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A sarcopenia é caracterizada pela perda significativa de força, massa muscular e desempenho físico Freepik |
Conclusão é de estudo que avaliou dados de 4,5 mil pessoas acompanhadas por 14 anos. Resultado auxilia na prática clínica e na triagem de pacientes em risco sem a necessidade de exames complicados
Estudo
conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da
University College London (Reino Unido) mostrou que a sarcopenia deve ser
considerada um indicador de risco de morte mais preocupante do que a síndrome
da fragilidade. Esse achado, descrito no Journal
of Epidemiology and Community Health, auxilia na prática clínica e na
triagem de pacientes em risco sem a necessidade de exames complicados.
Fragilidade e sarcopenia são
duas síndromes bastante frequentes no envelhecimento, que têm em comum fraqueza
muscular e lentidão da marcha e que ajudam a predizer o risco de morte. Na
sarcopenia há perda significativa de força, massa muscular e desempenho físico.
Já a fragilidade tem um aspecto mais global, podendo ser caracterizada pela
presença de três ou mais dos seguintes fatores: perda de peso involuntária,
fadiga, fraqueza muscular, diminuição da velocidade de caminhada e baixo nível
de atividade física.
Vale explicar que os
especialistas classificam como “provável sarcopenia” quando o idoso apresenta
somente fraqueza muscular. Já este sintoma associado à baixa quantidade de
massa muscular fecha o diagnóstico de sarcopenia. E, quando esse quadro é
acompanhado de lentidão da marcha, identifica-se a presença de sarcopenia
grave.
“Nem todas as pessoas idosas
vão desenvolver sarcopenia ou fragilidade. Mas, em geral, quem tem fragilidade
tem sarcopenia. Por isso, a importância desse estudo em direcionar o
profissional de saúde na avaliação de risco, como uma forma de auxiliá-lo na
tomada de decisão para melhores tratamentos”, afirma Tiago da Silva Alexandre,
professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar e autor do estudo, que
foi financiado pela
FAPESP.
Os pesquisadores analisaram
dados de 4.597 participantes do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), o
estudo longitudinal de saúde da Inglaterra, acompanhados durante 14 anos. E
identificaram que, quando a fraqueza muscular era definida pela força da mão
menor do que 36 quilos (kg) para homens e 23 kg para as mulheres, o risco de
morte foi 17% maior para pessoas idosas com provável sarcopenia, 31% com
sarcopenia e 62% com sarcopenia grave, quando comparadas a participantes sem a
doença. Por outro lado, o risco de morte foi 49% maior para idosos com
fragilidade quando comparado com aqueles sem fragilidade. A condição de
“pré-fragilidade” não foi associada a aumento do risco de morte em pessoas
idosas.
“Avaliar fragilidade não é
complicado, mas acaba sendo mais demorado, pois requer questionários que
analisam exaustão e baixo nível de atividade física, além de avaliação da perda
de peso não intencional, da força da mão e da velocidade de caminhada. O
diagnóstico da sarcopenia é mais simples, feito pela avaliação da quantidade de
massa muscular, da força da mão [um indicativo da força global] e da velocidade
de caminhada em metros por segundo, sendo que a massa muscular pode ser
estimada no consultório com dados relativos a idade, sexo, peso, altura e raça
da pessoa idosa”, explica o pesquisador.
Pontos de
corte
No meio científico há ainda uma
controvérsia sobre qual seria o melhor valor de força da mão capaz de definir
fraqueza muscular. Alexandre e os demais autores do artigo defendem a
necessidade de aumentar os valores para uma triagem mais acurada (leia mais
em: agencia.fapesp.br/39770).
Os pontos de corte variam desde
36 kg e 23 kg (os mais altos) para homens e mulheres, respectivamente, até 26 kg
e 16 kg (os mais baixos). “Nesta pesquisa, analisamos a sarcopenia com os cinco
pontos de corte mais frequentes na literatura. E, com isso, identificamos que
os mais altos foram os mais eficazes para predizer o risco de morte quando as
duas condições – sarcopenia e fragilidade – são postas no mesmo modelo
matemático”, afirma.
O estudo Frailty or
sarcopenia: which is a better indicator of mortality risk in older adults? pode
ser lido em: https://jech.bmj.com/content/early/2024/10/11/jech-2024-222678.
Maria Fernanda Ziegler
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/sarcopenia-e-indicador-mais-importante-de-risco-de-morte-em-idosos-do-que-sindrome-de-fragilidade/54220
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