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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Menopausa precoce e hipertensão: a combinação que eleva o risco cardiovascular em mulheres

Estudo recente sugere que a menopausa precoce está associada a maior risco de doença coronariana, enquanto a hipertensão atua como fator agravante de relevância

 

A menopausa precoce – definida como aquela que ocorre antes dos 40 anos – tem sido consistentemente associada ao aumento do risco de doença coronariana ao longo da vida. Um estudo publicado na JAMA Cardiology¹ demonstrou que mulheres com menopausa precoce apresentam risco aproximadamente 40% maior de desenvolver doença arterial coronariana, reforçando a relação entre a saúde reprodutiva e o risco cardiovascular. No Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres são afetadas pela perda da função ovariana antes dos 40 anos, segundo o Ministério da Saúde². 

Os achados indicam ainda que essas mulheres tendem a desenvolver doenças cardiovasculares em idades mais precoces e a apresentar menor tempo de vida livre de comorbidades. No Brasil, esse cenário ganha relevância adicional, uma vez que a hipertensão arterial sistêmica representa um dos principais fatores de risco modificáveis para eventos cardiovasculares. 

Estimativas recentes do Ministério da Saúde indicam que entre 28 e 30 milhões de mulheres brasileiras são hipertensas. A prevalência aumenta de forma significativa após a menopausa, possivelmente em decorrência da redução dos níveis de estrogênio, que exerce efeitos vasoprotetores, contribuindo para alterações na função endotelial e maior rigidez arterial. 

Além do impacto cardiovascular, a hipertensão arterial não controlada está associada a desfechos adversos relevantes, incluindo doença renal crônica, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e comprometimento cognitivo. Evidências também sugerem associação com maior risco de demência vascular, especialmente em contextos de exposição prolongada a níveis pressóricos elevados. 

Segundo a cardiologista Fernanda Erthal, do Bronstein e da CDPI, marcas da Dasa no Rio de Janeiro, a integração entre fatores reprodutivos e risco cardiovascular ainda é subvalorizada na prática clínica. 

“A menopausa precoce e a hipertensão frequentemente são abordadas de forma isolada, quando, na realidade, deveriam motivar uma avaliação cardiovascular mais abrangente”, destaca. 

Nesse contexto, a estratificação de risco deve ser individualizada e, em determinados grupos, pode incluir a investigação de aterosclerose subclínica. “O diagnóstico da hipertensão é simples e deve ser realizado precocemente. Em pacientes selecionadas, ferramentas como o escore de cálcio coronariano podem auxiliar na identificação precoce da aterosclerose e na tomada de decisão clínica”, explica. 

Os achados do estudo reforçam que o histórico reprodutivo deve ser incorporado à avaliação global de risco cardiovascular, juntamente com o controle rigoroso dos fatores modificáveis, como a hipertensão arterial. “A prevenção cardiovascular deve ser priorizada, com o objetivo de não apenas aumentar a longevidade, mas também garantir a qualidade de vida ao longo dos anos”, conclui a especialista.

 

Referências

¹Link

²https://www.gov.br/hubrasil/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-nordeste/hupes-ufba/comunicacao/noticias/cerca-de-30-milhoes-de-mulheres-sao-afetadas-pela-menopausa-precoce-no-brasil


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