o senso comum e explicam por que tratamentos para puberdade precoce podem frear desenvolvimento puberal, mas não desfazem a rebeldia já instalada por redes sociais, comportamentos espelhados em irmãos mais velhos ou expectativas familiares.
Quatro observações importantes emergem do estudo clínico apresentado: (1) é preciso que médicos e pais façam uma dissociação entre a puberdade hormonal e o comportamento; (2) o ambiente influencia o comportamento ‘de adolescente’, mesmo sem hormônios envolvidos; (3) existe uma superestimação hormonal popular, ou seja, ‘tudo vira culpa dos hormônios’; (4) a orientação familiar é essencial em cada caso.
"Tratar hormônios é necessário, mas sintonizar o comportamento ao ambiente, é indispensável", conclui Dra. Spinola.
SBEM-SP - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo
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