Especialista da IE
Intercâmbio dá dicas de como escolher a duração ideal de estudo no exterior
Os programas de intercâmbio de curta duração, que
vão de 2 a 12 semanas, cresceram 18% nos últimos anos entre brasileiros
que desejam estudar fora sem planos de mudança definitiva. Dados da IE Intercâmbio, uma
das principais empresas brasileiras de educação internacional e parte do grupo
global MetaApply, mostram que Irlanda (24,5%) e Canadá (22,8%) lideram a
procura nessa modalidade, concentrando quase metade das matrículas. O movimento
reflete não apenas uma preferência por destinos consolidados no ensino de
inglês, mas também uma mudança no perfil de quem busca esse tipo de
experiência.
Segundo Marcelo Melo, diretor executivo e
especialista em Educação Internacional da IE, entre os perfis mais comuns estão
profissionais que ingressaram na faculdade ou no mercado de trabalho sem
domínio do inglês e precisam acelerar o aprendizado para atender a uma
exigência corporativa. “Há também quem já tenha fluência no cotidiano, mas
busque aprimorar o vocabulário técnico em programas como ‘English for
Business’, voltados ao inglês para negócios”, afirma.
Além do avanço na carreira, há ainda quem veja no
intercâmbio curto a oportunidade de realizar um sonho pessoal antigo, mas sem
romper vínculos com o Brasil. “É um público que tem vida estruturada aqui, mas
quer viver uma experiência internacional possível dentro da própria realidade”,
explica Melo.
Alinhamento de expectativas é
decisivo para o aproveitamento
Se, por um lado, o modelo oferece praticidade e
menor investimento de tempo, por outro exige expectativas realistas. Para quem
tem inglês básico ou nenhum conhecimento do idioma, o período pode ser
insuficiente para desenvolver fluência, mas ainda assim permite um ganho
relevante no aprendizado, tendo em vista o volume de horas estudadas.
“É um tempo curto para quem está começando do zero.
A expectativa nesse cenário deve ser de uma evolução de inglês básico para
intermediário, mas com menos medo de falar o novo idioma”, diz o
especialista.
A recomendação, para quem quer potencializar o
aprendizado, é iniciar a preparação no Brasil e considerar a viagem quando já
houver ao menos um nível básico. “Uma alternativa são as escolas que já iniciam
o intercâmbio de forma online, diariamente. Dessa forma, quando o aluno chega
na escola no exterior, já estará mais habituado”, aconselha Melo.
Outro ponto importante é compreender que o
intercâmbio de curta duração não proporciona a mesma profundidade cultural de
programas mais longos. Trata-se de uma experiência intensa, mas limitada pelo
tempo. “É uma degustação da imersão cultural que ocorre na vivência
internacional de longa duração. Ainda assim, por mais que pareça pouco, viver
de perto experiências culturais inéditas é sempre positivo”, explica.
O aproveitamento também depende do comportamento do
aluno. Um dos erros mais comuns, e mais prejudiciais em programas curtos, é se
cercar exclusivamente de brasileiros e manter o português nas horas vagas. Como
o período é reduzido, qualquer limitação na prática do idioma compromete
diretamente os resultados.
5 dicas para escolher o
intercâmbio de curta duração ideal
1. Defina seu objetivo com clareza
Saber se a meta é aprimorar o idioma para a
carreira, ampliar networking ou realizar um sonho pessoal ajuda a escolher o
programa certo. “O intercâmbio curto funciona melhor quando a pessoa sabe
exatamente o que quer resolver naquele período”, aconselha Melo.
2. Avalie seu nível de inglês com honestidade
Quem tem nível básico pode precisar de preparação
prévia no Brasil para aproveitar melhor a experiência. Na própria contratação
do intercâmbio, é recomendada a realização de testes de nivelamento para
oferecer uma visão mais precisa do estágio do candidato. “Ainda assim, ao
chegar ao destino, o estudante passa por uma nova avaliação no primeiro dia de
aula, que define a turma mais adequada ao seu nível e garante melhor
aproveitamento do curso”, conta o especialista.
3. Escolha o destino de acordo com seu perfil
Para o executivo, fatores como o clima, estilo de
vida e custo impactam diretamente na adaptação e na satisfação. “O destino não pode
ser só sonho. Ele precisa combinar com o estilo de vida do viajante e com o que
ele espera viver ali. Para um estudante que gosta de dias ensolarados, o frio
da Irlanda pode não ser o ideal. Assim como a rotina agitada de Toronto para
quem tem um perfil mais sossegado pode não funcionar”, orienta.
4. Evite se fechar em grupos de brasileiros
O especialista aponta que a prática constante do
idioma fora da sala de aula é determinante, especialmente em programas curtos.
“Quanto menor o tempo no país, maior precisa ser o nível de exposição ao
idioma. O contato frequente com a língua portuguesa, seja em conversas com
amigos ou por meio do uso de redes sociais, atrasa muito o desenvolvimento”,
alerta.
5. Ajuste as expectativas
O intercâmbio de curta duração é intenso e
enriquecedor, mas não substitui uma imersão longa. Para aqueles que buscam uma
experiência mais duradoura e imersiva do ponto de vista cultural, há programas
de intercâmbio de idiomas com duração média de seis meses, além de cursos
profissionalizantes no exterior ou até mesmo a universidade.
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