Dia Internacional de Luta contra a Endometriose (7 de maio) chama atenção para sintomas ignorados e impacto da dor na rotina de 7 milhões de mulheres no país
Pelo menos 1 em cada 10 mulheres em idade
reprodutiva no Brasil convive com endometriose, o equivalente a aproximadamente
7 milhões de brasileiras. Apesar da alta prevalência, o diagnóstico ainda pode
levar de seis a dez anos, período em que muitas pacientes enfrentam dor
intensa, alterações na rotina e impactos na saúde emocional.
O alerta ganha força neste 7 de maio (quinta-feira),
Dia Internacional de Luta contra a Endometriose, que busca ampliar a
conscientização sobre a doença e incentivar o reconhecimento precoce dos
sintomas.
Além da dor pélvica crônica, a endometriose pode
causar dor durante a relação sexual, alterações intestinais e urinárias e está
associada a 30% a 50% dos casos de infertilidade feminina. Mesmo assim, muitas
mulheres demoram a procurar ajuda ou têm suas queixas minimizadas.
Segundo a fisioterapeuta pélvica Josiane Pavão,
especialista em dor, o impacto da doença vai além do sistema reprodutivo. “A
dor crônica não tratada desorganiza o corpo e o cérebro. Ela altera o
funcionamento da musculatura e impacta diretamente o estado emocional da
mulher”, explica.
Sintomas que não devem ser
ignorados
A especialista da Clínica Daniella Leiros, em
Ribeirão Preto (SP), alerta que alguns sinais são frequentemente tratados como
“normais”, mas podem indicar a presença da doença: cólica menstrual intensa e
incapacitante, dor durante a relação sexual, dor pélvica persistente, alterações
intestinais ou urinárias no período menstrual e dificuldade para engravidar.
Mesmo quando exames não identificam alterações
claras, a dor relatada pela paciente deve ser considerada.
Dor invisível e impacto
emocional
Estudos apontam que mulheres com endometriose
apresentam maior incidência de ansiedade, depressão e hipervigilância corporal,
mantendo o corpo em estado constante de alerta. Esse mecanismo pode perpetuar o
ciclo de dor, mesmo quando a doença está sob controle clínico.
Para a psicóloga Juliana Gontijo, um dos maiores
desafios é a validação do sofrimento.
“Quando exames não confirmam a causa da dor, muitas
mulheres passam a duvidar de si mesmas. Isso gera culpa, medo e isolamento.
Validar essa dor é parte essencial do cuidado”, afirma.
Tratamento exige abordagem
integrada
Diante desse cenário, as especialistas defendem um
cuidado que vá além do tratamento medicamentoso, considerando os impactos
físicos e emocionais da doença.
A fisioterapia pélvica tem papel importante nesse
processo, atuando na redução da tensão muscular, melhora da mobilidade e
reeducação da respiração, ajudando a interromper o ciclo de dor e contração.
“O tratamento ajuda o corpo a sair desse estado de
defesa constante e a recuperar funcionalidade e qualidade de vida”, destaca
Josiane Pavão.
Informação como ferramenta de
diagnóstico precoce
O principal alerta das especialistas é que sentir
dor não deve ser considerado normal, especialmente quando interfere na rotina.
O reconhecimento precoce dos sintomas e o acesso a
acompanhamento especializado podem reduzir o tempo de diagnóstico, evitar a
cronificação da dor e melhorar significativamente a qualidade de vida das
mulheres.

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