Medicamentos vendidos como refrigerante: prática
acende risco grave à saúde pública
O
Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) acionou o
Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) para apurar a comercialização
irregular de medicamentos por meio de máquinas automáticas (“vending machines”)
instaladas em condomínios residenciais e outros locais de grande circulação. A
preocupação central é o risco à saúde pública, especialmente de crianças e
adolescentes, diante do acesso facilitado e sem qualquer controle à automedicação.
Em
fiscalizações realizadas em municípios como São Paulo, Guarulhos, São Bernardo
do Campo e Santo André, o CRF-SP constatou o funcionamento das máquinas em
áreas comuns de condomínios, permitindo a compra irrestrita de medicamentos,
sem verificação de idade, limitação de quantidade ou orientação de um
farmacêutico.
O
Conselho destaca que a legislação sanitária brasileira determina que a
dispensação de medicamentos só pode ocorrer em estabelecimentos autorizados,
como farmácias e drogarias, com assistência farmacêutica obrigatória. A própria
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já se manifestou formalmente
contra a prática e reforça que máquinas automáticas não podem dispensar
medicamentos.
Além
da infração sanitária, o CRF-SP argumenta que a prática pode violar
dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e do chamado ECA
Digital, ao expor crianças e adolescentes ao consumo indiscriminado de
substâncias capazes de causar danos à saúde física e mental. O documento
encaminhado ao MP-SP alerta que a facilidade de acesso, somada à influência de
desafios virais disseminados nas redes sociais envolvendo medicamentos e
produtos químicos, amplia significativamente o risco de intoxicações e outros
agravos à saúde.
Para
o Conselho, transformar medicamentos em itens de conveniência representa um
grave risco sanitário. “Mesmo medicamentos isentos de prescrição podem causar
intoxicações, reações adversas graves, interações medicamentosas e até levar à
morte quando usados de forma incorreta. Nenhum medicamento é isento de
orientação”, alerta a presidente do CRF-SP, Luciana Canetto.
Diante
da gravidade da situação, o MP-SP instaurou procedimento para ouvir as partes
envolvidas, incluindo a empresa responsável pelas máquinas e os órgãos de
Vigilância Sanitária, para apuração dos fatos e adoção das medidas cabíveis em
defesa da saúde coletiva.
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