Especialista em nutrição alerta que o
verdadeiro perigo da pressão alta está no sódio oculto dos ultraprocessados e
na carência de alimentos protetores que combatem a inflamação do organismo.
No próximo dia 26 de abril, é celebrado o Dia Nacional de
Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial e, por décadas, o combate à pressão
alta foi resumido a uma única regra: reduzir o sal na comida. No entanto, a
literatura médica atual mostra que ela é muito mais do que isso.
De acordo com Nicolle Albanezi, especialista em nutrição de
precisão, a pressão alta não é uma consequência isolada do sódio, mas o
desfecho de uma "inflamação silenciosa" e de uma desorganização
biológica que começa muito antes do diagnóstico. "As artérias não são
apenas 'canos' por onde o sangue corre; elas são tecidos vivos que respondem à
saúde do organismo como um todo. A pressão alta é, na verdade, um sinal de que
o corpo está inflamado e em desequilíbrio metabólico", explica.
Para marcar a data, a nutricionista destaca os novos pilares do
controle da pressão que vão muito além do saleiro:
1.Entenda a diferença: Sódio vs. Sal
Um erro comum é achar que sódio e sal são a mesma coisa. O sal de
cozinha (cloreto de sódio) contém apenas cerca de 40% de sódio. "O perigo
não está no sal que você usa para temperar uma comida caseira e natural, mas no
sódio escondido' nos ultraprocessados, que vem acompanhado de conservantes e
corantes que agridem a parede das artérias", esclarece. A chave para
evitar a hipertensão não é comer comida sem tempero, mas reduzir a dependência
de produtos que vêm em pacotes e latas.
2. O segredo está no equilíbrio de nutrientes
Para evitar que a pressão suba, o corpo precisa de um
"contrapeso". O potássio, encontrado em abundância nas frutas,
leguminosas e vegetais, atua como um antídoto natural ao excesso de sódio,
ajudando os rins a eliminá-lo e relaxando os vasos sanguíneos. "A
hipertensão muitas vezes é uma doença da escassez. Não basta tirar o sal; é
preciso colocar nutrientes protetores, como o magnésio e as fibras, que
garantem a integridade do metabolismo e do intestino", afirma a doutora.
4. A conexão Intestino-Pressão
Manter a saúde da microbiota intestinal é uma das formas mais
eficazes de prevenir a hipertensão arterial. As fibras alimentam as bactérias
"boas", que produzem substâncias protetoras para os vasos.
"Quando a dieta é rica em alimentos naturais, o intestino sinaliza para o
corpo que ele pode relaxar a pressão. Sem fibras, o corpo entra em estado de
alerta e inflamação, o que acaba elevando os níveis arteriais", diz.
5. Uma construção silenciosa
A hipertensão raramente acontece da noite para o dia. Ela é
construída silenciosamente, primeiro com a piora da qualidade alimentar, caindo
a ingestão de nutrientes protetores e aumentando a inflamação. "A pressão
alta é o desfecho de uma desorganização progressiva. Ela costuma caminhar junto
com a resistência à insulina e o acúmulo de gordura visceral, sendo um reflexo
direto das escolhas da rotina e do funcionamento global do corpo",
finaliza a especialista.
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