Em pessoas com diabetes, a periodontite costuma ser mais grave, vai a necessidade de acompanhamento constante
No dia 12 de maio é celebrado o Dia Mundial da Saúde Gengival, um dia para
profissionais de saúde, pacientes e a sociedade voltarem o olhar para um
aspecto importante no cuidado integral: a saúde da gengiva. Para as pessoas que
vivem com diabetes, essa data tem um significado ainda mais importante.
A relação entre saúde
gengival e diabetes já é amplamente documentada na literatura científica. A
periodontite — inflamação crônica dos tecidos que sustentam os dentes — é mais
prevalente, mais grave e de mais difícil manejo em pessoas com diabetes do que
em pessoas sem diabetes. Ao mesmo tempo, a presença dessa doença gengival compromete
o alcance da meta glicêmica em pessoas com diabetes e aumenta o risco de
complicações do diabetes. Trata-se de uma via de mão dupla, e compreendê-la é
fundamental para o cuidado multidisciplinar de qualidade das pessoas com
diabetes.
Periodontite: uma
condição subdiagnosticada e de alto impacto
A periodontite é uma das
doenças crônicas mais comuns no mundo, acometendo grande parte da população
adulta — e, em muitos casos, sem que a pessoa saiba que a possui. Sua natureza
silenciosa, com sintomas que frequentemente passam despercebidos nas fases
iniciais, faz dela uma condição cronicamente subdiagnosticada.
Nas pessoas com
diabetes, o quadro é ainda mais preocupante. A periodontite tende a ser mais
grave, com maior destruição dos tecidos periodontais e risco significativamente
mais elevado de perda dentária do que em indivíduos sem diabetes.
Pessoas com diabetes e
periodontite apresentam risco aumentado para retinopatia, nefropatia e eventos
cardiovasculares quando comparadas àquelas sem periodontite — evidência que
reforça a necessidade de um olhar integrado para a saúde gengival no manejo do
diabetes.
CITED 2026: saúde
gengival no Simpósio Diabetes e Coração
No CITED — Congresso de
Inovação, Tecnologia e Estratégias em Diabetes, realizado de 6 a 8 de maio em
Salvador —, durante o Simpósio Diabetes e Coração, a professora Mariana
Fogacci, membro do Departamento de Saúde Bucal da SBD, ministrou a palestra "Rastreio
precoce de condições cardiometabólicas no cuidado odontológico do paciente com
diabetes" — uma apresentação que evidenciou, com embasamento científico
robusto, como o consultório odontológico deve ser um ponto estratégico de
detecção e monitoramento de riscos cardiometabólicos.
A palestra trouxe à
discussão as recomendações de diferentes consensos internacionais e nacionais
que já reconhecem formalmente a saúde gengival como componente do manejo do
diabetes e das condições cardiovasculares.
Uma mensagem se torna
cada vez mais clara: o dentista precisa ocupar seu lugar na equipe
multiprofissional que cuida de pessoas com diabetes. Isso significa mais do que
tratar problemas bucais quando eles aparecem — significa fazer do exame
periodontal uma etapa rotineira de toda consulta odontológica, especialmente
para pessoas com diabetes.
A avaliação da condição
periodontal deve ser sistemática, padronizada e documentada. Identificar
precocemente sinais de doença gengival — sangramento à sondagem, perda de inserção,
profundidade de bolsa aumentada — permite intervenções mais eficazes e com
maior impacto tanto na saúde bucal quanto no cuidado como um todo do paciente.
Da mesma forma, médicos endocrinologistas, diabetologistas, cardiologistas e demais profissionais da equipe multidisciplinar que acompanham pessoas com diabetes têm papel fundamental ao orientar e incentivar seus pacientes a manterem acompanhamento odontológico regular, com atenção especial à saúde periodontal.
O Dia Mundial da Saúde Gengival é uma oportunidade valiosa para ampliar essa consciência — entre profissionais de saúde e entre as próprias pessoas com diabetes. Cuidar da gengiva: é parte essencial do cuidado com a saúde.
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