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| A doença é difícil de tratar porque apresenta resistência aos tratamentos convencionais, como quimioterapia e imunoterapia |
O medicamento dobrou a sobrevida e reduziu em 60% o risco de morte, explica o médico João Fogacci, da Oncologia D’Or. A medicação foi estudada no cenário de câncer avançado com metástases após tratamento prévio.
O
câncer de pâncreas é uma das doenças oncológicas mais letais. Sua capacidade de
disseminação precoce e a falta de sintomas nos estágios iniciais contribuem
para o diagnóstico tardio e a alta taxa de mortalidade. Além disso, apresenta
resistência significativa à quimioterapia e à imunoterapia, resultando em
sobrevida global ainda limitada em pacientes com doença avançada.
Um
estudo de fase 3, divulgado nesta segunda-feira (13), demonstrou que uma nova
terapia-alvo reduziu em 60% o risco de morte e aumentou a sobrevida para 13,2
meses em pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático metastático
previamente tratados. No grupo tratado com quimioterapia padrão, a sobrevida
foi de 6,7 meses.
“O
medicamento daraxonrasib é a primeira terapia-alvo eficaz em larga escala no
câncer de pâncreas. Esses resultados podem redefinir o tratamento após a
quimioterapia e abrir caminhos para combinações futuras”, afirma o médico João
Fogacci, da Oncologia D’Or. O medicamento foi desenvolvido pela empresa
Revolution Medicines, responsável pelo estudo RASolute 302, divulgado hoje.
O
câncer de pâncreas é o nono tumor mais comum no Brasil, excluindo o câncer de
pele não melanoma. Para este ano, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima
13.240 novos casos. Em 2023, foram registrados 13.507 óbitos pela doença, que
tem entre os principais fatores de risco a idade avançada, a obesidade, o
tabagismo, o consumo de álcool, a diabetes e a pancreatites, entre outros.
O medicamento
O câncer
pancreático é o tumor mais dependente da proteína RAS entre os principais tipos
de câncer. Essa proteína está envolvida na transmissão de sinais celulares que
regulam o crescimento dos tecidos. Mais de 90% dos pacientes têm tumores
impulsionados por mutações em RAS, que contribuem para o comportamento
agressivo da doença. O daraxonrasib é um medicamento oral, administrado uma vez
ao dia, que atua inibindo a via RAS.
Segundo o oncologista João Fogacci, há décadas os cientistas buscam novas terapias, com poucos resultados positivos. “A maioria dos estudos sequer alcançava a fase 3. Nesse cenário, um medicamento capaz de dobrar a sobrevida e reduzir em 60% o risco de morte representa um avanço raro e potencialmente transformador”, observa. A empresa pretende submeter os dados às agências regulatórias, incluindo a Food and Drug Administration, para avaliação e possível aprovação.
Oncologia
D'Or

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