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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Faturamento do Comércio deve crescer 2,1% em junho, impulsionado pelo Dia dos Namorados, aponta FecomercioSP

Projeção é que os segmentos mais afetados pela data faturem cerca de R$ 78,6 bilhões no período; R$ 1,6 bilhão a mais em comparação com junho de 2025

 

Estimuladas pelo Dia dos Namorados e eventos festivos, as vendas do comércio paulista devem crescer 2,1% em junho. De acordo com projeção da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a expectativa é que o faturamento das cinco atividades mais impactadas pela data atinja cerca de R$ 78,6 bilhões no mês, R$ 1,6 bilhão a mais em comparação com o mesmo período do ano passado. 

 

O Dia dos Namorados é uma das principais datas comemorativas do primeiro semestre em termos de movimentação econômica para o comércio, e, após um início de ano fraco para o setor, o momento é de oportunidade de alavancar as vendas [tabela 1].

 

[TABELA 1]

Projeção de vendas dos segmentos do varejo mais sensíveis ao Dia dos Namorados

Estado de São Paulo — junho de 2026

Fonte: FecomercioSP

Segundo a FecomercioSP, embora a economia brasileira esteja passando por um processo de desaceleração frente a um cenário marcado por juros altos e famílias endividadas com nível de inadimplência em alta, as expectativas otimistas podem ser explicadas pelo aumento de renda e do mercado de trabalho formal. Essa conjuntura significa que há um contingente maior de pessoas com capacidade de consumir. Além disso, eventos como a Copa do Mundo e as festas juninas, que também ocorrem durante o mês, ajudam a explicar o cenário mais favorável.   


Farmácias e perfumarias devem liderar crescimento, com alta de 4,8% nas vendas


A Federação acredita que, apesar de o crescimento previsto para junho parecer tímido, é preciso considerar a forte base de comparação do ano anterior. Além disso, as cinco atividades consideradas no levantamento devem apresentar alta do faturamento em relação ao mesmo período do ano passado.

 

A projeção é que as vendas das farmácias e perfumarias cresçam 4,8%, refletindo a dinâmica recente de forte expansão do setor e a preferência pela compra de produtos de beleza, cosméticos e autocuidado na hora de presentear no Dia dos Namorados.

 

As lojas de vestuários, tecidos e calçados, outro segmento muito escolhido na ocasião, devem avançar 3,5%, o que significa R$ 400 milhões a mais do que o apurado um ano atrás. Diante da concorrência com a Copa do Mundo, é importante que o empresário esteja atento à formação dos estoques, já que pode haver uma mudança no perfil do presente deste ano, com a preferência por camisas de seleções entre outros artigos esportivos ou relacionados ao evento.

 

A tradição de jantares e celebrações a dois incentivam o crescimento dos supermercados, com expectativa de alta de 1,3%. O grupo sofrerá o segundo maior impacto monetário sobre o total geral, já que apresenta o maior faturamento entre as atividades.

 

O contexto de juros elevados e de famílias endividadas, somado às incertezas econômicas, acaba refletindo negativamente na venda de bens duráveis, já que a compra depende do crédito e do comprometimento da renda por vários meses. Dessa forma, as atividades de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos (0,3%) e as lojas de móveis e decoração (0,7%) devem apresentar as menores taxas de crescimento no mês. 



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Energia que entra em campo: CPFL Paulista reforça operação para garantir qualidade no fornecimento de energia durante a Copa do Mundo

Divulgação
CPFL Energia

A CPFL Paulista anuncia um plano especial de operação para assegurar a qualidade e a continuidade do fornecimento de energia elétrica durante os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo FIFA 2026, período em que o consumo sobe de forma expressiva em todo o país, impulsionado por televisores ligados simultaneamente, reuniões familiares e eventos públicos nas cidades.

O plano, desenvolvido com base na experiência acumulada em outros grandes eventos, combina tecnologia de monitoramento em tempo real, inteligência operacional e mobilização de equipes.

 

Inteligência da rede

Uma das principais inovações do plano é o mapeamento prévio de pontos críticos: a CPFL Paulista levantou e atualizou o cadastro das unidades de transmissão de TV e dos locais de grandes aglomerações, as chamadas fan fests, que serão monitorados em tempo real pelo Centro de Operações. Todos esses pontos foram inseridos no sistema de Business Intelligence (BI) operacional da companhia e receberam marcações específicas, permitindo rastrear qualquer ocorrência com precisão e agilidade.

A equipe de operações acompanhará também a curva de carga em tempo real antes, durante e após cada partida, com atenção especial aos picos de consumo que ocorrem nos intervalos (televisores, geladeiras, aparelhos de ar-condicionado acionados simultaneamente) e ao final dos jogos, quando as rotinas comércios e industriais retomam normalmente.

 

Monitoramento meteorológico e controle de desligamentos

Para antecipar riscos climáticos, a CPFL Paulista contratará boletins e monitoramento especializados para os dias dos jogos do Brasil, da cerimônia de abertura e do encerramento do torneio.

A política de desligamentos programados seguirá critérios rígidos, garantindo que nenhuma intervenção planejada na rede coincida com os períodos de maior demanda no fornecimento: apenas obras de baixo impacto, preferencialmente sem manobras complexas, poderão ser autorizadas nos dias de jogos, e somente com conclusão mínima de quatro horas antes do início de cada partida.

 

Alinhamento com o sistema nacional

A operação da CPFL Paulista está integrada às diretrizes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que determina operação especial de segurança em toda a rede nacional nos períodos compreendidos entre duas horas antes e duas horas depois de cada jogo. O plano cobre o jogo de abertura (11/06), as três partidas da fase de grupos da Seleção Brasileira (13/06, 19/06 e 24/06) e a grande final (19/07), com extensão automática para as fases eliminatórias caso o Brasil avance.

Durante esses períodos, fica vedada qualquer intervenção que possa resultar em corte de energia em qualquer ponto do território nacional. O monitoramento contínuo das condições meteorológicas nas instalações do sistema elétrico também faz parte do protocolo.

“Estamos preparados para garantir energia segura e de qualidade durante os jogos com equipes posicionadas estrategicamente e tecnologia de ponta para monitorar a rede”, afirma Rafael Lazzaretti, diretor-presidente da CPFL Paulista.

 

Qual o futuro do ERP diante da era da IA?

No atual cenário corporativo, existe uma corrida desenfreada rumo à Inteligência Artificial. CEOs, conselhos e diretores compartilham do mesmo temor: o medo de ficar para trás. Diante dos olhos do mercado, a IA assumiu o papel de resolver gargalos históricos, acelerar entregas e cortar custos com um simples comando. No entanto, é nos bastidores dessa euforia coletiva que reside um erro invisível, silencioso e que pode custar milhões de reais: tentar acelerar a adoção de IA sem antes alcançar a maturidade operacional.   

A verdade que o mercado tenta ignorar é que a Inteligência Artificial não cria organização, mas depende dela. Isso é, dentro do ecossistema de uma empresa, velocidade sem contexto não é eficiência — é um risco financeiro e jurídico imenso. Afinal, uma IA só consegue operar com profundidade, precisão e segurança quando compreende as nuances do negócio. Dessa forma, sem uma base estruturada, a tecnologia trabalha às cegas, operando sobre dados fragmentados e gerando diagnósticos falhos que podem direcionar investimentos errados ou comprometer a conformidade fiscal.   

Neste aspecto, o ERP continua se mantendo como o elo principal para garantir o direcionamento correto. No entanto, mesmo tendo essa relevância, muitos previram, de forma precipitada, que a era da IA decretaria o fim dos sistemas de gestão tradicionais. Entretanto, a realidade aponta para o caminho oposto, uma vez que o futuro do ERP não é desaparecer, mas sim tornar-se invisível, integrando-se de forma tão profunda à inteligência operacional que passará a funcionar como o verdadeiro sistema nervoso da empresa.   

Durante décadas, o mercado enxergou o ERP sob uma ótica transacional. Seu papel era meramente registrar o que já havia acontecido: o pedido faturado, o nível do estoque, o fechamento do balancete financeiro ou o volume produzido. Com a maturidade tecnológica atual, essa dinâmica mudou drasticamente. O ERP deixa de ser um livro de registros e passa a ser o motor operacional ativo.  

Não à toa, segundo a pesquisa feita pela Censuswide com mais de quatro mil CFOs, CISOs, CIOs e CEOs em todo o mundo, 33% acreditam que o futuro está em um “ERP agêntico, com tomada de decisão autônoma orientada por IA”. Isso acontece porque é o sistema de gestão que transforma dados brutos em inteligência empresarial real.   

O que a inteligência artificial de fato elimina não é o sistema de gestão, mas a burocracia que antes podem o cercar, como interfaces manuais, tarefas repetitivas, dependência de consultas humanas morosas e workflows engessados. Em contrapartida, ela eleva drasticamente a exigência por dados confiáveis, governança e processos padronizados. Ou seja, quanto mais automações uma empresa deseja aplicar, mais sólida e madura sua base operacional precisa ser.   

Até porque, uma vez que os dados estão centralizados, o sistema não diz apenas o que aconteceu, mas dá os insumos para a IA apontar o que deve ser feito. Contudo, quando as áreas de uma empresa operam desconectadas, com cada departamento defendendo sua própria versão da verdade em planilhas paralelas, a inteligência perde o contexto, e a partir disso, a organização pode estar exposta a erros.  

E uma IA sem contexto toma decisões frágeis, que podem desalinhar o planejamento de compras, comprometer o fluxo de caixa ou gerar furos graves na cadeia de suprimentos. A integração operacional, portanto, deixou de ser uma métrica de eficiência interna para se tornar a condição de sobrevivência para a Inteligência Artificial corporativa.   

Segundo dados da McKinsey, cerca de 72% das empresas do mundo já usam essa tecnologia. Por sua vez, a respostas daquilo que a organização precisa não está necessariamente vinculada à ferramenta adquirida, mas na qualidade operacional que alimenta essa solução. O  

Sob essa nova perspectiva, o papel da implementação de um sistema de gestão ganha um peso muito mais estratégico. No passado, o sucesso de uma implantação se resumia a colocar o software para funcionar dentro do prazo e do orçamento. Hoje, implantar um sistema significa construir a fundação estrutural que sustentará toda a inteligência operacional e a escala futura da empresa.   

É por essa razão que plataformas globais e integradas, como o SAP Business One, ganham ainda mais relevância nessa nova era dos negócios. O ecossistema SAP atua justamente como esse alicerce de dados centralizados, integração nativa entre áreas, rastreabilidade ponta a ponta e governança rígida que a tecnologia exige. Além disso, utilizar uma solução consolidada de mercado garante que os processos estejam maduros e os dados limpos antes mesmo de a IA interagir com eles. Sem essa preparação prévia, a automação pode até gerar velocidade, mas dificilmente entregará consistência operacional.   

O grande movimento de mercado daqui para frente exige uma mudança de mentalidade por parte das lideranças. Empresários e gestores precisam compreender, de uma vez por todas, que a Inteligência Artificial não substitui a gestão. Ela potencializa a qualidade da gestão que já existe. Por isso, antes de buscar a próxima tecnologia revolucionária, é fundamental olhar para a base. Afinal, o sucesso do próximo passo tecnológico depende inteiramente da solidez do solo onde que está pisando hoje.  

 

Marco Vonzodas - Co-CEO da Okser.


Okser


Por que cada vez mais casais discutem sucessão e proteção de bens antes do casamento?

Canva

Junho é tradicionalmente associado ao amor. Além do Dia dos Namorados, celebrado em 12 de junho, o mês também abriga o Dia de Santo Antônio, comemorado em 13 de junho e popularmente conhecido como o “santo casamenteiro”. Enquanto muitos casais planejam o futuro a dois, cresce também o interesse por um tema que até pouco tempo era restrito a famílias: o planejamento sucessório e a proteção patrimonial.

O aumento da participação de brasileiros em investimentos financeiros, imóveis, empresas familiares e ativos nacionais e internacionais tem levado casais a incluir questões patrimoniais nas conversas sobre projetos de vida, filhos e construção de patrimônio. O objetivo não é apenas acumular bens, mas garantir que eles sejam administrados, protegidos e transmitidos de forma organizada ao longo do tempo.

 

Segundo Adriano Murta, advogado tributarista e especialista em investimentos internacionais, a mudança reflete uma nova visão sobre patrimônio e governança familiar.

 

“Durante muito tempo, planejamento sucessório foi associado apenas a grandes fortunas. Hoje, famílias com diferentes perfis patrimoniais percebem que organizar a sucessão não é apenas uma questão financeira, mas uma forma de preservar objetivos familiares, reduzir conflitos e garantir maior previsibilidade para as próximas gerações”, afirma.

 

O especialista observa que o momento ideal para iniciar esse tipo de planejamento é justamente quando tudo está em ordem.

 

“Muitas pessoas acreditam que sucessão é um tema para ser tratado apenas mais tarde, mas a realidade é que eventos inesperados podem acontecer em qualquer fase da vida. Quanto mais cedo a família organiza sua estrutura patrimonial, maiores são as possibilidades de construir soluções eficientes do ponto de vista jurídico, tributário e sucessório”, explica.

 

A discussão ganha relevância ainda maior entre famílias que possuem investimentos fora do Brasil. Com a crescente internacionalização do patrimônio dos brasileiros, ativos mantidos em outros países passaram a exigir atenção especial no planejamento familiar.

 

“A presença de investimentos internacionais adiciona um nível maior de complexidade. Cada país possui regras próprias relacionadas à sucessão, tributação e transferência de patrimônio. Sem uma estrutura adequada, a família pode enfrentar custos adicionais, conflitos entre legislações e processos sucessórios em diferentes jurisdições”, destaca Murta.

 

Para evitar esses riscos, famílias vêm recorrendo a instrumentos como holdings patrimoniais, acordos societários, mecanismos de governança familiar, estruturas internacionais e planejamentos sucessórios realizados de forma preventiva. O objetivo dessas estruturas não é apenas reduzir custos futuros, mas criar regras claras para administração, proteção e transmissão do patrimônio, contribuindo para preservar ativos e reduzir potenciais conflitos entre herdeiros.

 

Na avaliação do especialista, o principal benefício do planejamento patrimonial está na previsibilidade.

 

Quando a família define previamente como o patrimônio será administrado e transmitido, reduz significativamente os riscos de disputas, insegurança jurídica e custos inesperados. Mais do que organizar bens, trata-se de construir mecanismos que garantam continuidade, proteção patrimonial e estabilidade para as próximas gerações”, conclui Adriano Murta.

 

Adriano Murta - fundador e líder da M&P Capital Investments, especializada em assessoria e consultoria para investimentos no mercado financeiro e imobiliário dos Estados Unidos. Com mais de 20 anos de experiência, Adriano se destaca por sua habilidade em simplificar o processo de investimentos para brasileiros e investidores internacionais, oferecendo soluções personalizadas, eficazes e seguras.


O processo pode ser um fim em si mesmo?


Do que estamos falando, afinal, quando falamos em solucionar conflitos e fazê-lo de forma eficiente? A pergunta não é retórica. Ela aponta para uma tensão real e persistente na cultura jurídica brasileira: a confusão recorrente entre conduzir um processo e resolver um problema. São coisas distintas. Nem sempre caminham juntas. E, com uma frequência desconcertante, claramente não se confundem.

O processo existe para resolver conflitos. Essa é sua razão de ser, seu único compromisso legítimo com a sociedade. O Brasil, aliás, já compreendeu isso há muito no plano normativo. A Lei de Arbitragem está completando três décadas. O CPC de 2015 elencou a consensualidade como princípio estruturante do sistema de justiça. Uma Lei de Mediação foi editada e está em vigor há mais de 10 anos. A Resolução 125 do CNJ instituiu a Política Nacional de Tratamento Adequado de Conflitos. O país apostou, com seriedade e consistência, na ideia de que resolver é melhor do que litigar. O que ainda falta é que essa aposta chegue à prática de quem opera o sistema no dia a dia.

Um caso recente ilustra, com precisão cirúrgica, esse gap. Uma ação civil pública em curso há mais de dez anos perante o Poder Judiciário, sem que o recurso de apelação ainda esteja pautado para julgamento. O contrato impugnado – aquele que deu origem à demanda, que sustentou a petição inicial e que embasou anos de instrução processual – já não existe mais. A empresa ré substituiu o seu uso já há algum tempo, noticiou e comprovou isso, enviando a parte contrária o novo texto praticado. Foi além: mapeou as pessoas envolvidas na situação descrita nos autos do processo, calculou o valor médio de cada caso, apresentou proposta. Estava, enfim, disposta a resolver o problema.

A resposta que ouviu sem qualquer margem de discussão? Não. Não fazemos acordo. O fundamento: um acordo impediria que o novo contrato fosse discutido judicialmente, o que nunca sequer foi cogitado. O processo seguirá seu curso, sem horizonte de desfecho.

Quando a pessoa comprova ter abandonado a prática contestada, quando os afetados são identificados, quando o valor envolvido é calculado, quando há disposição real de composição – e ainda assim a resposta institucional é seguir tramitando, alguma coisa saiu do lugar. Não a norma. Não o processo. A direção.

Não se trata, aqui, de acusar ninguém. O problema é anterior e mais profundo. É cultural. É a crença, ainda enraizada em parte relevante do sistema, de que o processo bem conduzido é, por si só, uma forma de fazer justiça, independentemente do resultado que ele efetivamente produz para quem espera uma solução.

O destino provável de uma ação civil pública com mais de dez anos de tramitação, ainda pendente de apelação, é assustador de se imaginar – e de se descrever. Sabe-se lá mais quantos anos até o trânsito em julgado. Liquidação para apurar danos ocorridos há mais de uma década, sem garantia de que os afetados terão condições de fazê-lo. Cumprimento de sentença com todas as suas peias e amarras. O processo poderá levar anos e anos para entregar uma resposta sobre um contrato que a própria empresa já descartou, sem conseguir efetivamente fazê-lo. E aí vem a pergunta que ninguém quer responder: quem ganha com isso, afinal? Certamente não as pessoas que, em tese, a ação pretendia proteger.

Isso não significa que acordos devam ser feitos a qualquer custo, nem que a preocupação com os limites do que se está transacionando seja ilegítima. Significa, sim, que quando essa preocupação surge, a resposta não precisa ser a recusa, mas pode ser a construção cuidadosa do objeto do acordo, circunscrito ao contrato impugnado nos autos, sem tocar em relações jurídicas distintas ou em pretensões futuras que eventualmente se apresentem. Essa é uma solução conhecida, praticada, ao alcance de qualquer negociador minimamente experiente. A solução existe, ainda que se tenha optado por não percorrer este caminho.

Processos não são – e nem podem ser – fins em si mesmos. Quando passamos a tratá-los como se fossem, perdemos de vista as pessoas que estão do outro lado – aguardando, há tempos, por uma resposta que talvez já pudesse ter chegado. 



Suzana Cremasco - advogada, doutora em Direito pela UFMG, professora de Processo Civil do Ibmec e vice-presidente de procedimentos da CAMARB.


Capital registra mais de 2 milhões de veículos licenciados em 2026

Em todo o Estado de São Paulo, mais de 7 milhões de veículos já estão regularizados; calendário oficial de licenciamento começa em julho

 

Milhões de proprietários se anteciparam e já quitaram o licenciamento 2026 no Estado de São Paulo, de acordo com números do Detran-SP. Ao todo, foram licenciados 7,1 milhões de veículos entre janeiro e maio, o que representa 26% da frota ativa. A capital paulista, por sua vez, já teve 2,1 licenciamentos, ou seja, 36% do todo. 

 

O licenciamento 2026 está disponível para veículos com qualquer final de placa. A antecipação permite que o proprietário deixe a situação do veículo em dia, evitando pendências futuras e eventuais restrições. Conduzir um veículo sem o licenciamento em dia é uma infração gravíssima pelo Artigo 230 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Neste ano, após a quitação dos débitos, a atualização do documento é instantânea, garantindo mais agilidade ao processo. 

 

A forma mais rápida de licenciar é pelo portal do Detran-SP, onde o serviço pode ser concluído em poucos minutos. Pelo site, também é possível verificar débitos, pagar multas pendentes - inclusive via Pix - e regularizar o licenciamento de anos anteriores, se necessário. Para concluir o processo, é preciso quitar eventuais multas de trânsito e o IPVA, informar o número do Renavam e pagar a taxa de R$174,08. 

 

Após o pagamento, o documento digital do veículo (CRLV-e) pode ser baixado ou impresso em papel comum pelo portal do Detran-SP, do Poupatempo ou da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), além dos aplicativos Detran-SP e Poupatempo Digital. O documento pode ser salvo no celular ou mantido impresso. Também é possível pagar a taxa em bancos conveniados, por internet banking, aplicativo ou caixa eletrônico.   

 

Caso o licenciamento não esteja disponível para pagamento, o proprietário deve verificar a existência de impedimentos, como multas ou débitos pendentes, ou bloqueios administrativos ou judiciais. O calendário oficial de licenciamento começa em julho: 

 

Calendário de Licenciamento - SP 2026 


Finais 1 e 2: até 31 de julho  

Finais 3 e 4: até 31 de agosto  

Finais 5 e 6: até 30 de setembro  

Finais 7 e 8: até 31 de outubro  

Final 9: até 30 de novembro  

Final 0: até 31 de dezembro


O que acontece com seus Bitcoins se algo acontecer com você?

Instabilidade global amplia preocupação com herança digital e leva investidores brasileiros a buscar soluções de custódia mais seguras

 

A escalada das tensões geopolíticas em 2026 reacendeu o debate global sobre segurança patrimonial, continuidade de negócios e proteção de ativos digitais. Em meio ao aumento das incertezas internacionais, cresce também a preocupação com a chamada “herança digital”: o risco de patrimônios em Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) se tornarem inacessíveis em casos de morte, incapacidade, crises sistêmicas ou falhas de custódia. 

O tema ganhou força à medida que cresce a adoção de criptoativos no mundo e no Brasil, especialmente do Bitcoin. Dados recentes do relatório Global Crypto Adoption Index 2026, da TRM Labs, colocam o Brasil na quinta posição global em adoção de criptoativos no varejo, refletindo o aumento do interesse de investidores pessoas físicas nesse mercado. Com isso, especialistas alertam para a necessidade de planejamento sucessório e de mecanismos de proteção patrimonial voltados aos ativos digitais. A preocupação envolve principalmente recursos armazenados em exchanges estrangeiras, estruturas sem proteção regulatória local e a ausência de processos que garantam a continuidade patrimonial em situações de emergência. 

Segundo Cleverson Pereira, Head Educacional da OnilX, a discussão sobre segurança digital evoluiu e hoje envolve não apenas proteção tecnológica, mas também continuidade patrimonial, governança e segurança jurídica. Para ele, o amadurecimento do mercado de ativos digitais exige que investidores passem a tratar criptomoedas da mesma forma que outros bens patrimoniais, incluindo planejamento sucessório e estruturas adequadas de custódia. 

“Segurança não é apenas esconder chaves; é garantir que o patrimônio seja transferível e legalmente protegido, não importa o cenário global. Em um ambiente de instabilidade internacional, conflitos geopolíticos e aumento dos riscos operacionais, cresce a necessidade de estruturas que assegurem acesso, rastreabilidade e continuidade desses ativos no longo prazo”, afirma Pereira. 

O executivo destaca que muitos investidores ainda mantêm ativos digitais de forma centralizada em dispositivos pessoais, anotações privadas ou exchanges internacionais, sem qualquer organização sucessória ou mecanismo formal de recuperação de acesso. Segundo ele, essa falta de planejamento pode resultar em perda definitiva do patrimônio e gerar dificuldades jurídicas e operacionais para familiares em emergências. 

“Em muitos casos, apenas uma pessoa possui acesso às senhas ou às carteiras digitais. Se houver um imprevisto, os ativos podem ficar inacessíveis para sempre. O mercado começa a entender que custódia também significa continuidade patrimonial. Não basta apenas possuir o ativo; é preciso garantir que ele possa ser acessado, protegido e transferido de forma segura para as próximas gerações”, explica o especialista.

 

Como proteger seu patrimônio digital  

Segundo o advogado especialista em Direito Civil Rafael Medeiros, do GMP G&C Advogados Associados, uma das formas mais importantes de reduzir o risco de perda de patrimônio digital é estruturar previamente um planejamento sucessório que contemple os criptoativos. Isso porque, diferentemente de ativos bancários tradicionais, muitas carteiras digitais dependem exclusivamente do conhecimento do titular sobre senhas, seed phrases, autenticações multifatoriais ou dispositivos específicos de acesso. “O grande problema, na prática, não costuma ser a inexistência do direito hereditário sobre os criptoativos, mas a impossibilidade técnica de acesso aos ativos após a morte ou incapacidade do titular”, detalha o advogado. 

De acordo com o advogado, a recomendação envolve implementar mecanismos formais de governança patrimonial e sucessória, com organização segura das informações de acesso e definição prévia de procedimentos para situações emergenciais. Dependendo da estrutura e do volume patrimonial, podem ser utilizados instrumentos como testamentos, holdings familiares, protocolos de custódia compartilhada, estruturas de multiassinatura e documentação jurídica voltada especificamente para ativos digitais. “O testamento, por exemplo, pode disciplinar a destinação patrimonial e registrar a existência dos ativos sem necessariamente expor informações sensíveis. Já estruturas mais sofisticadas de planejamento patrimonial tendem a ser utilizadas em patrimônios digitais mais relevantes ou em operações ligadas ao ecossistema cripto”, destaca Medeiros.

O especialista ressalta ainda que depender exclusivamente da memória do titular, de dispositivos únicos ou de armazenamento informal aumenta significativamente o risco de perda permanente dos ativos. “Em patrimônio digital, segurança e sucessão precisam caminhar juntas. O grande desafio jurídico contemporâneo é equilibrar proteção patrimonial, privacidade e transmissibilidade sucessória de ativos altamente sensíveis”, completa o advogado.

 

Paixão nacional x jornada normal de trabalho: quem ganha?


A Copa do Mundo chegou e todo mundo quer saber se os dias de jogos são dias de trabalho ou dias de folga. O futebol passa ocupar o lugar da lei.  Como se fosse onda, a vida vai se expandindo em torno das partidas e já não se sabe se é entusiasmo - ou se a vontade de não trabalhar também é uma forma de torcer.

É verdade, tem gente que nem vai assistir os jogos da seleção brasileira e quer faltar ao trabalho. E também tem o contrário. Seja lá o que for, há algo simples que merece ser lembrado: futebol não é e nunca foi feriado nacional. A legislação brasileira não prevê a suspensão da jornada em dias de jogos do Brasil. Também não existe imposição unilateral de compensação de jornada, banco de horas ou obrigações de alterar o ritmo de trabalho.

A grande jogada é que as empresas que quiserem podem flexibilizar horários.  E aí vem um detalhe: flexibilização é uma coisa, driblar a lei, é outra.  Se não é feriado, é dia de trabalho. E dia de trabalho remunerado. Quem quiser fazer algo diferente que faça certo. Como no futebol, a diferença entre bola e gestão é uma falta, está nos detalhes.

Sugiro que as empresas cumpram a lei e que não se sintam oprimidas por todos os que as incentivam fazer certa com os direitos trabalhistas.  Futebol tem acréscimo. Reclamatórias trabalhistas também. Dia de jogo é dia de trabalho. Não é feriado nacional. Nunca foi. 

Quando o Brasil quer parar oficialmente, existe uma lei para tal fim, eis que o legislador criou regras especiais para os feriados nacionais, aonde não estão incluídos os jogos de futebol, nem mesmo os de Copa do Mundo. Conclusão: no dia de jogo da copa, aplicam-se as regras normais da jornada de trabalho.

Se a empresa resolver flexibilizar e liberar o pessoal antes do jogo, sem exigir compensação, não há pagamento de extras; é uma liberalidade da empresa. Se por sua vez, combinar compensação, também não haverá pagamento extra apenas por causa do jogo.  Mas há um detalhe importante: a compensação tem que ser feita de acordo com as regras próprias para esse intuito, respeitando limites legais e instrumentos coletivos aplicáveis. Nada de banco de hora de ocasião, nada de colocar todo mundo para trabalhar até meia noite antes dos jogos, e cuidado em transformar liberalidade em prejuízo.

O patrão pode escalar o time como quiser, mas não pode mudar as regras no meio da partida. Tudo terá que estar documentado e decidir previamente a melhor solução: se todo mundo vai trabalhar, se farão compensação ou até se vão usar home office. Todos os modelos podem ser utilizados, mas uma coisa é certa: a compensação não nasce da torcida, nem dos entusiasmos pelo jogo, mas sim de um instrumento jurídico válido: um acordo. Esse acordo pode ser individual e escrito ou da forma prevista na convecção coletiva de trabalho.  No Direito do Trabalho nada se resolve com o grito da torcida, tudo precisa estar formalizado nos instrumentos previstos em lei.

Como todo artigo exige opinião, vão me perguntar o que eu faria, ou qual a melhor solução para as empresas nos dias de jogo? A melhor solução é a que melhor atende os interesses de ambas as partes. O caminho do meio. Ou liberação total e não se fala mais nisso, ou compensação. Uma coisa é completamente diferente da outra.

 O importante é não confundir liberalidade como liberação, porque metaforicamente, são jogos muito diferentes. A partida dura noventa minutos e uma discussão sobre horas extras dura anos. Assim, a melhor jogada é a preventiva. Se a empresa pretende flexibilizar, o ideal é planejar, comunicar e formalizar previamente.  Não existe problema nenhum em organizar a rotina da empresa em torno de um evento esportivo relevante. O que não pode é fazer o improviso. Tudo tem que ser feito antes do apito inicial.

Entre a paixão pelo futebol e a legislação trabalhista, vai ganhar quem cumprir a lei. Essa é a única tática. Improvisar é caro e quando o lance vai para a marca do pênalti, a vitória raramente pertence a quem improvisou melhor, pertence a quem se preparou melhor.

 

Maria Inês Vasconcelos - advogada e escritora

 

Dia dos Namorados: aprenda expressões carinhosas em inglês para surpreender quem você ama

Magnific
Além dos tradicionais “I love you”, apelidos e expressões afetuosas em inglês podem deixar a data ainda mais especial e ajudar a ampliar o vocabulário no idioma

 

O Dia dos Namorados é uma das datas mais aguardadas pelos casais e, para quem deseja sair do óbvio, usar expressões carinhosas em inglês pode ser uma forma criativa de demonstrar afeto. Além de tornar as mensagens mais divertidas e personalizadas, os apelidos românticos também ajudam a praticar o idioma de maneira leve e contextualizada. Segundo Márcia Lima, coordenadora pedagógica do Yázigi, incorporar palavras e expressões em outra língua no dia a dia é uma estratégia eficiente para desenvolver a fluência. 

“Quando aprendemos o idioma por meio de situações reais e afetivas, como uma conversa com alguém especial, a memorização acontece de forma mais natural. Os apelidos carinhosos fazem parte da cultura da língua inglesa e são muito utilizados entre casais”, explica. A especialista ainda destaca que muitos dos termos mais populares fazem referência a características positivas, doces ou elementos da natureza. Entre os apelidos mais conhecidos para namoradas estão baby, baby doll, butterfly, cupcake, queen e flower. Já para namorados, algumas opções bastante utilizadas são darling, handsome, prince, charming e loverboy. 

Há também expressões que podem ser usadas por qualquer pessoa, independentemente do gênero. Entre elas estão honey, sweetheart, sunshine, angel, cutie pie, love of my life, my other half e precious. TMárcia ressalta que essas palavras aparecem frequentemente em músicas, filmes e séries. “Quem consome conteúdos em inglês certamente já ouviu expressões como honey, baby ou darling. Elas ajudam tanto na comunicação quanto na compreensão da cultura e das formas de demonstrar carinho em diferentes contextos”, afirma.

 

Dicas para usar as expressões sem errar

Para quem quer aproveitar o Dia dos Namorados para praticar o idioma, a coordenadora pedagógica do Yázigi separou algumas orientações. Prefira apelidos simples e populares, como baby, honey e sweetheart. Observe o contexto, já que algumas expressões são mais comuns entre casais e outras podem ser usadas de forma amigável. Inspire-se em músicas e filmes, que trazem exemplos autênticos do uso dessas palavras. Use com naturalidade, em mensagens, cartões ou durante conversas do dia a dia. Evite traduções literais, pois muitos apelidos carregam significados culturais específicos. 

Entre as músicas que ajudam a entender essas expressões estão clássicos como Love of My Life, do Queen; Adore You, de Harry Styles; e Stand By Me, de Ben E. King, que utilizam termos carinhosos amplamente conhecidos pelos falantes da língua inglesa. “Mais do que aprender novas palavras, o importante é usar o idioma para criar conexões. O inglês pode ser uma ferramenta para expressar sentimentos, aproximar pessoas e tornar momentos especiais ainda mais memoráveis”, conclui Márcia Lima.

 

Yázigi


Quais os riscos e como empresas atuam para proteger dados sensíveis de estudantes no Brasil

Adoção de plataformas de gestão acadêmica seguras se torna essencial para reduzir vulnerabilidades e garantir a integridade dessas informações

 

A crescente digitalização do ensino tem ampliado a necessidade de segurança e proteção de dados no ambiente educacional. Informações de estudantes, professores e responsáveis circulam diariamente entre sistemas e processos administrativos, tornando instituições de ensino alvos frequentes de ataques cibernéticos. Nesse cenário, a adoção de plataformas de gestão acadêmica seguras surge como um passo essencial para reduzir vulnerabilidades e garantir a integridade dessas informações. 

Atualmente, já há soluções que atuam na centralização e no controle dos dados, enfrentando um dos principais riscos do setor: a dispersão de informações em planilhas e documentos físicos. Exemplo disso é o Gennera One, aplicativo da Gennera, empresa especializada em gestão educacional para ensino básico e superior. A ferramenta tem controle de acesso granular, garantindo que cada colaborador visualize apenas o necessário para sua função, além de contar com infraestrutura em nuvem de alta segurança, com criptografia e backups automáticos. 

De acordo com Gabriel Barreto, vice-presidente da Gennera, a proteção de dados no ambiente educacional passa necessariamente pela organização das informações. 

“O maior risco hoje não está apenas em ataques externos, mas na forma como os dados são armazenados e compartilhados internamente. Centralizar e controlar o acesso é o primeiro passo para reduzir vulnerabilidades reais nas instituições”, afirma. 

Entre os dados mais visados por criminosos estão os chamados “combos completos” de identidade, que incluem informações cadastrais como CPF e RG, dados sensíveis como endereços e rotinas, além de informações financeiras de responsáveis, incluindo cartões de crédito utilizados no pagamento de mensalidades. Segundo Gabriel, esse conjunto de dados é altamente valioso e pode ser explorado em fraudes diversas, especialmente envolvendo menores de idade. 

Em casos de vazamento, conforme ele, os impactos vão além do ambiente digital. No aspecto operacional, ataques como ransomware podem paralisar atividades essenciais, como matrícula e lançamento de notas. Financeiramente, as instituições enfrentam multas, custos com perícia e, principalmente, perda de alunos devido à quebra de confiança. Já no campo legal, processos judiciais e sanções administrativas previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ampliam ainda mais os prejuízos. 

A LGPD, inclusive, exige que escolas e universidades adotem critérios rigorosos na coleta, uso e armazenamento das informações. Isso inclui limitar a coleta ao mínimo necessário, garantir base legal para cada dado, dar atenção especial a dados de menores e assegurar que os titulares possam acessar ou solicitar a exclusão de suas informações dentro dos prazos legais. 

Gabriel ainda destaca que para fortalecer a segurança digital sem comprometer a rotina pedagógica, a centralização em plataformas seguras se torna prioridade, aliada à gestão rigorosa de acessos e à capacitação das equipes. 

“A segurança não pode depender apenas de processos manuais ou da atenção individual. É preciso investir em tecnologia adequada e na conscientização das equipes, transformando cada colaborador em parte ativa na proteção dos dados”, finaliza.
 

Fragilidade na estrutura do processo

Com a digitalização das rotinas administrativas, escolas e universidades passaram a concentrar grandes volumes de dados sensíveis em ambientes digitais, desde documentos de matrícula a informações financeiras e registros acadêmicos. Embora o foco esteja muitas vezes na experiência do aluno e na agilidade do processo, a segurança dessas informações ainda é tratada como etapa secundária em parte das instituições. 

Para Carlos Tatara, CTO da Bry, empresa referência nacional em tecnologia de identificação digital do grupo Certifica&Co, a fragilidade costuma estar na estrutura do processo. “Digitalizar não é apenas substituir o papel pelo PDF. É necessário garantir autenticidade, integridade e rastreabilidade em todas as etapas”, afirma. 

O período de maior demanda para soluções de contratos e assinaturas digitais acontece entre agosto e o fim do ano, quando as instituições concentram matrículas para o ano letivo seguinte. O aumento do volume transacional costuma pressionar ainda mais esses sistemas e exige infraestrutura e mecanismos escaláveis de autenticação. “O setor educacional tem forte sazonalidade e grande volume de contratos em um curto espaço de tempo. Se a arquitetura não estiver preparada, falhas técnicas podem se transformar em brechas de segurança”, diz Tatara. 

Além da eficiência operacional, a adoção de contratos digitais contribui para a integridade e a rastreabilidade dos documentos escolares, que podem ser assinados com validade jurídica. “Instituições de ensino lidam com dados pessoais de menores, responsáveis e colaboradores. Tratar a segurança digital como prioridade é parte da estratégia de conformidade e reputação”, conclui o CTO.
 

A voz de quem precisou lidar com isto na prática

Para Marcos Gomes e Daniel Cadorin, sócios-fundadores da Dédalo, a segurança de dados não é um problema atual, mas que evoluiu com o tempo. “Trabalhamos em uma universidade estruturando a área de Segurança da Informação, até então desconhecida. Éramos apenas dois profissionais com perfil técnico focados no que era mais urgente: evitar que a rede caísse ou que alguém invadisse um servidor. A atuação era essencialmente operacional, voltada à infraestrutura, sem que o tema ainda fosse percebido como estratégico pela instituição”, relembra Marcos. 

“Antes havia resistência, não porque as pessoas eram contra segurança. Mas porque a segurança ainda não era percebida como um risco estratégico. Era vista como algo técnico demais”, ressalta. Segundo ele, como este processo leva tempo, ainda se faz necessário um trabalho constante de conscientização: mostrar exemplos reais de ataques a universidades, demonstrar o impacto reputacional e explicar que um incidente não afeta apenas servidores, afeta alunos, pesquisas, matrículas e credibilidade. 

Segundo um dos especialistas, um dos erros mais recorrentes das instituições é tratar a Lei Geral de Proteção de Dados como um projeto jurídico pontual, e não como uma transformação institucional. “Muitas universidades começam pela política de privacidade, pelos termos e pela documentação, o que é importante, mas isso é apenas a camada visível”, explica Daniel Cadorin. Sem controle efetivo de acesso, revisão de privilégios, monitoramento de logs, testes de backup e plano formal de resposta a incidentes, cria-se uma falsa sensação de conformidade. “LGPD não é papel assinado, é capacidade real de proteger dados. E isso envolve tecnologia, processos e, principalmente, cultura”, reforça. 

No ambiente universitário, naturalmente descentralizado, o equilíbrio entre liberdade acadêmica e segurança exige inteligência de risco. Ou seja, não se trata de bloquear tudo, mas de aplicar o princípio do menor privilégio, segmentar ambientes e investir continuamente em conscientização. “Liberdade e controle não são opostos, precisam coexistir. O que não pode existir é acesso irrestrito a tudo”, afirma Marcos. Para ele, o risco de enxergar a cibersegurança como custo é a paralisação institucional. “Um ataque pode interromper aulas, matrículas, pesquisas e afetar a reputação construída ao longo de anos. A pergunta hoje não é se a instituição será alvo, mas se estará preparada para detectar, conter e restaurar suas operações”.
 

Proteção de dados como pilar da gestão educacional

A proteção de dados de crianças e adolescentes tornou-se uma das principais responsabilidades das instituições de ensino diante do avanço das ameaças digitais. Além de gerenciar um grande volume de informações pessoais, acadêmicas e financeiras, escolas e universidades precisam enfrentar riscos que vão desde vazamentos e exploração comercial indevida até questões de segurança no ambiente digital, como o cyberbullying, o assédio e o racismo. 

“Crianças e adolescentes são grupos vulneráveis, e o vazamento de suas informações pode trazer consequências graves para o seu bem-estar emocional, físico e social. Garantir a segurança desses dados é preservar o direito do estudante de errar e aprender sem carregar um histórico que o prejudique no futuro”, afirma Ezequiel Garcia, diretor de Tecnologia e Inovação e Data Protection Officer (DPO) da Betha Sistemas. Segundo ele, a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) não é apenas uma obrigação legal, mas um fator essencial para manter a credibilidade junto às famílias. 

Mesmo diante de limitações orçamentárias, especialmente no setor público, é possível avançar por meio de mudanças culturais, governança estruturada e uso estratégico da tecnologia. A criação de comitês e o inventário de dados ajudam a instituição a entender não apenas como proteger, mas por que coleta cada informação, garantindo que o tratamento de dados ocorra sempre no melhor interesse do menor. 

A capacitação contínua de professores, alunos e famílias reduz vulnerabilidades como phishing e o uso de redes Wi-Fi desprotegidas. Afinal, a cibersegurança é uma responsabilidade compartilhada entre a escola e a comunidade. Medidas técnicas como autenticação em dois fatores, criptografia, backups regulares e anonimização fortalecem essa barreira de proteção. “A governança de dados é o pilar central para que a LGPD seja cumprida de forma prática. Não se trata de proibir o uso de dados, mas de garantir que eles sejam utilizados com ética, transparência e foco na melhoria do ensino”, destaca Garcia. 

O cenário atual exige sistemas que já nasçam com o Privacy by Design (onde a privacidade é a premissa desde a concepção do software), garantindo segurança nativa. Para os próximos anos, a tendência é o aprofundamento da inteligência de dados para análises preditivas com um rigor ainda maior em ética e transparência algorítmica, consolidando a segurança da informação como uma estratégia permanente e inegociável de gestão educacional.
 

Dados roubados podem ser usados mais de uma única vez 

As instituições de ensino passaram a concentrar um ativo altamente valioso com a digitalização do setor: grandes bases de dados organizadas de alunos, incluindo menores de idade, atualizadas e interligadas a sistemas financeiros, acadêmicos e administrativos, o que amplia o potencial de impacto de golpes. “Estamos falando de ambientes com milhares de registros estruturados, históricos completos e informações que permitem mapear a vida acadêmica e financeira dos estudantes. Isso torna o ambiente bastante frutífero para ataques. Para um criminoso, é um alvo com alto valor agregado”, explica Henrique Arcoverde, Chief Technology Officer (CTO) da Tempest Security Intelligence, empresa referência em cibersegurança no Brasil. 

Quando um incidente ocorre, o problema não se restringe à interrupção das aulas ou à indisponibilidade de plataformas, mas sim na exposição ou no sequestro de dados, que pode desencadear ataques secundários. Informações acadêmicas, laudos médicos, registros disciplinares e dados financeiros podem ser utilizados para campanhas de phishing direcionadas ou extorsões. “O adversário pode usar os dados roubados para se passar pela própria instituição e tentar extrair recursos financeiros ou informações adicionais das vítimas”, afirma Arcoverde. “O dado roubado raramente é usado uma única vez. Ele pode alimentar novas tentativas de fraude, engenharia social ou extorsão”. 

A recomendação é que as instituições adotem os mesmos padrões rigorosos de governança e proteção exigidos em outros segmentos críticos. Entre as medidas prioritárias, estão a autenticação multifator para contas institucionais, ferramentas de detecção e resposta instaladas nos dispositivos da organização, análise do tráfego de rede e integração com serviços de inteligência de ameaças.

“Garantir segurança absoluta não é possível, mas negligenciar o tema também não é opção. As regulações servem como um guia do que precisa ser feito. Além disso, campanhas de conscientização e simulações ajudam a reduzir o risco humano, que ainda é um dos principais vetores de ataque”, conclui Henrique.


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