Após a influenciadora Bruna Unzueta, compartilhar
sua experiência com o congelamento de óvulos e definir o processo como
“libertador”, especialistas explicam quando a técnica é indicada, quais são os
limites e o que avaliar antes da decisão
A
decisão de congelar óvulos voltou a ganhar visibilidade após a influenciadora
Bruna Unzueta, conhecida como Boo, compartilhar nas redes sociais detalhes do
próprio processo e definir a experiência como “libertadora”. O relato só
confirma o boom do procedimento no Brasil, que vive um aumento de quase
100% entre 2020 e 2023, impulsionado por mulheres que buscam adiar a
maternidade para focar na carreira ou estabilidade pessoal. A técnica de
vitrificação moderna e a maior conscientização sobre a queda da fertilidade
após os 35 anos são os principais fatores para essa busca crescente.
Mais
do que uma tendência, o congelamento de óvulos acompanha uma mudança no
comportamento feminino. Dados do IBGE e do DataSUS mostram que, enquanto o
número médio de filhos por mulher caiu nos últimos anos, aumentou o número de
gestações após os 35 anos, indicando uma busca maior por alternativas que
ampliem o tempo reprodutivo.
Para
a Dra. Paula Fettback, ginecologista especialista em Reprodução Humana pela
FEBRASGO, o congelamento de óvulos deve ser entendido como uma possibilidade, e
não como uma obrigação. “O congelamento de óvulos é uma forma de preservar a
fertilidade, não uma garantia de gestação futura. Ele permite que a mulher
tenha mais autonomia para decidir sobre a maternidade no tempo dela, com menos
pressão biológica”, explica.
A
Dra. Graziela Canheo, ginecologista especialista em reprodução humana da La
Vita Clinic, reforça que o procedimento acompanha uma transformação social
importante. “Cada vez mais mulheres querem viver a maternidade em uma fase de
maior estabilidade emocional, profissional e pessoal. O congelamento surge como
uma alternativa segura dentro desse novo contexto, sem que isso signifique
abrir mão do desejo de ter filhos”, afirma.
O
procedimento é indicado tanto para mulheres com condições médicas que podem
comprometer a fertilidade, como pacientes oncológicas ou com risco de falência
ovariana precoce, quanto para aquelas que desejam planejar a maternidade para o
futuro.
Em
relação à idade, não existe um limite rígido, mas a qualidade dos óvulos está
diretamente relacionada à idade da mulher. Por isso, quanto mais cedo o
congelamento é realizado, maiores são as chances de sucesso, com melhores
resultados geralmente observados até os 35 anos.
A
técnica mais utilizada atualmente é a vitrificação, um método de congelamento
ultrarrápido que reduz a formação de cristais de gelo e aumenta a taxa de
sobrevivência dos óvulos após o descongelamento, podendo chegar a cerca de 95%.
O processo envolve estimulação hormonal, coleta dos óvulos e armazenamento em
nitrogênio líquido.
Os
óvulos podem permanecer congelados por tempo indeterminado. No entanto, o
Conselho Federal de Medicina recomenda que a gestação ocorra, preferencialmente,
até os 50 anos, considerando a segurança materna e fetal.
O
custo do procedimento varia entre R$ 10 mil e R$ 20 mil, além de uma taxa anual
de manutenção. Caso a mulher opte por utilizar os óvulos no futuro, ainda será
necessário passar pelo processo de fertilização in vitro.
Durante
a fase de estimulação hormonal, algumas mulheres podem apresentar efeitos como
inchaço, alterações de humor, dor de cabeça e acne, sintomas que tendem a
desaparecer após o término do ciclo.
Apesar
da crescente visibilidade, especialistas reforçam que a decisão deve ser
individual e bem orientada. “O mais importante é que a mulher tenha acesso à
informação de qualidade para fazer uma escolha consciente, alinhada com seus
desejos e seu momento de vida”, conclui a Dra. Paula Fettback.
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