OMS alerta para 3,5 milhões de mortes por infecções evitáveis até 2050 no mundo
Pode parecer
simples, mas um gesto básico continua sendo uma das formas mais eficazes de
salvar vidas dentro das instituições de saúde: lavar as mãos da forma correta.
Neste 5 de maio,
terça-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça o alerta com a
campanha global iniciada há duas décadas “Salve Vidas: Higienize suas mãos”. O
objetivo é claro: lembrar os profissionais e instituições de que a higienização
das mãos é uma das principais barreiras contra infecções.
“Este simples
gesto pode reduzir em até 40% o risco de infecções, como gripe, diarreia e
conjuntivite” afirma a infectologista e consultora para ONA – Organização
Nacional de Acreditação, Cláudia Vidal.
Infecções
hospitalares ainda são um problema global – Apesar de evitáveis, as chamadas infecções relacionadas à
assistência à saúde (IRAS) continuam sendo um desafio global. Dados da OMS
mostram que até 30% dos pacientes em UTIs podem ser afetados. E em países mais
pobres, o risco pode ser até 20 vezes maior e, até 2050, há previsão de até 3,5
milhões de mortes por ano. A cada 100 pacientes internados, até 15 podem
desenvolver infecções em países de baixa e média renda. A situação é mais
crítica em unidades de terapia intensiva.
Brasil
avança, mas ainda enfrenta desafios –
Últimos dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 2024,
apontam que há melhoria nos indicadores de incidência de IRAS, mas o risco
ainda é alto.
O relatório alerta
que a maioria das infecções de corrente sanguínea ocorrem dentro das UTIs. A densidade
de incidência chega a 3,5 casos por mil cateter venoso central-dia em UTIs e
nas neonatais, esse número sobe para 6,1 casos. Ainda, segundo o levantamento,
pneumonia associada à ventilação mecânica segue entre as IRAS mais frequentes.
As taxas podem chegar a 9,4 casos por 1 mil ventilação mecânica-dia.
Infecção
também pesa no bolso – Além do impacto
na saúde, as infecções também têm custo alto. Pacientes com infecção podem
gerar custos até 55% maiores no Brasil. Nos Estados Unidos, o impacto passa de US$
40 bilhões por ano e, na Europa, chega a € 7 bilhões anuais.
Resistência
a antibióticos – “O uso inadequado de antibióticos
pode implicar em resistência bacteriana, maior risco de efeitos colaterais e
gerar custos desnecessários para o sistema de saúde”, ressalta a dra. Cláudia
Vidal.
Dados da OMS
relatam que até 2050, podem ocorrer 10 milhões de mortes por ano por infecções
resistentes.
Uso
inadequado de antibióticos ainda é um desafio no Brasil - Dados da Anvisa mostram que uma parte das instituições de
saúde já contam com programas estruturados para o uso racional desses
medicamentos, mas temos muito o que avançar.
Entre os 153 serviços analisados, cerca de pouco mais da metade (52,7%) têm Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos implantado, o que acende um alerta para as fragilidades dos serviços de saúde quanto ao controle e monitoramento do uso desta classe de medicamentos tão importante.
Por outro lado, o
monitoramento dentro das UTIs já é mais frequente. Nas unidades adultas, cerca
de 95,6% das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar acompanham o uso de
antibióticos, enquanto nas UTIs pediátricas, cerca de 82,8% fazem esse controle
de antimicrobianos de forma adequada.
Diante da elevada
incidência das IRAS e do avanço da resistência aos antimicrobianos – que podem
comprometer a qualidade do cuidado e a segurança do paciente – os desfechos
clínicos podem ser cada vez mais desfavoráveis aos pacientes. “Fortalecer as
medidas de prevenção de infecções é imprescindível, em especial a higiene das
mãos de forma adequada e oportuna, estratégias essas fundamentais para proteger
os pacientes e salvar vidas!”, finaliza a infectologista.


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