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terça-feira, 5 de maio de 2026

Outono eleva casos de olho seco e alerta para uso incorreto de colírios

Com queda da umidade do ar e aumento das queixas oculares, especialista alerta que o uso inadequado de colírios pode causar complicações e até agravar doenças

 

A chegada do outono no Brasil marca não apenas a queda das temperaturas, mas também uma mudança importante na saúde ocular da população. Com o ar mais seco, aumento da poluição e maior exposição a ambientes fechados, cresce o número de pessoas com sintomas como ardência, vermelhidão, coceira e sensação de areia nos olhos, sinais clássicos da síndrome do olho seco.

Nesse cenário, o uso de colírios se torna mais frequente. No entanto, o que muitos encaram como um recurso simples pode representar riscos quando utilizado de forma inadequada. “Colírio não é um produto inocente. Ele é um medicamento e, como qualquer outro, precisa ser usado com critério”, explica o oftalmologista Dr. Hallim Feres Neto, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e diretor da Clínica Prisma Visão.

Diante do aumento da automedicação e do uso contínuo durante os meses mais secos do ano, o especialista elenca cinco cuidados essenciais para evitar complicações.


1-Validade não termina na embalagem fechada
A data impressa na caixa considera o frasco lacrado. Depois de aberto, o tempo de uso muda. Ignorar esse detalhe pode favorecer contaminações e reduzir a eficácia do produto.


2. Colírio aberto tem prazo curto
Após a abertura, a maioria dos colírios deve ser descartada em 30 a 60 dias. “É como um alimento: abriu, começa a contar um novo prazo”, explica o médico. O uso fora desse período aumenta o risco de infecção ocular.


3. Higiene antes da aplicação é indispensável
Lavar as mãos antes de manusear o frasco evita levar bactérias diretamente aos olhos. A aplicação correta também faz diferença: uma única gota, no local adequado, já é suficiente na maioria dos casos.


4. A ponta do frasco não pode tocar o olho
Encostar o aplicador nos olhos ou na pele pode contaminar o conteúdo. “Esse é um erro comum e perigoso, principalmente em uso frequente”, alerta.


5. Colírio não se compartilha
Assim como escova de dentes, colírio é de uso individual. Micro-organismos podem ser transmitidos com facilidade, aumentando o risco de conjuntivite e outras infecções.


Lubrificante com ou sem conservante: qual escolher?

Com o aumento do uso durante o outono, surge uma dúvida comum. Segundo o especialista, colírios lubrificantes tradicionais contêm conservantes para evitar contaminação. O problema é que, em uso frequente, essas substâncias podem irritar a superfície ocular.

“Para quem precisa pingar várias vezes ao dia, o ideal são versões sem conservantes, que vêm em embalagens específicas que impedem a entrada de ar e micro-organismos”, explica.

Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado de colírios medicamentosos. Anti-inflamatórios e outras classes, quando usados sem orientação, podem levar a complicações como glaucoma e catarata precoce.

Além disso, algumas substâncias podem ter efeitos sistêmicos. “Existem colírios que podem causar alterações como taquicardia e até impacto respiratório. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental”, reforça.

Com a tendência de intensificação dos sintomas oculares nos próximos meses, a automedicação, especialmente em períodos de clima seco, pode transformar um desconforto simples em um problema de saúde mais sério. “Se o sintoma persiste, não é normal. É sinal de que precisa ser investigado”, finaliza o oftalmologista

 


Dr. Hallim Feres Neto @drhallim - CRM-SP 117.127 | RQE 60732 - Oftalmologia Geral. Cirurgia Refrativa. Ceratocone. Catarata. Pterígio. Membro do CBO - Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Membro da ABCCR - Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa. Membro da ISRS - International Society of Refractive Surgery. Membro da AAO - American Academy of Ophthalmology

 

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