Especialista
destaca que tratamento antirretroviral moderno permite que o vírus se torne
indetectável e intransmissível, transformando o diagnóstico em uma condição
crônica evitável e controlável
No
Dia Mundial de Conscientização sobre a Necessidade de uma Vacina contra o HIV,
especialistas reforçam que, embora o imunizante definitivo ainda seja um
desafio para a ciência, o cenário atual da doença é de controle e
esperança. O Brasil registrou um acumulado de 1.679.622 pessoas
vivendo com HIV ou AIDS desde 1980 e dispõe de um arsenal
tecnológico que permite não apenas prevenir novas infecções com alta eficácia,
mas também garantir que pessoas infectadas tenham uma vida plena,
longa e saudável.
Ao
contrário das primeiras décadas da epidemia, a medicina
oferece atualmente estratégias combinadas para frear a transmissão.
Além do uso de preservativos, ferramentas como
a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e a PEP (Profilaxia
Pós-Exposição) são fundamentais para grupos de maior vulnerabilidade ou em
situações de risco pontual.
Segundo
o infectologista do Grupo São Lucas de Ribeirão Preto,
Dr. Luis Felipe Visconde (CRM: 201275/RQE: 111506),
o diagnóstico precoce, realizado por meio de testes rápidos gratuitos ou
exames laboratoriais de quarta geração, é a porta de entrada para o tratamento
moderno. Atualmente, o tratamento evoluiu de coquetéis complexos para, em
muitos casos, um único comprimido diário com poucos efeitos colaterais.
"Iniciar
a terapia para impedir a replicação do vírus enquanto o sistema imunológico
está preservado reduz o risco de doenças graves e complicações a longo prazo.
Testar cedo e tratar cedo salva vidas e contribui para frear a epidemia",
afirma.
O vírus é
transmitido principalmente por três vias: sexual (relações vaginais, anais e –
bem mais raramente - orais sem preservativo com uma pessoa que vive com HIV e
não está com carga viral indetectável), sanguínea (p.ex: compartilhamento de
agulhas) e vertical (da mãe para o filho durante a gestação, o parto ou
amamentação quando não há acompanhamento médico adequado). A
transmissão não acontece por abraço, beijo no rosto, talheres, piscina ou
convivência social, mitos que alimentam o preconceito.
Nas
primeiras semanas após o contágio, parte das pessoas desenvolve a chamada fase
aguda, que se assemelha a uma gripe forte com sintomas como febre,
mal-estar, cansaço, dores no corpo, dor de garganta, dor de cabeça, aumento de
gânglios ("ínguas"), manchas na pele e diarreia. Esses sintomas
surgem tipicamente entre duas e quatro semanas após a exposição e duram poucos
dias. Por serem parecidos aos de muitas outras infecções comuns, o
diagnóstico pode passar despercebido nesse momento.
Após
essa fase inicial, o vírus entra em um período silencioso e continua
se multiplicando sem causar sinais evidentes, fazendo com que pessoas
infectadas possam viver normalmente, ou com sintomas
mínimos, por anos. Se o diagnóstico não for feito em tempo oportuno,
o vírus do HIV causa um esgotamento do sistema imunológico do indivíduo. Nessa
fase, a infecção passa a se apresentar como doença, deixando o paciente
vulnerável a infecções de maior gravidade. Esse estágio é conhecido como
Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS)
Um
dos maiores avanços na luta contra o estigma e a propagação do vírus é o
conceito de carga viral indetectável. Quando o paciente adere corretamente ao
tratamento, o vírus deixa de circular em níveis detectáveis no
sangue, o que interrompe a cadeia de transmissão.
"A indetectabilidade,
além de proteger a própria saúde do paciente, impede que o HIV seja transmitido
pela via sexual ou pelo parto. Com boa adesão, a expectativa de vida de quem
vive com HIV se aproxima muito da população geral, permitindo que a pessoa
estude, trabalhe e forme família normalmente", destaca
o infectologista.
O
desenvolvimento de uma vacina permanece como o objetivo máximo da infectologia.
O desafio reside na alta capacidade de mutação do HIV e em sua integração ao
DNA das células humanas. Contudo, pesquisas com novas tecnologias seguem ativas
com o potencial de serem transformadoras.
Uma
futura vacina teria como foco prioritário as populações que concentram o maior
número de novos casos, como jovens adultos e profissionais do sexo, funcionando
como uma camada extra de proteção que poderia levar à erradicação da doença.
"O
grande desafio hoje não é mais a falta de conhecimento científico, mas levar
esse conhecimento às pessoas, combater o preconceito e facilitar o acesso ao
teste e ao tratamento. Falar abertamente sobre HIV é fundamental para que as
próximas gerações vejam essa epidemia como algo finalmente
controlado", conclui.
Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP)
Nenhum comentário:
Postar um comentário