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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Resultado de primeira terapia-alvo para câncer de pâncreas traz esperança para pacientes com tumor altamente letal


A doença é difícil de tratar porque apresenta
 resistência aos tratamentos convencionais,
como quimioterapia e imunoterapia

O medicamento dobrou a sobrevida e reduziu em 60% o risco de morte, explica o médico João Fogacci, da Oncologia D’Or. A medicação foi estudada no cenário de câncer avançado com metástases após tratamento prévio.

 

O câncer de pâncreas é uma das doenças oncológicas mais letais. Sua capacidade de disseminação precoce e a falta de sintomas nos estágios iniciais contribuem para o diagnóstico tardio e a alta taxa de mortalidade. Além disso, apresenta resistência significativa à quimioterapia e à imunoterapia, resultando em sobrevida global ainda limitada em pacientes com doença avançada. 

Um estudo de fase 3, divulgado nesta segunda-feira (13), demonstrou que uma nova terapia-alvo reduziu em 60% o risco de morte e aumentou a sobrevida para 13,2 meses em pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático metastático previamente tratados. No grupo tratado com quimioterapia padrão, a sobrevida foi de 6,7 meses. 

“O medicamento daraxonrasib é a primeira terapia-alvo eficaz em larga escala no câncer de pâncreas. Esses resultados podem redefinir o tratamento após a quimioterapia e abrir caminhos para combinações futuras”, afirma o médico João Fogacci, da Oncologia D’Or. O medicamento foi desenvolvido pela empresa Revolution Medicines, responsável pelo estudo RASolute 302, divulgado hoje. 

O câncer de pâncreas é o nono tumor mais comum no Brasil, excluindo o câncer de pele não melanoma. Para este ano, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 13.240 novos casos. Em 2023, foram registrados 13.507 óbitos pela doença, que tem entre os principais fatores de risco a idade avançada, a obesidade, o tabagismo, o consumo de álcool, a diabetes e a pancreatites, entre outros.
 

O medicamento

O câncer pancreático é o tumor mais dependente da proteína RAS entre os principais tipos de câncer. Essa proteína está envolvida na transmissão de sinais celulares que regulam o crescimento dos tecidos. Mais de 90% dos pacientes têm tumores impulsionados por mutações em RAS, que contribuem para o comportamento agressivo da doença. O daraxonrasib é um medicamento oral, administrado uma vez ao dia, que atua inibindo a via RAS. 

Segundo o oncologista João Fogacci, há décadas os cientistas buscam novas terapias, com poucos resultados positivos. “A maioria dos estudos sequer alcançava a fase 3. Nesse cenário, um medicamento capaz de dobrar a sobrevida e reduzir em 60% o risco de morte representa um avanço raro e potencialmente transformador”, observa. A empresa pretende submeter os dados às agências regulatórias, incluindo a Food and Drug Administration, para avaliação e possível aprovação.

 

Oncologia D'Or

 

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