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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Dia das Mães deve movimentar R$ 38 bilhões, mas cenário de endividamento exige cautela nas compras

Com 80,4% das famílias endividadas, especialista alerta para riscos do consumo por impulso e uso inadequado do crédito

 

O Dia das Mães, segunda data mais importante do varejo nacional, deve movimentar este ano quase R$38 bilhões nos setores de comércio e serviços no país, levando cerca de 127 milhões de consumidores às compras. A expectativa é que 78% deles comprem ao menos um presente. É o que aponta levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. 

Apesar do otimismo do comércio, o cenário econômico exige atenção redobrada dos consumidores. O nível de endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde, com 80,4% dos lares relatando algum tipo de dívida, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC no fim de março de 2026. Os juros médios do rotativo continuam sendo uma bola de neve agressiva, rondando na casa dos 445% ao ano no mercado geral. 

O planejador financeiro CFP® e especialista em finanças pessoais, Jeff Patzlaff, destaca que o planejamento financeiro é fundamental para evitar decisões impulsivas: “Faça uma análise detalhada da sua vida financeira, comece separando o que você ganha e quais os seus gastos fixos. Anote tudo o que vai vencer no mês que vem e veja o que realmente não vai fazer falta para o mês. O presente da sua mãe deve estar alinhado com os seus gastos de lazer, e não da fatia do supermercado”. 

Jeff recomenda definir o seu próprio limite de gastos para o presente, como R$ 100,00 por exemplo, e quando for pesquisar, filtrar os produtos rigorosamente por esse preço. “Seja realista e não olhe nada acima disso para não cair em tentação. Se for comprar em loja física deixe apenas com o dinheiro na conta ou diminua o limite pontualmente para essa compra”, explica. 

Além do controle de orçamento, Patzlaff chama atenção para o comportamento do consumidor diante das estratégias de marketing. “As lojas sabem do forte apelo emocional da data, então você precisa ser mais estratégico que o marketing delas. Para diferenciar uma compra planejada de uma compra por impulso, preste atenção na sua lista. A compra planejada acontece quando você sai de casa sabendo o que vai comprar, onde e por quanto. O impulso é quando você entra só para dar uma olhadinha e sai com várias sacolas”, afirma. 

O especialista recomenda ainda a regra das 24 horas: “Vá para casa e se no dia seguinte, de cabeça fria, a compra ainda fizer sentido e o dinheiro existir, você compra. Na maioria das vezes, a vontade passa”. 

Jeff também alerta para armadilhas comuns, como compras motivadas por culpa ou competição familiar. “O maior erro que as pessoas cometem é comprar guiadas pela culpa ou por uma competição invisível de querer dar um presente mais caro que o dos irmãos. Nessa pressa, muita gente esquece do frete, que em compras online de última hora pode custar mais caro que o próprio produto, ou cai na grande armadilha do limite do cartão. Muita gente ainda acha que limite é dinheiro na conta, quando na verdade é dinheiro do banco emprestado, que caso você não pague no vencimento os juros será altíssimo”, alerta. 

Outro ponto crítico é o parcelamento, que pode comprometer o orçamento por longos períodos. “A parcela de R$ 30 parece inofensiva, mas ela engessa o seu orçamento. Se você parcelar o presente em 10 vezes, estará pagando por ele no Natal, no IPVA do ano que vem e no Carnaval de 2027. Só parcele se a loja não der nenhum desconto à vista e se a parcela couber tranquilamente no seu mês. E o parcelamento nunca pode durar mais que a lembrança do presente. Se precisar de muitas parcelas, é sinal vermelho de que o item está fora do seu padrão de vida atual”, esclarece Jeff. 

Para economizar, o especialista recomenda o uso de ferramentas digitais e pesquisa de preços. “Como estamos a poucos dias da data, os preços nas vitrines físicas já começam a inflar. Por isso, pesquise com inteligência. Coloque o item no carrinho da loja online, faça seu login e feche o site. Muitas lojas enviam cupons de desconto horas depois para te convencer a finalizar a compra. Use aplicativos que devolvem parte do dinheiro da compra. Esse valor já pode ajudar a pagar a sobremesa do almoço de domingo”, comenta. Jeff também sugere comprar olhando sempre o gráfico de preços dos sites comparadores nos últimos meses. Isso evita que caia no conto do falso desconto, aquela velha tática de subir o preço em abril para dar desconto em maio. 

Para quem enfrenta dificuldades financeiras, a orientação do planejador financeiro é priorizar a transparência e evitar novos compromissos: “Se a grana está muito curta ou se você já está enrolado com dívidas, o melhor caminho é ser honesto com ela. Nenhuma mãe que ama o filho quer vê-lo perdendo o sono ou pagando juros abusivos só para impressioná-la. Fazer um empréstimo ou estourar o limite para comprar um presente caro é o pior presente que você pode dar para a sua própria saúde mental e para a paz da família.” 

Por fim, Patzlaff reforça que o valor emocional da data não está no preço do presente: “Muitas mães valorizam a intenção e o seu tempo com elas, viva momentos verdadeiros com elas enquanto ela ainda tiver tempo para você. Que tal você mesmo cozinhar o prato favorito dela, montar uma cesta de café da manhã em casa comprando as coisas no mercado, ou organizar um álbum de fotos impresso com memórias da família? Um abraço apertado, sinceridade e um tempo de qualidade valem muito mais do que qualquer item de grife. Amor e afeto não se compra em vitrine”.


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