A frase do icônico escritor mineiro Guimarães Rosa que se completa com, “porém, são poucos os que conhecem as mil faces das Gerais”, reflete a complexidade sócio-cultural do estado mais central do Brasil. Nossa terra tem o peso e a responsabilidade de atuar como coração do país, conectando regiões com a malha viária mais extensa e problemática em 853 municípios e o terceiro lugar no PIB nacional, atrás apenas de RJ e SP. Minas é feita de mil faces recortadas em regiões distintas: o norte conectado com a cultura do nordeste através da Bahia, o Triângulo ligado fortemente ao agronegócio, o sul com forte influência de São Paulo e o leste do estado com forte influência carioca. Minas é complexa e isso já é sabido.
Sabemos também que só uma vez na
história das eleições presidenciais pelo voto direto, um presidente foi eleito
sem ganhar em Minas. Em 1945 Getúlio Vargas foi o segundo mais votado no estado
ao ser derrotado por Eduardo Gomes por uma diferença de 23 mil votos. Desta
maneira, o segundo colégio eleitoral do país é disputado ombro a ombro pelos
postulantes à Presidência e, certamente por isso, as disputas internas e
articulações nacionais se tornam tão intrincadas por aqui. Em mais um ano de
eleição nacional polarizada, Minas é dos poucos estados que não possui
representantes políticos nos dois extremos dessa divisão. Até aqui, nada de
novo.
Novo talvez seja o cenário analisado
pela pesquisa Genial/Quaest do dia 28/04 que apresenta uma lista indefinida,
composta por um pré-candidato assumido e já em pré-campanha, o governador em
exercício Mateus Simões do PSD. Ele é seguido por outros quatro pré-candidatos
não assumidos que no momento testam suas estratégias e discursos com a opinião
pública, tateando e medindo as forças que orbitam suas possíveis candidaturas e
estudando as alianças mais profícuas para esse pleito. Nessa dança se
manifestam principalmente Cleitinho-Republicanos, Rodrigo Pacheco-PSB,
Alexandre Kalil-PDT e Gabriel Azevedo-MDB. Todos cientes sobre isso, espero.
Cientes somos também de que o voto tem
um componente emocional crucial para sua decisão já que a esperança e a
segurança de um futuro melhor e estável são os principais componentes do que o
eleitor comum quer ouvir e acreditar. E completando o raciocínio como
iniciamos, citando Guimarães Rosa, fica a pergunta: “Todo amor não é uma
espécie de comparação?”. Eu respondo, com certeza, pois na política, como no
amor, é necessário mostrar vontade para efetuar a conquista. Não há como chegar
ao coração do eleitor sem se apresentar de verdade como merecedor desse voto de
confiança. Claro que existem momentos de flerte, existe o jogo da sedução. Mas
geralmente quem ganha é aquele que demonstra mais disposição, que se coloca
primeiro e mostra o seu querer de maneira clara e direta. Porque quando alguem
é muito cobiçado, não se deve esconder esse desejo além do tempo necessário.
Sob pena de receber, em casa, o convite do casamento...com o rival.

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