Abordagem ainda cercada de estigmas, cuidado paliativo não significa fim do tratamento e pode ser oferecido junto a terapias oncológicas, com suporte integral ao paciente e à família
Apesar de ainda serem associados ao fim da vida, os
cuidados paliativos vêm ganhando espaço como uma abordagem essencial no
tratamento do câncer, com foco na qualidade de vida e no bem-estar do paciente
e de seus familiares. O conceito, que tem origem no termo latino pallium —
“manto”, em referência à proteção —, traduz o papel desse cuidado: oferecer
acolhimento e alívio diante de uma doença grave.
“Não se trata de desistir do tratamento. O cuidado paliativo tem como principal objetivo melhorar a qualidade de vida do paciente e de sua família, atuando no controle de sintomas e no suporte emocional”, explica o oncologista Dr. Rodrigo Coutinho Mariano, médico consultor da Libbs Farmacêutica. Segundo ele, a abordagem pode — e deve — ser integrada desde o diagnóstico. “Quanto mais cedo for iniciada, maiores os benefícios.”
Os cuidados paliativos envolvem uma atuação multiprofissional, com médicos, psicólogos, enfermeiros e outros especialistas, voltados não apenas à doença, mas aos impactos físicos, emocionais, sociais e espirituais do adoecimento. Eles podem acompanhar tratamentos como quimioterapia e radioterapia, ajudando a minimizar efeitos colaterais e melhorar o conforto do paciente.
Outro ponto de atenção é a saúde mental. Pacientes podem enfrentar ansiedade, tristeza e até depressão ao longo da terapia oncológica. “O cuidado psicoemocional é essencial, inclusive para a adesão ao tratamento”, destaca o médico. Ele reforça que quadros depressivos são tratáveis, mas ainda frequentemente subdiagnosticados nesse contexto.
No Brasil, cerca de 625 mil pessoas necessitam de cuidados paliativos, que são garantidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O atendimento pode começar pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e se estender a ambulatórios especializados, hospitais e até ao cuidado domiciliar, conforme a necessidade do paciente.
Além do paciente, a abordagem também inclui familiares e cuidadores, muitas vezes responsáveis por tarefas complexas no dia a dia. “É um cuidado exigente, que pode gerar sobrecarga física e emocional, por isso o suporte também precisa olhar para quem cuida”, ressalta o especialista.
Para o oncologista, é fundamental desmistificar o tema. “Pode não
haver mais o que fazer para curar a doença, mas sempre há o que fazer pelo
bem-estar do paciente. Cuidar é aliviar a dor, acolher o sofrimento e oferecer
dignidade em todas as fases da vida.”
Libbs
www.libbs.com.br
Referências:
- Brasil. Ministério da Saúde. Atenção Especializada à Saúde.
Cuidados Paliativos. Disponível em: Link
- American Cancer Society. What Is Hospice Care? 2024. Disponível em:
Link
- Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Cuidados Paliativos – 2ª
Edição. 2023. Disponível em: Link
- Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Cuidados
Paliativos. 2024. Disponível em: Link
Informações não referenciadas correspondem à opinião e/ou prática
clínica do profissional da saúde entrevistado.

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