Caderno de Políticas Públicas 2026 defende diretriz nacional para uso pedagógico da inteligência artificial e aponta conectividade, formação docente e governança de dados como gargalos
Enquanto o Conselho Nacional de Educação (CNE) avança nas diretrizes para o uso de inteligência artificial em escolas, um estudo do Livres, organização da sociedade civil que promove soluções liberais para o Brasil, aponta que a tecnologia já chegou aos estudantes antes de encontrar estrutura nas redes de ensino. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, 65% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos já usam ferramentas de IA generativa para estudar, buscar informações ou criar conteúdo.
No Caderno de Políticas Públicas 2026, o Livres aponta que esse avanço encontra gargalos estruturais nas redes de ensino. O material mostra que a infraestrutura das redes estaduais segue insuficiente, pois apenas 46% das escolas possuem laboratório de informática e 46,9% contam com laboratório de ciências.
O parecer aprovado pelo CNE prevê parâmetros para o uso da IA na educação básica e superior, com classificação de riscos, supervisão humana e restrições a aplicações consideradas inadequadas para o ambiente escolar. O texto ainda deve passar por consulta pública antes de novas etapas no Conselho e eventual homologação pelo Ministério da Educação.
Para o Livres, a norma cria parâmetros importantes, mas sua aplicação dependerá da capacidade das redes de preparar professores, proteger dados dos estudantes e garantir condições mínimas de uso da tecnologia nas escolas públicas.
“O CNE acerta ao tratar a IA como tema de política educacional,
não como escolha isolada de cada escola. Mas a regra só funciona se a rede
tiver professor preparado, internet estável, equipamento e critério pedagógico.
Sem isso, a tecnologia tende a aumentar a distância entre quem já tem estrutura
e quem ainda não tem o básico” afirma André Portela, professor titular de
Políticas Públicas da FGV EESP, diretor do FGV EESP CLEAR, centro dedicado à
avaliação de políticas públicas, e conselheiro acadêmico do Livres.
O que o estudo propõe
O Caderno de Políticas Públicas 2026,
do Livres, propõe uma diretriz nacional para o uso pedagógico da inteligência
artificial nas redes de ensino, com foco em aprendizagem, segurança e redução
de desigualdades. Entre os pontos defendidos estão:
- criação de diretrizes nacionais para o uso pedagógico,
administrativo e avaliativo da IA nas redes de ensino;
- formação específica para professores, com protocolos de
segurança e critérios claros para adoção de
plataformas educacionais;
- uso da tecnologia para apoiar diagnóstico de aprendizagem,
personalização de trajetórias e acompanhamento contínuo dos estudantes;
- definição de padrões de transparência, proteção de dados,
avaliação de impacto e preservação da autonomia docente;
- ampliação da conectividade nas escolas, com internet de alta
velocidade, equipamentos digitais e suporte técnico, especialmente em
áreas rurais e periferias urbanas;
- adoção orientada e segura da IA, evitando uso desigual, pouco
monitorado e sem integração ao processo de aprendizagem.
Magno Karl, cientista político e diretor executivo do Livres, declara que a falta de diretrizes claras pode fazer com que a IA aprofunde problemas já existentes na educação pública. “Redes com maior capacidade tecnológica tendem a incorporar ferramentas mais rapidamente, enquanto escolas com baixa conectividade, poucos equipamentos e ausência de formação docente podem ficar ainda mais distantes do uso pedagógico da tecnologia”.
Além da diretriz para inteligência artificial, o Caderno de
Políticas Públicas 2026 reúne propostas para modernizar a educação, incluindo
formação continuada de professores, boas práticas em gestão escolar, letramento
digital e uso de dados para acompanhar desempenho e reduzir defasagens de
aprendizagem.
Sobre
o Caderno de Políticas Públicas
O
Caderno de Políticas Públicas 2026 reúne mais de 170 propostas para os âmbitos
federal e estadual, com foco em segurança, economia, educação e modernização do
Estado. Elaborado com apoio de especialistas e lideranças, o material busca
subsidiar gestores públicos com soluções viáveis e orientadas a resultados.
Livres
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