Com
queda da umidade do ar e aumento das queixas oculares, especialista alerta que
o uso inadequado de colírios pode causar complicações e até agravar doenças
A chegada do outono no Brasil
marca não apenas a queda das temperaturas, mas também uma mudança importante na
saúde ocular da população. Com o ar mais seco, aumento da poluição e maior
exposição a ambientes fechados, cresce o número de pessoas com sintomas como ardência,
vermelhidão, coceira e sensação de areia nos olhos, sinais clássicos da
síndrome do olho seco.
Nesse cenário, o uso de
colírios se torna mais frequente. No entanto, o que muitos encaram como um
recurso simples pode representar riscos quando utilizado de forma inadequada.
“Colírio não é um produto inocente. Ele é um medicamento e, como qualquer
outro, precisa ser usado com critério”, explica o oftalmologista Dr. Hallim
Feres Neto, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e diretor da Clínica
Prisma Visão.
Diante do aumento da
automedicação e do uso contínuo durante os meses mais secos do ano, o
especialista elenca cinco cuidados essenciais para evitar complicações.
1-Validade não termina na embalagem
fechada
A data impressa na caixa considera o frasco lacrado. Depois de aberto, o tempo
de uso muda. Ignorar esse detalhe pode favorecer contaminações e reduzir a
eficácia do produto.
2. Colírio aberto tem prazo curto
Após a abertura, a maioria dos colírios deve ser descartada em 30 a 60 dias. “É
como um alimento: abriu, começa a contar um novo prazo”, explica o médico. O
uso fora desse período aumenta o risco de infecção ocular.
3. Higiene antes da aplicação é
indispensável
Lavar as mãos antes de manusear o frasco evita levar bactérias diretamente aos olhos.
A aplicação correta também faz diferença: uma única gota, no local adequado, já
é suficiente na maioria dos casos.
4. A ponta do frasco não pode tocar o olho
Encostar o aplicador nos olhos ou na pele pode contaminar o conteúdo. “Esse é
um erro comum e perigoso, principalmente em uso frequente”, alerta.
5. Colírio não se compartilha
Assim como escova de dentes, colírio é de uso individual. Micro-organismos
podem ser transmitidos com facilidade, aumentando o risco de conjuntivite e
outras infecções.
Lubrificante com ou sem conservante: qual
escolher?
Com o aumento do uso durante o
outono, surge uma dúvida comum. Segundo o especialista, colírios lubrificantes
tradicionais contêm conservantes para evitar contaminação. O problema é que, em
uso frequente, essas substâncias podem irritar a superfície ocular.
“Para quem precisa pingar
várias vezes ao dia, o ideal são versões sem conservantes, que vêm em
embalagens específicas que impedem a entrada de ar e micro-organismos”,
explica.
Outro ponto de atenção é o uso
indiscriminado de colírios medicamentosos. Anti-inflamatórios e outras classes,
quando usados sem orientação, podem levar a complicações como glaucoma e
catarata precoce.
Além disso, algumas
substâncias podem ter efeitos sistêmicos. “Existem colírios que podem causar
alterações como taquicardia e até impacto respiratório. Por isso, o
acompanhamento médico é fundamental”, reforça.
Com a tendência de
intensificação dos sintomas oculares nos próximos meses, a automedicação,
especialmente em períodos de clima seco, pode transformar um desconforto
simples em um problema de saúde mais sério. “Se o sintoma persiste, não é
normal. É sinal de que precisa ser investigado”, finaliza o oftalmologista
Dr. Hallim Feres Neto @drhallim - CRM-SP 117.127 | RQE 60732 - Oftalmologia Geral. Cirurgia Refrativa. Ceratocone. Catarata. Pterígio. Membro do CBO - Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Membro da ABCCR - Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa. Membro da ISRS - International Society of Refractive Surgery. Membro da AAO - American Academy of Ophthalmology
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