A reta final da declaração do Imposto de Renda já começou e o prazo está mais apertado do que muitos imaginam. A entrega se encerra no próximo dia 29 de maio e milhões de brasileiros ainda não enviaram seus dados à Receita Federal.
Até o momento, mais de 19 milhões de
declarações já foram entregues em todo o país, mas o número ainda está abaixo
do esperado para o período. Especialistas alertam que deixar para a última hora
pode aumentar o risco de erros, além de dificuldades técnicas causadas pelo
alto volume de acessos próximos ao fim do prazo.
Com o encerramento se aproximando, a
recomendação é clara: não há mais tanto tempo quanto parece. A reta final exige
atenção redobrada dos contribuintes, tanto para evitar inconsistências quanto
para garantir o envio dentro do prazo.
A declaração de Imposto de Renda é
uma certeza na vida de milhões de brasileiros, mas há detalhes nesse processo
que podem passar despercebidos até mesmo pelos mais atentos. André Charone,
contador, tributarista e mestre em negócios internacionais, professor
universitário e autor do livro "Declaração de Imposto de Renda: Dicas e
Truques que o Leão Não Quer Que Você Saiba", esclarece alguns desses
pontos menos óbvios. Veja abaixo cinco aspectos do imposto de renda que
raramente são discutidos:
1. Erros podem ser corrigidos sem
pânico:
André Charone ressalta que um dos
maiores medos dos contribuintes é cometer erros na declaração. No entanto, ele
tranquiliza: "Se você cometeu um erro, pode enviar uma declaração
retificadora sem necessidade de pagar multas, desde que faça isso antes de ser
notificado para uma auditoria." Isso mostra a flexibilidade do sistema em
permitir correções. No entanto, o contador ressalta que o contribuinte deve
ficar atento para corrigir as inconsistências antes de receber a notificação da
Receita Federal. “Caso contrário, não será possível mais realizar a
retificação”, destaca Charone.
2. Pode ser bom declarar mesmo que
você não esteja obrigado:
O contador destaca um aspecto muitas
vezes ignorado sobre a declaração do imposto de renda: os benefícios de
declarar mesmo quando não se é obrigado. Muitos contribuintes assumem que, se
não atingem o limite de renda que torna a declaração obrigatória, não há
vantagens em preenchê-la. No entanto, existem situações em que declarar pode
ser extremamente benéfico.
"Por exemplo, pessoas que
tiveram imposto retido na fonte e não são obrigadas a declarar podem receber
uma restituição se optarem por enviar a declaração", explica Charone. Além
disso, realizar a declaração voluntariamente pode facilitar a obtenção de
vistos para viagens internacionais ou a aprovação de financiamentos e
empréstimos, já que muitas instituições financeiras e consulados pedem o
comprovante de declaração de renda como prova de rendimentos.
3. Declarações em conjunto podem ser
benéficas (ou não):
Casais têm a opção de fazer a
declaração conjuntamente ou separadamente, e a escolha entre uma e outra pode
impactar significativamente o valor a pagar ou a restituir. André destaca que
"em muitos casos, a declaração conjunta pode ser mais benéfica, dependendo
das rendas e das deduções envolvidas". Ele recomenda analisar
cuidadosamente as finanças do casal antes de decidir.
O especialista explica que, em
algumas situações, a soma das deduções e dos limites fiscais pode favorecer a
declaração conjunta, especialmente quando um dos cônjuges não tem rendimentos.
“No entanto, quando ambos possuem rendimentos altos tende a ser mais vantajoso
declarar em separado”, alerta o contador.
4. A restituição não passa de um
“empréstimo grátis” ao governo:
Embora aquele dinheirinho extra da
restituição possa ajudar bastante no orçamento familiar, André Charone comenta
que não existe muito motivo para ficar agradecido ao Fisco. “A restituição não
é um benefício concedido pelo governo. Muito pelo contrário, na verdade é o
reembolso dos valores que foram retidos a mais em relação ao que você devia”.
Segundo o contador, a declaração de imposto de renda faz um ajuste entre o
valor que foi retido ao longo do ano anterior e o que o contribuinte de fato
devia, após o lançamento de todas as deduções.
“Se foi retido mais do que era
devido, o governo vai lhe restituir essa diferença. Na prática, é como se você
tivesse emprestado, sem juros e sem escolha, seu dinheiro para o Fisco e agora
o recebesse de volta”, explana Charone.
5. A fiscalização está mais
tecnológica do que nunca:
Com o avanço tecnológico, a Receita Federal tem melhorado seu sistema de cruzamento de dados. "A chance de ser convocado para ajustar sua declaração ou mesmo enfrentar uma auditoria aumenta se houver inconsistências", alerta o autor. A tecnologia tem tornado a fiscalização mais eficaz, exigindo maior precisão nas declarações. Charone destaca que o uso de softwares sofisticados pela Receita permite que ela identifique rapidamente discrepâncias ou omissões, o que torna ainda mais crucial a precisão no preenchimento das informações.
André Charone - contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA). É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e centenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional. Seu mais recente trabalho é o livro "Empresário Sem Fronteiras: Importação e Exportação para pequenas empresas na prática", em que apresenta um guia realista para transformar negócios locais em marcas globais. A obra traz passo a passo estratégias de importação, exportação, precificação para mercados externos, regimes tributários corretos, além de dicas práticas de negociação e prevenção contra armadilhas no comércio internacional.
Disponível em versão física: https://loja.uiclap.com/titulo/ua111005/
e digital: https://play.google.com/store/books/details?id=nAB5EQAAQBAJ&pli=1
Instagram: @andrecharone
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