Advogada criminalista
alerta que ausência de suporte na gestação, pressões no trabalho e controle
financeiro podem ultrapassar o campo cível e gerar responsabilização
As mulheres brasileiras dedicam, em
média, 21,3 horas semanais aos cuidados com a casa e a família, quase o dobro
do tempo gasto pelos homens, que somam 11,7 horas, segundo a PNAD Contínua do
IBGE. O cenário impacta diretamente milhões de mães, especialmente em um país
onde quase metade dos lares, o equivalente a 36,6 milhões, é chefiada por
mulheres. Nesse contexto de sobrecarga e desigualdade, o descumprimento de leis
que garantem os direitos das mães ainda é uma realidade.
Para a advogada criminalista Élida
Franklin, o tema precisa ser tratado com mais atenção também sob a perspectiva jurídica.
“Existe um distanciamento entre o que a legislação assegura e o que, de fato, é
aplicado no dia a dia. Situações que parecem comuns muitas vezes já configuram
violações de direitos e exigem resposta legal”, afirma.
Segundo a advogada, a falta de informação
contribui para a naturalização desses cenários. “Quando não há clareza sobre os
próprios direitos, práticas abusivas acabam sendo toleradas. E isso mantém
muitas mulheres em contextos de vulnerabilidade”, explica.
Situações que exigem atenção
De acordo com a criminalista, alguns
comportamentos recorrentes podem indicar descumprimento da lei:
Ausência de suporte na gestação: O não pagamento dos "alimentos gravídicos" (ajuda
para exames, alimentação e medicamentos na gravidez) pode configurar abandono
material.
Barreiras no ambiente de trabalho: A estabilidade vai da confirmação da gravidez até cinco
meses após o parto. Coações para que a mulher peça demissão são práticas
ilícitas que retiram a segurança da família.
Controle e violência patrimonial: Impedir o acesso da mãe a recursos financeiros ou
documentos para cuidar dos filhos é crime previsto na Lei Maria da Penha.
Uso dos filhos como coerção: Ameaças que utilizam a guarda ou o bem-estar da criança
para controlar a mãe devem ser tratadas com rigor pela lei.
Como agir diante da violação
A orientação, segundo a Élida Franklin,
é buscar informação e apoio o quanto antes. “A atuação jurídica no momento
certo pode evitar o agravamento dessas situações. Muitas vezes, o que começa
como um descumprimento evolui para formas mais complexas de violência”,
destaca.
A recomendação é reunir provas, como
mensagens, registros de conversas e comprovantes de despesas, além de procurar
orientação jurídica e canais oficiais de atendimento.
Para a advogada, ampliar o debate é
essencial. “O Brasil possui uma das legislações mais avançadas do mundo no que
tange à proteção da maternidade, mas a prática revela um cenário preocupante de
descumprimento. O desafio está em garantir que esses direitos sejam
efetivamente cumpridos”, conclui.
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