Estudo recente sugere que a menopausa precoce está associada a maior risco de doença coronariana, enquanto a hipertensão atua como fator agravante de relevância
A
menopausa precoce – definida como aquela que ocorre antes dos 40 anos – tem
sido consistentemente associada ao aumento do risco de doença coronariana ao
longo da vida. Um estudo publicado na JAMA Cardiology¹ demonstrou que
mulheres com menopausa precoce apresentam risco aproximadamente 40% maior de
desenvolver doença arterial coronariana, reforçando a relação entre a saúde
reprodutiva e o risco cardiovascular. No Brasil, cerca de 30 milhões de
mulheres são afetadas pela perda da função ovariana antes dos 40 anos, segundo
o Ministério da Saúde².
Os
achados indicam ainda que essas mulheres tendem a desenvolver doenças
cardiovasculares em idades mais precoces e a apresentar menor tempo de vida
livre de comorbidades. No Brasil, esse cenário ganha relevância adicional, uma
vez que a hipertensão arterial sistêmica representa um dos principais fatores
de risco modificáveis para eventos cardiovasculares.
Estimativas
recentes do Ministério da Saúde indicam que entre 28 e 30 milhões de mulheres
brasileiras são hipertensas. A prevalência aumenta de forma significativa após
a menopausa, possivelmente em decorrência da redução dos níveis de estrogênio,
que exerce efeitos vasoprotetores, contribuindo para alterações na função
endotelial e maior rigidez arterial.
Além
do impacto cardiovascular, a hipertensão arterial não controlada está associada
a desfechos adversos relevantes, incluindo doença renal crônica, Acidente
Vascular Cerebral (AVC) e comprometimento cognitivo. Evidências também sugerem
associação com maior risco de demência vascular, especialmente em contextos de
exposição prolongada a níveis pressóricos elevados.
Segundo
a cardiologista Fernanda Erthal, do Bronstein e da CDPI, marcas da Dasa no Rio
de Janeiro, a integração entre fatores reprodutivos e risco cardiovascular
ainda é subvalorizada na prática clínica.
“A
menopausa precoce e a hipertensão frequentemente são abordadas de forma
isolada, quando, na realidade, deveriam motivar uma avaliação cardiovascular
mais abrangente”, destaca.
Nesse
contexto, a estratificação de risco deve ser individualizada e, em determinados
grupos, pode incluir a investigação de aterosclerose subclínica. “O diagnóstico
da hipertensão é simples e deve ser realizado precocemente. Em pacientes
selecionadas, ferramentas como o escore de cálcio coronariano podem auxiliar na
identificação precoce da aterosclerose e na tomada de decisão clínica”,
explica.
Os
achados do estudo reforçam que o histórico reprodutivo deve ser incorporado à
avaliação global de risco cardiovascular, juntamente com o controle rigoroso
dos fatores modificáveis, como a hipertensão arterial. “A prevenção
cardiovascular deve ser priorizada, com o objetivo de não apenas aumentar a
longevidade, mas também garantir a qualidade de vida ao longo dos anos”,
conclui a especialista.
Referências
¹Link
²https://www.gov.br/hubrasil/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-nordeste/hupes-ufba/comunicacao/noticias/cerca-de-30-milhoes-de-mulheres-sao-afetadas-pela-menopausa-precoce-no-brasil
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