Circulação antecipada de cepas mais agressivas da influenza e baixa percepção sobre a gravidade da
doença preocupam o especialista; vacinação segue como principal forma de
prevenção 
Foto gerada por Inteligência Artificial.
Divulgação
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O aumento das internações por gripe no Brasil em 2026 tem chamado atenção de especialistas e reforçado o alerta para a importância da vacinação contra a influenza. Dados recentes do Ministério da Saúde apontam crescimento nos casos graves e nas hospitalizações relacionadas ao vírus, cenário associado à circulação antecipada de cepas mais agressivas da doença. |
Segundo Natan Chehter, geriatra e professor do curso de Medicina da Unicid, a intensidade das temporadas de gripe varia de acordo com os tipos de vírus influenza em circulação. “Quando falamos de influenza, estamos falando de vários vírus diferentes. Alguns subtipos, como determinados H3N2 e H1N1, têm comportamento mais agressivo e estão associados a quadros mais graves e maior número de hospitalizações”, explica.
O especialista afirma que o comportamento observado neste ano pode estar relacionado a mudanças nas características do vírus. “Existe a possibilidade de mutações que favoreçam a circulação mais precoce ou aumentem a capacidade de transmissão. Isso acontece porque os vírus sofrem alterações constantes, o que também impacta a eficácia das vacinas”, diz.
Chehter explica que a formulação da vacina contra gripe é definida com base nos vírus que circularam recentemente no hemisfério norte. “As vacinas incorporam os tipos de influenza que tiveram maior circulação no inverno do hemisfério norte (quando ainda é verão no Brasil), mas eventualmente os vírus que predominam aqui podem apresentar diferenças”, afirma.
Embora muitas pessoas associem a gripe a um quadro leve, o médico reforça que a influenza pode evoluir para complicações importantes. “O objetivo da vacina não é necessariamente impedir a infecção, mas reduzir o risco de formas graves, internações, necessidade de UTI e morte”, destaca.
Entre os principais riscos estão insuficiência respiratória, necessidade de suporte ventilatório e infecções secundárias, como pneumonias bacterianas. “A influenza pode comprometer o sistema imune e deixar o organismo mais vulnerável a outras infecções, especialmente pulmonares”, explica o médico.
O professor ressalta que idosos, crianças, imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas continuam sendo os grupos mais vulneráveis. Ainda assim, pessoas sem comorbidades também podem evoluir para quadros graves em determinadas situações. “Sono inadequado, alimentação ruim, estresse e outras condições que debilitam o organismo podem impactar a resposta imunológica mesmo em pessoas consideradas saudáveis”, afirma.
Entre os sinais de alerta estão dificuldade para respirar, queda da saturação de oxigênio, febre persistente, cansaço intenso e dificuldade para se alimentar. “Quando o esforço respiratório aumenta muito ou há sinais de exaustão, é fundamental procurar atendimento médico rapidamente”, alerta.
Além da vacinação, medidas de prevenção continuam sendo recomendadas, especialmente durante períodos de maior circulação viral. “A lógica é parecida com a que aprendemos durante a pandemia de Covid-19: higienizar as mãos, usar máscara quando estiver com sintomas respiratórios, evitar ambientes fechados e cuidar da saúde de forma geral”, orienta.
Para o
especialista, hábitos básicos seguem sendo essenciais para fortalecer o
organismo. “O sistema imune é reflexo da saúde como um todo. Alimentação
adequada, sono de qualidade e atividade física têm impacto direto na capacidade
do corpo de responder às infecções”, conclui ele.
Universidade
Cidade de São Paulo – Unicid
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