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terça-feira, 5 de maio de 2026

Endometriose: dor invisível afeta 1 em cada 10 brasileiras

Dia Internacional de Luta contra a Endometriose (7 de maio) chama atenção para sintomas ignorados e impacto da dor na rotina de 7 milhões de mulheres no país


Pelo menos 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva no Brasil convive com endometriose, o equivalente a aproximadamente 7 milhões de brasileiras. Apesar da alta prevalência, o diagnóstico ainda pode levar de seis a dez anos, período em que muitas pacientes enfrentam dor intensa, alterações na rotina e impactos na saúde emocional.

O alerta ganha força neste 7 de maio (quinta-feira), Dia Internacional de Luta contra a Endometriose, que busca ampliar a conscientização sobre a doença e incentivar o reconhecimento precoce dos sintomas.

Além da dor pélvica crônica, a endometriose pode causar dor durante a relação sexual, alterações intestinais e urinárias e está associada a 30% a 50% dos casos de infertilidade feminina. Mesmo assim, muitas mulheres demoram a procurar ajuda ou têm suas queixas minimizadas.

Segundo a fisioterapeuta pélvica Josiane Pavão, especialista em dor, o impacto da doença vai além do sistema reprodutivo. “A dor crônica não tratada desorganiza o corpo e o cérebro. Ela altera o funcionamento da musculatura e impacta diretamente o estado emocional da mulher”, explica.

 

Sintomas que não devem ser ignorados

A especialista da Clínica Daniella Leiros, em Ribeirão Preto (SP), alerta que alguns sinais são frequentemente tratados como “normais”, mas podem indicar a presença da doença: cólica menstrual intensa e incapacitante, dor durante a relação sexual, dor pélvica persistente, alterações intestinais ou urinárias no período menstrual e dificuldade para engravidar.

Mesmo quando exames não identificam alterações claras, a dor relatada pela paciente deve ser considerada.

 

Dor invisível e impacto emocional

Estudos apontam que mulheres com endometriose apresentam maior incidência de ansiedade, depressão e hipervigilância corporal, mantendo o corpo em estado constante de alerta. Esse mecanismo pode perpetuar o ciclo de dor, mesmo quando a doença está sob controle clínico.

Para a psicóloga Juliana Gontijo, um dos maiores desafios é a validação do sofrimento.

“Quando exames não confirmam a causa da dor, muitas mulheres passam a duvidar de si mesmas. Isso gera culpa, medo e isolamento. Validar essa dor é parte essencial do cuidado”, afirma.

 

Tratamento exige abordagem integrada

Diante desse cenário, as especialistas defendem um cuidado que vá além do tratamento medicamentoso, considerando os impactos físicos e emocionais da doença.

A fisioterapia pélvica tem papel importante nesse processo, atuando na redução da tensão muscular, melhora da mobilidade e reeducação da respiração, ajudando a interromper o ciclo de dor e contração.

“O tratamento ajuda o corpo a sair desse estado de defesa constante e a recuperar funcionalidade e qualidade de vida”, destaca Josiane Pavão.

 

Informação como ferramenta de diagnóstico precoce

O principal alerta das especialistas é que sentir dor não deve ser considerado normal, especialmente quando interfere na rotina.

O reconhecimento precoce dos sintomas e o acesso a acompanhamento especializado podem reduzir o tempo de diagnóstico, evitar a cronificação da dor e melhorar significativamente a qualidade de vida das mulheres.

 

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