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quarta-feira, 13 de maio de 2026

IA já chegou aos alunos, mas escolas ainda não têm estrutura para aplicar diretrizes do CNE, aponta estudo

Caderno de Políticas Públicas 2026 defende diretriz nacional para uso pedagógico da inteligência artificial e aponta conectividade, formação docente e governança de dados como gargalos

 

Enquanto o Conselho Nacional de Educação (CNE) avança nas diretrizes para o uso de inteligência artificial em escolas, um estudo do Livres, organização da sociedade civil que promove soluções liberais para o Brasil, aponta que a tecnologia já chegou aos estudantes antes de encontrar estrutura nas redes de ensino. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, 65% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos já usam ferramentas de IA generativa para estudar, buscar informações ou criar conteúdo. 

No Caderno de Políticas Públicas 2026, o Livres aponta que esse avanço encontra gargalos estruturais nas redes de ensino. O material mostra que a infraestrutura das redes estaduais segue insuficiente, pois apenas 46% das escolas possuem laboratório de informática e 46,9% contam com laboratório de ciências. 

O parecer aprovado pelo CNE prevê parâmetros para o uso da IA na educação básica e superior, com classificação de riscos, supervisão humana e restrições a aplicações consideradas inadequadas para o ambiente escolar. O texto ainda deve passar por consulta pública antes de novas etapas no Conselho e eventual homologação pelo Ministério da Educação. 

Para o Livres, a norma cria parâmetros importantes, mas sua aplicação dependerá da capacidade das redes de preparar professores, proteger dados dos estudantes e garantir condições mínimas de uso da tecnologia nas escolas públicas. 

“O CNE acerta ao tratar a IA como tema de política educacional, não como escolha isolada de cada escola. Mas a regra só funciona se a rede tiver professor preparado, internet estável, equipamento e critério pedagógico. Sem isso, a tecnologia tende a aumentar a distância entre quem já tem estrutura e quem ainda não tem o básico” afirma André Portela, professor titular de Políticas Públicas da FGV EESP, diretor do FGV EESP CLEAR, centro dedicado à avaliação de políticas públicas, e conselheiro acadêmico do Livres.

 

O que o estudo propõe

O Caderno de Políticas Públicas 2026, do Livres, propõe uma diretriz nacional para o uso pedagógico da inteligência artificial nas redes de ensino, com foco em aprendizagem, segurança e redução de desigualdades. Entre os pontos defendidos estão:

  • criação de diretrizes nacionais para o uso pedagógico, administrativo e avaliativo da IA nas redes de ensino;
  • formação específica para professores, com protocolos de segurança e critérios claros para adoção de plataformas educacionais;
  • uso da tecnologia para apoiar diagnóstico de aprendizagem, personalização de trajetórias e acompanhamento contínuo dos estudantes;
  • definição de padrões de transparência, proteção de dados, avaliação de impacto e preservação da autonomia docente;
  • ampliação da conectividade nas escolas, com internet de alta velocidade, equipamentos digitais e suporte técnico, especialmente em áreas rurais e periferias urbanas;
  • adoção orientada e segura da IA, evitando uso desigual, pouco monitorado e sem integração ao processo de aprendizagem.

Magno Karl, cientista político e diretor executivo do Livres, declara que a falta de diretrizes claras pode fazer com que a IA aprofunde problemas já existentes na educação pública. “Redes com maior capacidade tecnológica tendem a incorporar ferramentas mais rapidamente, enquanto escolas com baixa conectividade, poucos equipamentos e ausência de formação docente podem ficar ainda mais distantes do uso pedagógico da tecnologia”. 

Além da diretriz para inteligência artificial, o Caderno de Políticas Públicas 2026 reúne propostas para modernizar a educação, incluindo formação continuada de professores, boas práticas em gestão escolar, letramento digital e uso de dados para acompanhar desempenho e reduzir defasagens de aprendizagem.

 

Sobre o Caderno de Políticas Públicas

O Caderno de Políticas Públicas 2026 reúne mais de 170 propostas para os âmbitos federal e estadual, com foco em segurança, economia, educação e modernização do Estado. Elaborado com apoio de especialistas e lideranças, o material busca subsidiar gestores públicos com soluções viáveis e orientadas a resultados.
 

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