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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Congelamento de óvulos, feito por Boo, preserva a fertilidade e adia decisão sobre maternidade

Após a influenciadora Bruna Unzueta, compartilhar sua experiência com o congelamento de óvulos e definir o processo como “libertador”, especialistas explicam quando a técnica é indicada, quais são os limites e o que avaliar antes da decisão 

 

A decisão de congelar óvulos voltou a ganhar visibilidade após a influenciadora Bruna Unzueta, conhecida como Boo, compartilhar nas redes sociais detalhes do próprio processo e definir a experiência como “libertadora”. O relato só confirma o boom do procedimento no Brasil, que vive um aumento de quase 100% entre 2020 e 2023, impulsionado por mulheres que buscam adiar a maternidade para focar na carreira ou estabilidade pessoal. A técnica de vitrificação moderna e a maior conscientização sobre a queda da fertilidade após os 35 anos são os principais fatores para essa busca crescente.

Mais do que uma tendência, o congelamento de óvulos acompanha uma mudança no comportamento feminino. Dados do IBGE e do DataSUS mostram que, enquanto o número médio de filhos por mulher caiu nos últimos anos, aumentou o número de gestações após os 35 anos, indicando uma busca maior por alternativas que ampliem o tempo reprodutivo.

Para a Dra. Paula Fettback, ginecologista especialista em Reprodução Humana pela FEBRASGO, o congelamento de óvulos deve ser entendido como uma possibilidade, e não como uma obrigação. “O congelamento de óvulos é uma forma de preservar a fertilidade, não uma garantia de gestação futura. Ele permite que a mulher tenha mais autonomia para decidir sobre a maternidade no tempo dela, com menos pressão biológica”, explica.

A Dra. Graziela Canheo, ginecologista especialista em reprodução humana da La Vita Clinic, reforça que o procedimento acompanha uma transformação social importante. “Cada vez mais mulheres querem viver a maternidade em uma fase de maior estabilidade emocional, profissional e pessoal. O congelamento surge como uma alternativa segura dentro desse novo contexto, sem que isso signifique abrir mão do desejo de ter filhos”, afirma.

O procedimento é indicado tanto para mulheres com condições médicas que podem comprometer a fertilidade, como pacientes oncológicas ou com risco de falência ovariana precoce, quanto para aquelas que desejam planejar a maternidade para o futuro.

Em relação à idade, não existe um limite rígido, mas a qualidade dos óvulos está diretamente relacionada à idade da mulher. Por isso, quanto mais cedo o congelamento é realizado, maiores são as chances de sucesso, com melhores resultados geralmente observados até os 35 anos.

A técnica mais utilizada atualmente é a vitrificação, um método de congelamento ultrarrápido que reduz a formação de cristais de gelo e aumenta a taxa de sobrevivência dos óvulos após o descongelamento, podendo chegar a cerca de 95%. O processo envolve estimulação hormonal, coleta dos óvulos e armazenamento em nitrogênio líquido.

Os óvulos podem permanecer congelados por tempo indeterminado. No entanto, o Conselho Federal de Medicina recomenda que a gestação ocorra, preferencialmente, até os 50 anos, considerando a segurança materna e fetal.

O custo do procedimento varia entre R$ 10 mil e R$ 20 mil, além de uma taxa anual de manutenção. Caso a mulher opte por utilizar os óvulos no futuro, ainda será necessário passar pelo processo de fertilização in vitro.

Durante a fase de estimulação hormonal, algumas mulheres podem apresentar efeitos como inchaço, alterações de humor, dor de cabeça e acne, sintomas que tendem a desaparecer após o término do ciclo.

Apesar da crescente visibilidade, especialistas reforçam que a decisão deve ser individual e bem orientada. “O mais importante é que a mulher tenha acesso à informação de qualidade para fazer uma escolha consciente, alinhada com seus desejos e seu momento de vida”, conclui a Dra. Paula Fettback.

 

Dra. Graziela Canheo - CRM 145288 | RQE 68331 - Ginecologista e Obstetra. Reprodução Humana.Médica Graduada pela Universidade Metropolitana de Santos (2010). Residência médica em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital do Servidor Público Estadual do Estado de São Paulo (2013). Título de Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia pela ABPTGIC (2014). Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (2015). Fellowship em Reprodução humana pelo Instituto Idéia Fértil de Saúde Reprodutiva (2014 – 2016). Pós-graduação em videolaparoscopia e histeroscopia pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (2018 – 2019). Membro das principais sociedades nacionais e internacionais da área da Ginecologia e Reprodução Humana. Diretora técnica e médica da La Vita Clinic

 

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