No Dia de Conscientização do Transtorno Bipolar (30.03), especialista esclarece principais dúvidas e alerta sobre a seriedade da condição
O transtorno bipolar
afeta cerca de 2% da população brasileira, segundo a Associação Brasileira de
Psiquiatria (ABP). Apesar de comum, o quadro, que é marcado por
oscilações intensas de humor, ainda é cercado por desinformação e estigmas,
sendo frequentemente confundido com variações emocionais do dia a dia.
O diagnóstico é
feito, principalmente, a partir da identificação de episódios de mania,
hipomania e depressão, que podem variar em intensidade e duração. Segundo a
Dra. Mariana Ramos, professora de psicologia da Afya Centro Universitário
Itaperuna, durante a mania, é comum haver euforia ou irritabilidade, aumento de
energia e comportamentos impulsivos. Já a hipomania apresenta sintomas
semelhantes, porém mais leves.
Na fase
depressiva, predominam tristeza profunda, desânimo, alterações no sono e no
apetite, dificuldade de concentração e, em casos mais graves, pensamentos
suicidas. “Muitas pessoas procuram ajuda apenas na fase depressiva e não
percebem episódios anteriores de hipomania”, alerta a psicóloga.
Segundo ela, as
alterações do transtorno bipolar podem impactar diretamente a vida social,
profissional e familiar, ao comprometer o julgamento, a regulação emocional e a
manutenção de rotinas. “São oscilações clinicamente significativas, que afetam
o sono, a energia, o comportamento, a tomada de decisões e até a forma como a
pessoa percebe a si mesma e a realidade”, explica.
A especialista
reforça que a condição não está relacionada à “fraqueza” ou falta de controle,
mas a alterações em neurotransmissores, como serotonina, dopamina e
noradrenalina, além de fatores genéticos e mudanças em circuitos cerebrais
ligados ao humor.
A professora de
psicologia afirma que, nesse contexto, a psicoterapia tem papel fundamental ao
ajudar no reconhecimento de sinais de alerta, na organização da rotina,
especialmente do sono, no desenvolvimento de estratégias de regulação
emocional e no fortalecimento das relações, já que ela contribui para
reconhecer sinais de alerta, estruturar a rotina, especialmente o sono,
desenvolver estratégias de regulação emocional e fortalecer relações.
O acompanhamento também
auxilia na reestruturação de pensamentos e no desenvolvimento de autonomia,
favorecendo a qualidade de vida. Sobre o diagnóstico, a psicóloga ressalta que
ele não deve ser visto como rótulo, mas como um guia para o cuidado. “O
diagnóstico não define quem a pessoa é. Ele é um caminho, um guia que ajuda a
entender padrões emocionais e comportamentais e a direcionar intervenções mais
adequadas”, explica, acrescentando que esse processo considera a história, a
singularidade e as potencialidades de cada indivíduo.
A especialista
ainda destaca a importância do apoio da família e da rede de convivência, já
que um ambiente informado tende a ser mais acolhedor e colaborativo,
contribuindo para a adesão ao tratamento e a redução do estigma. Dra Mariana
reforça que a recomendação é buscar avaliação profissional quando as oscilações
de humor passam a interferir na rotina, prejudicando trabalho, estudos,
relações ou padrões de sono e energia, pois o diagnóstico precoce é essencial
para reduzir riscos e melhorar o prognóstico.
Sinais de alerta de transtorno bipolar, segundo a especialista:
1.
Oscilações intensas de humor entre euforia e
depressão
2.
Períodos de energia excessiva ou agitação
incomum
3.
Diminuição da necessidade de sono sem cansaço
4.
Impulsividade ou comportamentos de risco
5.
Fala acelerada ou pensamentos muito rápidos
6.
Irritabilidade frequente
7.
Episódios prolongados de tristeza profunda
8.
Perda de interesse em atividades antes
prazerosas
9.
Dificuldade de concentração
10.
Pensamentos recorrentes sobre morte ou
suicídio
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