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terça-feira, 12 de maio de 2026

“WhatsAppite”: Uso excessivo de celular pode causar tendinite e outras lesões



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Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM) alerta para os problemas provocadas pelos movimentos repetitivos durante o uso prolongado desses aparelhos 

 

Para muitas pessoas, o celular já funciona como uma extensão do próprio corpo. Seja para trabalhar, responder mensagens, assistir a vídeos ou passar horas nas redes sociais, o uso constante do celular e outros dispositivos intensificou os movimentos repetitivos das mãos e, como consequência, têm se tornado mais frequentes os casos de dores, desconfortos e lesões por sobrecarga, como a chamada “WhatsAppite” termo coloquial, surgido por volta de 2014, usado para descrever a tendinite causada pelo uso excessivo e repetitivo do smartphone, particularmente ao digitar mensagens no WhatsApp. 

A nomenclatura foi dada pela médica espanhola Inés Fernandez-Guerrero em um trabalho publicado no jornal científico “The Lancet”, ao relatar o diagnóstico de uma mulher que “respondeu a mensagens que lhe foram enviadas em seu smartphone pelo aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp. Ela segurou o celular, que pesava 130 g, por pelo menos 6 horas. Durante esse período, ela fez movimentos contínuos com ambos os polegares para enviar mensagens”. 

A rizartrose —um tipo de artrose que afeta a articulação da base do polegar, é outra situação, que pode causar dor, desgaste, rigidez e limitações de movimento. 

A digitação no celular, inclusive, é feita usando o polegar, principal dedo das mãos e que, sem ele, esses membros perdem praticamente 50% da sua função. Dependendo da atividade laboral da pessoa, se ela perder o polegar, perde também 100% da função da mão. O polegar possui uma articulação na base naturalmente mais vulnerável em comparação aos demais dedos, com maior predisposição à instabilidade e ao desgaste ao longo do tempo. Por isso, movimentos repetitivos e de alta frequência, como os realizados durante a digitação rápida no celular, podem gerar sobrecarga nessa região”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Dr. Roberto Luiz Sobania. 

Muitas vezes ignorados no início, sintomas como dor, formigamento e dificuldade para segurar objetos podem indicar que o uso excessivo do aparelho já está afetando a saúde das mãos. 

O presidente da SBCM explica que os sintomas costumam surgir de forma gradual e, no início, podem parecer apenas um desconforto passageiro. “Com o tempo, a dor pode se intensificar e dificultar movimentos simples, principalmente após longos períodos usando o aparelho. Também é comum sentir rigidez, sensibilidade na região dos punhos e dos dedos, além de perda de força para realizar tarefas do cotidiano”, fala. 

Diante desses sinais, o ortopedista ressalta que é importante prestar atenção aos sintomas antes que o quadro se agrave. “Quando os sintomas passam a ser frequentes ou começam a limitar movimentos simples, é fundamental procurar avaliação especializada”, alerta. 

Algumas medidas simples no dia a dia podem ajudar a reduzir o impacto do uso excessivo do celular nas mãos. Fazer pausas ao longo do uso, evitar passar muitas horas seguidas segurando o aparelho, alternar as posições das mãos e manter uma postura mais confortável durante a digitação estão entre os principais cuidados. Além disso, exercícios de alongamento e descanso da musculatura também podem ajudar a prevenir sobrecargas e aliviar tensões causadas pelos movimentos repetitivos. 

“Quanto mais cedo o paciente procurar avaliação médica, maiores são as chances de controlar o quadro sem que a lesão avance. Mudar alguns hábitos na rotina também é fundamental para evitar que as lesões se tornem recorrentes e afetem em atividades simples do dia a dia”, conclui.



SBCM - Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão
www.cirurgiadamao.org.br


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