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terça-feira, 5 de maio de 2026

Nem todo mundo emagrece com canetas: especialista explica por que tratamento pode não funcionar para todos

Endocrinologista do Centro Universitário de Brasília (CEUB) destaca influência da genética, do metabolismo e da resposta do organismo na perda de peso
 

Medicamentos para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, ganharam popularidade nos últimos anos e transformaram o tratamento da obesidade. Ainda assim, os resultados não são uniformes. A explicação, segundo a endocrinologista Suelem Izumi Lima, professora de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), está na variabilidade biológica individual, uma vez que cerca de 10% dos pacientes não apresentam resposta significativa ao uso dessas medicações.

“Existe uma variabilidade relevante na resposta ao tratamento medicamentoso. Alguns pacientes conseguem perder peso com mais facilidade, enquanto outros apresentam maior dificuldade, mesmo utilizando as mesmas medicações”, explica. Pesquisa publicada na revista Nature identificou preditores genéticos que influenciam a eficácia dos análogos de GLP-1, classe à qual pertencem esses medicamentos. O estudo revela que variantes no DNA podem determinar se o paciente terá uma perda de peso expressiva ou se fará parte do grupo considerado “não respondedor”.



Genética, metabolismo e comportamento

De acordo com a especialista do CEUB, a obesidade é uma condição multifatorial, que envolve a interação entre cérebro, hormônios, genética e ambiente. “O fator genético pode explicar de 40% a 70% da variação do peso corporal. Quando essa predisposição se combina com fatores ambientais, como alimentação inadequada e sedentarismo, há maior risco de ganho de peso”, explica. 

Além disso, o próprio organismo pode atuar contra o emagrecimento. “Quando a pessoa perde peso, o cérebro ativa mecanismos de defesa para preservar energia. Isso pode reduzir o ritmo da perda e até favorecer o reganho”, completa Suelem Lima. Assim, ela alerta que o uso dessas medicações exige alinhamento de expectativas: “O tratamento precisa ser individualizado e sempre associado a mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e sono adequado”.
 

Por que os resultados são diferentes?

Segundo a endocrinologista, essa diferença está relacionada a fatores como genética, metabolismo e comportamento. A obesidade, hoje, é compreendida como uma condição complexa, que envolve a interação entre cérebro, hormônios, genética e ambiente. 

“O fator genético pode contribuir com 40% a 70% da variação do peso corporal. Quando há um desequilíbrio entre essa predisposição genética e o ambiente, como alimentação inadequada e sedentarismo, ocorre o ganho de peso”, afirma a docente do CEUB. Além disso, o próprio organismo pode dificultar o emagrecimento. “Quando a pessoa perde peso, o cérebro ativa mecanismos de defesa para preservar energia, o que pode reduzir o ritmo da perda e até favorecer o reganho”, completa.



Expectativa x realidade no tratamento

A endocrinologista reforça que é fundamental alinhar expectativas antes de iniciar o uso de medicamentos. “Nem todos terão respostas rápidas ou expressivas. O tratamento precisa ser individualizado e acompanhado de mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, atividade física e sono adequado”, destaca.


E quando o tratamento não funciona?

Nos casos em que não há resposta satisfatória, a recomendação é reavaliar a estratégia terapêutica. Entre as principais abordagens estão:

  • Ajuste da medicação ou da dose
  • Investigação de fatores hormonais ou metabólicos
  • Reforço nas mudanças de estilo de vida
  • Abordagem multidisciplinar, com apoio de nutricionistas e outros profissionais

Para a especialista do CEUB, é fundamental compreender a natureza crônica da doença. “A obesidade não tem solução imediata. É uma condição progressiva e com tendência à recorrência. Ao interromper o tratamento, é comum haver recuperação do peso. Por isso, o acompanhamento médico contínuo e as estratégias individualizadas são essenciais”, conclui Suelem Lima.
 


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