A nova indicação
do trastuzumabe deruxtecana no Brasil pode atender até 60% dos pacientes com
câncer de mama anteriormente classificados como HER2-negativos(1)
Com base nos resultados do estudo DESTINY-Breast04,
publicado no periódico The New Englang Journal of Medicine (1) em junho deste
ano, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a nova
indicação do medicamento trastuzumabe deruxtecana, fruto de uma aliança global
entre a farmacêutica japonesa Daiichi Sankyo e a AstraZeneca, para pacientes
adultos com câncer de mama metastático ou não ressecável, com baixa expressão
da proteína HER2 (IHC 1+ ou IHC 2+/ISH-) que tenham recebido uma terapia
sistêmica prévia, ou no cenário metastático ou que desenvolveram recorrência da
doença durante ou dentro de 6 meses após a conclusão de quimioterapia
adjuvante, e que até então não eram elegíveis ao tratamento (4).
A avaliação pela Anvisa foi feita por meio do
projeto Orbis, programa colaborativo internacional idealizado pela agência
norte americana FDA (Food and Drug Administration), que visa facilitar e
acelerar o acesso a terapias inovadoras contra o câncer em diversos países (10).
O trastuzumabe deruxtecana já está aprovado no país
desde outubro de 2021, inicialmente para o tratamento de câncer de mama
metastático HER2 positivo em 3ª linha (2) e em junho de 2022 para o tratamento
de câncer de mama metastático HER2 positivo em 2ª linha (3).
“Aproximadamente metade de todos os pacientes com
câncer de mama têm tumores que são HER2-low, que foram anteriormente classificados
como HER2 negativos e não tiveram opções de tratamento eficazes com
medicamentos direcionados ao HER2”, afirma Shanu Modi, MD, oncologista clínica
do Memorial
Sloan Kettering Cancer Center e investigadora principal do estudo
DESTINY-Breast04. “Com base nos resultados promissores do estudo
DESTINY-Breast04, os oncologistas estão começando a diferenciar os níveis de
expressão de HER2 e redefinir como o câncer de mama metastático é classificado
como uma população distinta de pacientes com baixo nível de HER2, que pode ser
elegível para trastuzumabe deruxtecana”, completa a médica.
O estudo DESTINY-Breast04 com o trastuzumabe
deruxtecana, terapia-alvo do tipo ADC (conjugado de anticorpo-medicamento),
contou com a participação de 557 pacientes com câncer de mama metastático HER2
de baixa expressão (do inglês, HER2-low). Na população geral do estudo
de pacientes com câncer de mama metastático HER2-low com receptor hormonal
positivo ou negativo, e HER2-low (tanto IHC 1+, como também IHC 2+/ISH-),
trastuzumabe deruxtecana conferiu uma redução de risco de 50% de progressão da
doença ou morte quando comparado ao grupo que recebeu quimioterapia (HR=0,50;
IC 95%:0,40-0,63; p<0,0001), com sobrevida livre de progressão mediana de
9,9 meses (IC 95%: 9,0-11,3) para trastuzumabe deruxtecana versus 5,1 meses (IC
95%: 4,2-6,8) naqueles tratados com quimioterapia, conforme avaliado pelo
Comitê de Revisão Central Independente Cega. Uma sobrevida global mediana de
23,4 meses (IC 95%: 20,0-24,8) foi observada em pacientes tratados com
trastuzumabe deruxtecana, versus 16,8 meses (IC 95%: 14,5-20,0) em pacientes
tratados com quimioterapia (HR=0,64; IC 95%: 0,49-0,84; p =0,001). Com essa
nova indicação, a população de pacientes com câncer de mama que poderá se
beneficiar do tratamento com trastuzumabe deruxtecana passa de 15% para 60% (1,9).
Mecanismo de ação do
trastuzumabe deruxtecana
Os ADCs são medicamentos que utilizam um
biomarcador como “alvo”; no caso do trastuzumabe deruxtecana, o anticorpo é
direcionado à proteína HER2, ligado a um quimioterápico que é carregado
diretamente às células tumorais que expressam HER2. É uma estratégia que
se assemelha à do “Cavalo de Troia”, pois um anticorpo monoclonal libera o
quimioterápico na célula tumoral apenas após conectar-se a ela. Com isso, o
propósito dos ADCs é aumentar a eficácia de quimioterápicos, por ser uma
terapia-alvo, e minimizar os efeitos adversos sistêmicos quando comparados à
quimioterapia convencional (5,6).
‘‘Estamos começando a desenhar uma nova história
para o tratamento de câncer de mama no Brasil com os ADCs da Daiichi Sankyo.
O sentimento é de muito entusiasmo com as novas perspectivas que essa
aprovação traz aos pacientes brasileiros. Nos últimos anos, observamos avanços
consideráveis nos recursos tecnológicos e científicos disponíveis para o
tratamento do câncer, que caminha para se tornar uma doença crônica, e não mais
uma sentença de morte. Esta aprovação permite que a população de mulheres
beneficiadas pelo tratamento seja consideravelmente ampliada, o que muda a
prática clínica e eleva o potencial de assistência às necessidades não
atendidas dos pacientes no Brasil” diz Gabriela Prior, Diretora de Assuntos
Médicos da Daiichi Sankyo Brasil.
Em todo o mundo, estima-se que 15% a 20% dos
tumores mamários apresentam superexpressão do gene HER2, sendo que
aproximadamente 50% que são classificados como negativos expressam baixos
níveis de HER2 (6,9), caracterizando como HER2-low. Já no Brasil, cerca de 66
mil mulheres serão diagnosticadas com câncer de mama no Brasil em 2022 (7),
sendo que 35% delas podem estar em fase avançada ou metastática, ou seja, cerca
de 23 mil mulheres (8). Além disso, estima-se que cerca de 36 mil casos poderão
ser classificados como HER2 de baixa expressão. (1,9)
www.daiichisankyo.com.br
Referências
(1) Modi S, et al; DESTINY-Breast04 Trial Investigators. Trastuzumab Deruxtecan
in Previously Treated HER2-Low Advanced Breast Cancer. N Engl J Med. 2022 Jul
7;387(1):9-20
(2) Diário da União. Resolução nº3.751, de 30 de 30 de setembro de 2021 –
Publicado em 04/10/2021 | Edição 188 | Seção 1 | Página 270. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-re-n-3.751-de-30-de-setembro-de-2021-350008438.
Acesso em: 27/10/2022 às 16:30
(3) Ministério da Saúde. Enhertu® (trastuzumabe deruxtecana): nova indicação.
Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/enhertu-r-trastuzumabe-deruxtecana-nova-indicacao.
Acesso em: 27/10/2022, às 15:10
(4) Bula de Enhertu.
(5) Drago JZ, Modi S, Chandarlapaty S. Unlocking the potential of antibody-drug
conjugates for cancer therapy. Nat Rev Clin Oncol. 2021 Jun;18(6):327-344.
(6) Frontiers. HER2 Low, Ultra-low, and Novel Complementary Biomarkers:
Expanding the Spectrum of HER2 Positivity in Breast Cancer. Disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fmolb.2022.834651/full.
Acessado em: 31/10/2022, às 11:00
(7) INCA. Controle do Câncer de Mama. Dados e números. Incidência. Disponível
em: https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-de-mama/dados-e-numeros/incidencia#:~:text=Para%20o%20ano%20de%202022,territ%C3%B3rio%20e%20programar%20a%C3%A7%C3%B5es%20locais.
Acesso em: 27/10/22 às 17:07h.
(8) Oncoguia. Mais de 35% descobriram câncer de mama já avançado, mostra
estudo. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/mais-de-35-descobriram-cancer-de-mama-ja-avancado-mostra-estudo/12237/42/#:~:text=Assim%20como%20ela%2C%20mais%20de,apoio%20a%20pacientes%20com%20c%C3%A2ncer.
Acesso em: 27/10/22 às 17:12h.
(9) Tarantino P, et al. HER2-Low Breast Cancer: Pathological and Clinical
Landscape. J Clin Oncol. 2020 Jun 10;38(17):1951-1962.
(10) Food And Drug Administration (FDA). Project Orbis. Disponível em: https://www.fda.gov/about-fda/oncology-center-excellence/project-orbis.
Acesso em: 1/11/22 às 13h.
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