Campanha nacional
de conscientização ganha força e se conecta ao Dia Mundial Sem Tabaco, em 31 de
maio, para destacar sinais precoces e estratégias de prevenção além do óbvio
Envato
O mês de maio concentra duas importantes
mobilizações de saúde pública: o Maio Vermelho, dedicado à conscientização
sobre o câncer de boca, e o Dia Mundial Sem Tabaco, em 31 de maio. Juntas, as
datas ampliam o debate sobre um ponto ainda pouco explorado: os primeiros
impactos do cigarro tradicional e dos dispositivos eletrônicos, como o vape,
costumam surgir na cavidade oral, muitas vezes de forma silenciosa.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA)
estimaram cerca de 15,1 mil novos casos de câncer de boca por ano no entre 2023
e 2025. Ainda assim, muitos diagnósticos ocorrem em estágios avançados, o que
pode comprometer as chances de sucesso no tratamento. Quando a doença é
identificada precocemente, porém, as taxas de cura podem ultrapassar 80%. A doença,
apesar de pouco conhecida, é o oitavo câncer mais frequente no Brasil. Esse
cenário ganha relevância diante de dados do Vigitel (Ministério da Saúde), que
apontam desaceleração na queda do tabagismo nas capitais desde 2015. A
prevalência caiu de 15,7% em 2006 para 9,3% em 2023 (redução média anual de
3,3%). Mantido esse ritmo, a projeção para 2030 é de 7,96%, acima da meta de
6,24% prevista no plano nacional de enfrentamento das DANTs.
O dentista especialista em Implantodontia da
Neodent, Dr. Sérgio Bernardes, chama a atenção para o fato de que alterações
aparentemente simples podem ser os primeiros indícios de problemas mais graves.
Feridas que não cicatrizam em até 15 dias, manchas esbranquiçadas ou
avermelhadas, caroços, dor persistente, dificuldade para mastigar ou engolir e
até mudanças na voz são sinais que merecem atenção. “A boca funciona como uma
porta de entrada e como um termômetro da saúde. Muitos pacientes ignoram
sintomas iniciais por não associarem ao risco de câncer”, destaca.
O uso de cigarros eletrônicos, frequentemente visto
como uma alternativa menos nociva, também preocupa. O vape pode
provocar inflamações na mucosa oral, alterações celulares e maior ressecamento
bucal, criando um ambiente propício para lesões e infecções. Em alguns casos,
essas alterações podem evoluir para quadros mais graves quando não
identificadas precocemente.
Prevenção além do “não fumar”
Embora evitar o tabaco continue sendo a principal
recomendação, o especialista reforça que a prevenção do câncer de boca envolve
um conjunto de cuidados no dia a dia:
- Atenção
aos sinais persistentes: qualquer alteração na boca que dure mais de
duas semanas deve ser avaliada por um dentista.
- Higiene
bucal adequada: a escovação correta, o uso diário do fio dental e as visitas regulares
ao dentista ajudam a identificar lesões precocemente.
- Proteção
solar labial: a exposição prolongada ao sol pode estar associada ao câncer de
lábio.
- Moderação
no consumo de álcool: o consumo frequente pode potencializar os
efeitos nocivos do tabaco e agride a mucosa oral.
- Alimentação
equilibrada:
dietas ricas em frutas, verduras e antioxidantes podem contribuir para a
saúde celular.
- Autoexame
da boca:
simples e rápido, pode ser feito em frente ao espelho, observando língua,
gengivas, bochechas e céu da boca.
- Idade
avançada: o
risco de câncer de boca aumenta com o envelhecimento, especialmente após
os 50 anos.
Para quem possui implantes dentários, os cuidados
preventivos são os mesmos, mas o acompanhamento profissional ganha ainda mais
importância. “O dentista consegue identificar qualquer alteração durante as
consultas de manutenção, o que é imprescindível não só para manter a
integridade dos implantes, como também para investigar afundo possíveis lesões
que mereçam mais atenção. Pacientes com implantes devem manter a rotina de
higiene e acompanhamento profissional, assim como qualquer outro paciente”,
reforça Bernardes.
A integração entre o Maio Vermelho e o Dia Mundial
Sem Tabaco reforça a necessidade de ampliar a conscientização, fazer avaliações
periódicas com o dentista, pelo menos a cada seis meses, e realizar o autoexame
da boca com regularidade. “O alerta é: antes de qualquer outro sintoma, é na
boca que podem surgir os primeiros sinais de que algo não vai bem no
organismo”, finaliza o especialista.
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