Promessas de legalização rápida, documentos irregulares e falsas consultorias estão entre os principais riscos enfrentados por imigrantes.
A Polícia Federal deflagrou na terça-feira (12) a
Operação Rota Paralela, com o objetivo de combater a migração ilegal de
brasileiros para os Estados Unidos. A investigação, conduzida pela Delegacia da
Polícia Federal em Governador Valadares, apura a atuação de um esquema que
utilizava rotas clandestinas pelo México para facilitar a entrada irregular de
brasileiros em território americano.
A operação ocorre poucos dias após outro caso de
grande repercussão envolvendo suspeitas de fraude migratória. A PF também
prendeu Maria Helena de Souza Costa, sogra do governador de Goiás, Daniel
Vilela (MDB), suspeita de participação em um esquema de imigração ilegal de
brasileiros para os Estados Unidos.
Nos EUA, outro episódio recente chamou atenção das
autoridades americanas. Brasileiros foram presos sob suspeita de integrar um
esquema de fraude ligado à empresa Legacy Imigra, investigada por suposta
manipulação de processos migratórios e extorsão de clientes. Segundo as investigações
conduzidas pelas autoridades do Condado de Orange, o grupo teria movimentado
mais de US$ 20 milhões, cerca de R$ 100 milhões.
Para a Dra. Larissa Salvador, advogada especialista
em imigração nos Estados Unidos, os casos refletem um aumento do foco das
autoridades americanas sobre fraudes migratórias e sobre os grupos que atuam
por trás desses esquemas. “Com certeza, com essa política mais rígida da
imigração nessa administração, tem tido mais foco na investigação desses casos
de fraude, e não somente nas pessoas que apresentam documentação fraudulenta,
mas também em quem está por trás disso tudo”, afirma.
Segundo a especialista, a atuação de coiotes e
redes clandestinas não é novidade, mas ganhou novas formas nos últimos
anos.“Coiotes existem há muito tempo. Hoje, o processo ficou mais caro e
surgiram empresas que vendem pacotes de viagem prometendo facilidades
migratórias. Muitas vezes, nem levam as pessoas até a travessia. Simplesmente
orientam que elas se entreguem na fronteira. Esse problema sempre existiu, mas
agora está tendo mais visibilidade”, explica.
Larissa alerta que muitos clientes envolvidos
nesses esquemas podem enfrentar consequências migratórias severas,
especialmente aqueles que tiveram processos protocolados sem base legal.“Para
essas pessoas que simplesmente protocolaram casos sem fundamento, elas
praticamente assinaram a própria ordem de deportação”, destaca.
A advogada explica que, além da possibilidade de
rejeição dos pedidos por juízes de imigração, até aprovações anteriores relacionadas
aos esquemas podem ser reavaliadas pelas autoridades americanas.Ela também
afirma que o endurecimento recente das políticas migratórias aumentou a
vulnerabilidade de estrangeiros em situação irregular, alimentando a procura
por soluções rápidas e, muitas vezes, ilegais.
“Todo mundo está desesperado. Todo mundo busca uma
forma de legalização, uma autorização de trabalho, uma carteira para dirigir. E
é justamente nesse cenário que muitas pessoas acabam sendo enganadas por falsas
promessas”, diz.
Segundo Larissa, o cenário atual é marcado pela
combinação entre desinformação e a disseminação de propagandas enganosas nas
redes sociais, que vendem supostos atalhos para obtenção de vistos e
regularização nos Estados Unidos.“A facilidade de acesso à informação também
abriu espaço para muita desinformação. Hoje existem anúncios e conteúdos nas
redes sociais prometendo soluções milagrosas para imigração, quando, na
prática, cada caso exige análise individual e estratégia jurídica adequada”,
afirma.
Diante desse cenário, a especialista recomenda que
os brasileiros procurem exclusivamente profissionais devidamente habilitados
para atuar com imigração nos Estados Unidos e desconfie de promessas fáceis ou
garantias de aprovação. “Procurem um advogado licenciado. A única pessoa
autorizada a oferecer orientação jurídica em imigração nos Estados Unidos é um
advogado devidamente habilitado. Ninguém mais”, conclui.

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