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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Internações por gripe avançam no Brasil e especialista alerta para risco de casos graves mesmo fora dos grupos de risco

Foto gerada por Inteligência Artificial.
Divulgação


Circulação antecipada de cepas mais agressivas da influenza e baixa percepção sobre a gravidade da doença preocupam o especialista; vacinação segue como principal forma de prevenção 

O aumento das internações por gripe no Brasil em 2026 tem chamado atenção de especialistas e reforçado o alerta para a importância da vacinação contra a influenza. Dados recentes do Ministério da Saúde apontam crescimento nos casos graves e nas hospitalizações relacionadas ao vírus, cenário associado à circulação antecipada de cepas mais agressivas da doença.

Segundo Natan Chehter, geriatra e professor do curso de Medicina da Unicid, a intensidade das temporadas de gripe varia de acordo com os tipos de vírus influenza em circulação. “Quando falamos de influenza, estamos falando de vários vírus diferentes. Alguns subtipos, como determinados H3N2 e H1N1, têm comportamento mais agressivo e estão associados a quadros mais graves e maior número de hospitalizações”, explica. 

O especialista afirma que o comportamento observado neste ano pode estar relacionado a mudanças nas características do vírus. “Existe a possibilidade de mutações que favoreçam a circulação mais precoce ou aumentem a capacidade de transmissão. Isso acontece porque os vírus sofrem alterações constantes, o que também impacta a eficácia das vacinas”, diz. 

Chehter explica que a formulação da vacina contra gripe é definida com base nos vírus que circularam recentemente no hemisfério norte. “As vacinas incorporam os tipos de influenza que tiveram maior circulação no inverno do hemisfério norte (quando ainda é verão no Brasil), mas eventualmente os vírus que predominam aqui podem apresentar diferenças”, afirma. 

Embora muitas pessoas associem a gripe a um quadro leve, o médico reforça que a influenza pode evoluir para complicações importantes. “O objetivo da vacina não é necessariamente impedir a infecção, mas reduzir o risco de formas graves, internações, necessidade de UTI e morte”, destaca. 

Entre os principais riscos estão insuficiência respiratória, necessidade de suporte ventilatório e infecções secundárias, como pneumonias bacterianas. “A influenza pode comprometer o sistema imune e deixar o organismo mais vulnerável a outras infecções, especialmente pulmonares”, explica o médico. 

O professor ressalta que idosos, crianças, imunossuprimidos e pessoas com doenças crônicas continuam sendo os grupos mais vulneráveis. Ainda assim, pessoas sem comorbidades também podem evoluir para quadros graves em determinadas situações. “Sono inadequado, alimentação ruim, estresse e outras condições que debilitam o organismo podem impactar a resposta imunológica mesmo em pessoas consideradas saudáveis”, afirma. 

Entre os sinais de alerta estão dificuldade para respirar, queda da saturação de oxigênio, febre persistente, cansaço intenso e dificuldade para se alimentar. “Quando o esforço respiratório aumenta muito ou há sinais de exaustão, é fundamental procurar atendimento médico rapidamente”, alerta. 

Além da vacinação, medidas de prevenção continuam sendo recomendadas, especialmente durante períodos de maior circulação viral. “A lógica é parecida com a que aprendemos durante a pandemia de Covid-19: higienizar as mãos, usar máscara quando estiver com sintomas respiratórios, evitar ambientes fechados e cuidar da saúde de forma geral”, orienta. 

Para o especialista, hábitos básicos seguem sendo essenciais para fortalecer o organismo. “O sistema imune é reflexo da saúde como um todo. Alimentação adequada, sono de qualidade e atividade física têm impacto direto na capacidade do corpo de responder às infecções”, conclui ele.

Universidade Cidade de São Paulo – Unicid

www.unicid.edu.br


 

Maior estudo genômico do Brasil encontra mutação hereditária em 1 a cada 10 pacientes com câncer e em quase 40% dos seus familiares

Estudo nacional com sequenciamento de genoma completo em pacientes com câncer de mama, próstata e colorretal no SUS mostra que até 10,7% dos casos têm origem hereditária e que 38% dos seus familiares carregam as mesmas variantes, evidenciando o papel estratégico do teste genético no rastreamento, na prevenção e na organização do cuidado oncológico na saúde pública 

 

Publicado inicialmente online e com edição prevista para o volume de junho de 2026 da revista científica The Lancet Regional Health – Americas, o Brazilian Genome Map Oncology Subproject traz evidências inéditas sobre o impacto da genômica no cuidado oncológico no Brasil. O estudo realizado no âmbito do PROADI-SUS, mostra que entre 7,1% e 10,7% dos pacientes com câncer de mama, próstata e colorretal apresentam variantes germinativas patogênicas ou provavelmente patogênicas associadas à predisposição hereditária. O achado ganha ainda mais relevância quando analisado em conjunto com os dados familiares, que mostra que entre os parentes testados, 38% carregavam a mesma alteração genética, consolidando o potencial do rastreamento em cascata como estratégia de prevenção e diagnóstico precoce.

Na prática, os resultados demonstram que o teste genético não se limita ao paciente, mas se expande para a família, permitindo identificar indivíduos com risco elevado antes do desenvolvimento da doença. Trata-se de um movimento que desloca o cuidado oncológico de uma abordagem centrada no tratamento para um modelo que incorpora prevenção, vigilância e estratificação de risco com base em evidências genômicas.

“Quando encontramos uma alteração genética hereditária no paciente, conseguimos investigar de forma muito mais direta os seus respectivos familiares, procurando exatamente essa mesma alteração. Isso torna o processo mais simples, rápido e acessível. No estudo, vimos que 38% dos familiares testados também tinham essa alteração, o que mostra que é possível identificar pessoas com maior risco antes mesmo de a doença aparecer, abrindo espaço para prevenção e diagnóstico precoce”, afirma o urologista e cirurgião oncológico Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR), coordenador dos Departamentos Cirúrgicos Oncológicos da BP e pesquisador principal do estudo.

Os dados mostram ainda que a presença de mutações hereditárias varia conforme o tipo de tumor. A maior frequência foi observada no câncer de mama, com 10,7% dos casos, seguida pelo câncer de próstata, com 9,2%, e pelo câncer colorretal, com 7,1%. Essa distribuição reflete o papel já conhecido de genes como BRCA1, BRCA2 e TP53 nos tumores de mama, de ATM, CHEK2 e HOXB13 nos tumores de próstata e de genes de reparo de DNA, como MLH1, MSH6 e PMS2, nos tumores colorretais.

“Os resultados mostram que cerca de 10% dos pacientes carregam variantes germinativas relevantes, mas esse número varia conforme o tipo de tumor. No câncer de mama, por exemplo, essa proporção é maior, enquanto no colorretal é menor, embora ainda significativa. Isso reforça que a genética tem um papel diferente em cada doença, mas, em todos os casos, a identificação dessas variantes muda a forma como conduzimos o cuidado”, explica Guimarães.


PROADI-SUS e o fluxo integrado do estudo

O estudo foi desenvolvido dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde, o PROADI-SUS, que viabiliza projetos estruturantes em parceria com hospitais de excelência. No caso do braço oncológico do Brazilian Genome Map, o desenho conecta centros de referência distribuídos pelo país a um laboratório central de genômica, sob coordenação da BP.

O fluxo assistencial começa com a inclusão de pacientes com diagnóstico recente de câncer, passa pela coleta de dados clínicos, epidemiológicos e familiares e pela obtenção de amostras de sangue e tecido tumoral. Essas amostras são submetidas ao sequenciamento de genoma completo, permitindo a análise integrada de variantes germinativas e somáticas. O processo inclui aconselhamento genético antes e depois dos testes e, nos casos positivos, a oferta de testagem direcionada para familiares.

Esse modelo cria uma ponte direta entre pesquisa e prática clínica, permitindo que os resultados retornem ao paciente e à sua família com recomendações baseadas em diretrizes internacionais. Ao mesmo tempo, consolida um banco de dados robusto para análises futuras, ampliando o potencial de impacto em saúde pública. Conforme explica Guimarães, é uma estratégia que, ao ser incorporada de forma progressiva no SUS, pode contribuir para reduzir desigualdades no acesso ao diagnóstico genético e qualificar a tomada de decisão clínica em diferentes níveis de atenção.


Perfil clínico e fatores de risco reforçam relevância do rastreamento

Além dos achados genéticos, o estudo traça um panorama detalhado dos pacientes incluídos. A média de idade ao diagnóstico variou entre 55 anos no câncer de mama, 65,3 anos no câncer de próstata e 58,9 anos no colorretal. Houve predominância de mulheres, reflexo do peso do câncer de mama na amostra, e maioria de indivíduos autodeclarados pardos.

Os dados de estilo de vida mostram diferenças relevantes entre os grupos. O tabagismo foi menos frequente entre pacientes com câncer de mama, enquanto o consumo de álcool foi mais elevado entre os pacientes com câncer de próstata. A alimentação apresentou padrões semelhantes entre os três tipos tumorais, com alta ingestão de açúcar refinado e consumo frequente de alimentos ultraprocessados, além de elevada prevalência de sedentarismo.

Outro ponto de destaque é o histórico familiar. Os dados mostram que 75,3% dos pacientes relataram pelo menos um parente com câncer, com alta frequência de casos em familiares de primeiro e segundo grau. Entre esses familiares, os tumores mais comuns incluíram próstata, mama, cólon (intestino grosso), pulmão e neoplasias hematológicas, evidenciando a diversidade de manifestações associadas à predisposição genética.

Esse conjunto de informações reforça que o risco oncológico não é determinado apenas por fatores genéticos isolados, mas por uma interação complexa entre herança, ambiente e comportamento. Nesse contexto, a incorporação da genômica permite refinar essa análise e orientar estratégias mais personalizadas.


Impacto direto na prevenção e no cuidado oncológico

A combinação entre sequenciamento genômico, aconselhamento genético e rastreamento em cascata aponta para uma transformação do cuidado oncológico no SUS. Ao identificar indivíduos em risco elevado, torna-se possível antecipar diagnósticos, ajustar estratégias de vigilância e, em alguns casos, implementar medidas preventivas antes do surgimento da doença.

“Esse modelo integrado mostra que conseguimos sair da pesquisa e chegar ao paciente. O sequenciamento de genoma completo, associado ao aconselhamento genético e ao rastreamento em cascata, permite identificar indivíduos de alto risco, orientar estratégias de prevenção e, ao mesmo tempo, direcionar o tratamento com base em alterações moleculares. Isso tem o potencial de transformar o cuidado oncológico no SUS, tornando-o mais preciso, mais eficiente e mais focado no paciente e na sua família”, afirma Guimarães.

Além do impacto na prevenção, os dados genômicos também contribuem para o direcionamento terapêutico, especialmente com a identificação de variantes somáticas que podem orientar o uso de terapias-alvo e influenciar decisões clínicas. O estudo demonstra, assim, que a medicina de precisão é viável no contexto do sistema público brasileiro e pode ser incorporada de forma estruturada.

O estudo foi conduzido em nove centros públicos de referência em oncologia distribuídos pelas cinco regiões do Brasil, refletindo a diversidade populacional e epidemiológica do país. A iniciativa integra o Programa Brasileiro de Genoma e contou com financiamento do Ministério da Saúde, por meio do PROADI-SUS.



O artigo científico 

Ferreira FO, Rossi BM, Palmero EI, Carvalho Barros LR, Domingos de Nicola P, Monteiro Dos Santos EM, Pereira de Souza J, Thiago de Souza-Santos P, Matta BP, da Silva Sabato C, Braz NC, Monteleone VF, Campacci N, Bastos GM, Guerra TS, Quirino CV, Pereira N, de Oliveira Costa M, Alves da Silva A, Serra AL, Lopes AJ, Alves Coelho BL, Mylla de Aguiar D, Chagas GL, Silva da Costa J, Lima JF, Jaqueline de Souza M, Oliveira SR, da Fonseca C, Cascapera F, Alencar de Moura FA, Perroni Dos Santos G, Guimaraes da Silva L, Campacci L, Sacilotto L, Soares Dos Santos S, Queiroz WDS, Goto GT, Badesso Fonseca TR, De Oliveira Mattoschoell VY, Rosa RO, Sandoval RL, Gambardella DD, Ciconelli RM, Beraldo da Costa Saad M, Guimaraes GC; Collaborative Working Group “Brazilian Genome Map Oncology - BGMO”. The Brazilian Genome Map Oncology Subproject: a nationwide multicentre hospital-based whole-genome sequencing study of breast, prostate, and colorectal cancer. Lancet Reg Health Am. 2026 Apr 27;58:101470. Disponível em https://www.thelancet.com/journals/lanam/article/PIIS2667-193X(26)00100-6/fulltext

  

Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica Dr. Gustavo Guimarães – IUCR


Maio Furta-cor reforça alerta sobre depressão pós-parto e saúde mental matern

Magnific
Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista orienta sobre sinais de alerta no pós-parto e a importância do acolhimento às mães 


Maio costuma ser lembrado pelas homenagens às mães. Mas, por trás das mensagens de afeto e celebração, existe uma realidade que ainda é pouco falada: muitas mulheres atravessam a maternidade em silêncio, lidando com medo, culpa, exaustão e tristeza em um período que, socialmente, ainda é tratado como sinônimo obrigatório de felicidade. 

A campanha Maio Furta-cor, movimento voltado à conscientização sobre a saúde mental materna. A proposta é chamar atenção para os impactos emocionais da gestação, do parto, do puerpério e da maternidade, lembrando que cuidar da mãe também é uma forma de cuidar do bebê e de toda a família. 

Um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz aponta que mais de 25% das mães brasileiras são afetadas pela depressão pós-parto. Um problema que, muitas vezes, é confundido com cansaço, adaptação à nova rotina ou até falta de preparo para a maternidade. 

Nos primeiros dias após o nascimento do bebê, é comum que a mulher enfrente uma oscilação emocional intensa. Esse período é conhecido como baby blues, ou blues puerperal, uma tristeza leve e passageira que atinge cerca de 70% a 80% das mulheres no pós-parto. O quadro costuma surgir entre o 2º e o 5º dia após o parto e pode provocar choro fácil, irritabilidade, ansiedade, sensibilidade emocional e sensação de sobrecarga. 

Na maioria das vezes, o baby blues está ligado às mudanças hormonais bruscas, à exaustão física, à privação de sono e ao próprio processo de adaptação à chegada do bebê. Os sintomas costumam desaparecer espontaneamente em até duas semanas. O alerta surge quando essa tristeza não passa, quando a angústia se aprofunda. 

Quando sentimentos como exaustão extrema, tristeza profunda, culpa, medo constante, isolamento, ansiedade intensa ou dificuldade de criar vínculo com o bebê persistem, o quadro pode indicar depressão pós-parto e precisa de acompanhamento especializado. 

Para Dra. Mayara Rizzardi, psicóloga do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, um dos maiores desafios ainda é romper com a ideia de que a mãe precisa dar conta de tudo sozinha. “A maternidade ainda é cercada por uma expectativa muito rígida de felicidade. Quando a mulher sente tristeza, medo ou culpa, muitas vezes ela acha que está falhando. Mas sofrimento emocional no pós-parto não é fraqueza, não é falta de amor e não deve ser enfrentado em silêncio”, explica. 

A depressão pós-parto pode estar relacionada a diferentes fatores. Alterações hormonais, privação de sono, histórico de ansiedade ou depressão, falta de rede de apoio, dificuldades financeiras, gravidez não planejada, conflitos familiares, experiências traumáticas e sobrecarga nos cuidados com o bebê podem contribuir para o surgimento ou agravamento do quadro. 

Os sinais nem sempre aparecem de forma evidente. Em algumas mulheres, o sofrimento se manifesta pelo choro frequente e pela tristeza persistente. Em outras, vem como irritabilidade, sensação de incapacidade, medo excessivo de não cuidar bem do bebê, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações no sono e no apetite, dificuldade de concentração e isolamento. 

“Nem toda mãe vai dizer claramente que está deprimida. Às vezes, ela apenas se afasta, fica mais irritada, perde o brilho, sente culpa por tudo ou passa a acreditar que não é uma boa mãe. Por isso, a escuta precisa ser atenta, sem julgamento e sem minimizar o que ela está sentindo”, afirma. 

A prevenção passa por um cuidado que começa antes mesmo do parto. Durante a gestação, é importante que a saúde emocional da mulher seja acompanhada com a mesma atenção dedicada aos exames físicos. Perguntas simples, como “você tem conseguido descansar?”, “tem se sentido apoiada?”, “sente medo ou tristeza com frequência?” e “com quem você pode contar?”, podem abrir espaço para identificar vulnerabilidades antes que o sofrimento se agrave. 

No pós-parto, a rede de apoio tem papel decisivo. Mais do que visitar o bebê, familiares e pessoas próximas precisam olhar para a mãe. Ajudar nas tarefas da casa, permitir que ela descanse, dividir cuidados, ouvir sem julgamentos e incentivar a busca por ajuda profissional são atitudes que podem fazer diferença. 

“Frases como ‘isso é normal’, ‘toda mãe passa por isso’ ou ‘você precisa ser forte’ podem silenciar uma mulher que está pedindo socorro. O acolhimento real acontece quando alguém escuta, valida o sofrimento e ajuda essa mãe a chegar ao cuidado adequado”, destaca. 



Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista



Casais saudáveis também podem ter filhos com doenças genéticas, alertam especialistas

Ausência de histórico familiar não elimina riscos genéticos; exames ampliam diagnóstico precoce e planejamento reprodutivo

 

A ideia de que doenças genéticas acontecem apenas em famílias com histórico conhecido ainda faz parte do imaginário de muitas pessoas. No entanto, especialistas alertam que casais aparentemente saudáveis e sem casos prévios na família também podem ter filhos com alterações genéticas, inclusive doenças raras. 

Isso acontece porque muitas condições hereditárias são transmitidas de forma silenciosa. Em diversos casos, os pais são apenas portadores de variantes genéticas recessivas e não apresentam sintomas da doença. Quando ambos carregam alterações no mesmo gene, existe a possibilidade de a criança desenvolver a condição genética.
 

Segundo o médico geneticista Dr. Ciro Martinhago, especialista em doenças raras pela Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM) e PhD em genética reprodutiva, esse cenário é mais comum do que muitas famílias imaginam. 

“Muitas doenças genéticas só se manifestam quando a criança herda duas cópias alteradas de um mesmo gene, uma do pai e outra da mãe. Os pais podem nunca ter apresentado qualquer sintoma e sequer saber que carregam essa alteração genética”, explica o especialista.

Estudos em genética reprodutiva mostram que cerca de 5% dos casais sem qualquer grau de parentesco possuem alterações recessivas em comum capazes de aumentar o risco de doenças genéticas nos filhos. Já entre casais consanguíneos, como primos de primeiro grau, esse risco pode chegar a cerca de 30%, segundo especialistas. 

“O fato de não existir histórico familiar não significa ausência de risco. Em muitos casos, a doença genética aparece pela primeira vez naquela família. Estimamos que cerca de 80% dos casais que têm filhos com doenças genéticas hereditárias não tinham qualquer antecedente conhecido”, destaca Dr. Ciro. 

Além das doenças hereditárias, alterações genéticas também podem surgir espontaneamente durante a formação do embrião, mesmo sem qualquer antecedente familiar. Essas mutações, chamadas “de novo”, estão relacionadas a diferentes síndromes genéticas e alterações do neurodesenvolvimento. 

O especialista destaca ainda que a idade reprodutiva pode influenciar alguns riscos genéticos, especialmente em relação a alterações cromossômicas. Mulheres acima dos 35 anos, por exemplo, apresentam maior probabilidade de alterações como a síndrome de Down. 

Nos últimos anos, o avanço da genética médica ampliou significativamente as possibilidades de investigação e prevenção. Hoje, exames conseguem identificar variantes associadas a doenças hereditárias ainda no planejamento reprodutivo, permitindo maior acompanhamento e aconselhamento genético para os casais. 

Entre os recursos disponíveis estão os testes de compatibilidade genética, também chamados de testes de rastreamento de doenças recessivas, que analisam se o casal compartilha alterações genéticas associadas a doenças hereditárias. Em alguns casos, quando identificado risco aumentado, a medicina reprodutiva também permite o uso do PGT-M (Teste Genético Pré-Implantacional para Doenças Monogênicas), realizado em conjunto com a fertilização in vitro para selecionar embriões sem determinada condição genética. 

“A genética deixou de ser uma área voltada apenas para casos raros e passou a fazer parte da medicina preventiva e reprodutiva. Quanto mais informação o casal possui antes da gestação, maiores são as possibilidades de acompanhamento adequado e tomada de decisão consciente”, afirma Dr. Ciro. 

Especialistas reforçam que o aconselhamento genético não deve ser procurado apenas por famílias com histórico conhecido de doenças raras. Casais sem antecedentes familiares também podem se beneficiar da avaliação, principalmente em situações como infertilidade, perdas gestacionais recorrentes ou planejamento reprodutivo tardio. 

“O desconhecimento ainda gera muito medo e culpa entre os pais. Por isso, informação e acompanhamento especializado são fundamentais. A genética não deve ser vista como sentença, mas como ferramenta para diagnóstico, prevenção e cuidado”, finaliza o geneticista.
 

Ciro Martinhago - médico geneticista, especialista em doenças raras pela Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM) e PhD em genética reprodutiva. Atua em pesquisa e atendimento clínico, com foco em genética médica, aconselhamento genético e medicina reprodutiva.


Lesões mais comuns entre iniciantes na corrida acendem alerta para prática segura

 Freepik 
Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE) destaca erros frequentes, principais lesões e reforçam a importância de orientação profissional para evitar problemas e garantir evolução saudável

 

Com a popularização da corrida de rua como uma atividade acessível e eficaz para melhorar a saúde, cresce também o número de praticantes iniciantes, junto com eles, a incidência de lesões. A Sociedade alerta que a falta de preparo físico e erros comuns no início da prática são fatores determinantes para o surgimento de problemas que podem comprometer a continuidade da atividade. 

Entre as ocorrências mais frequentes está a canelite (síndrome do estresse tibial medial), caracterizada por dor na região da canela, geralmente provocada pelo impacto repetitivo e pela sobrecarga sem adaptação adequada do corpo. Outra queixa recorrente é a sobrecarga no joelho, especialmente na articulação patelofemoral, que pode causar dor anterior e limitar o desempenho do corredor. 

Um dos principais erros cometidos por iniciantes é o aumento rápido da intensidade e do volume de treino. Muitas pessoas começam a correr com grande entusiasmo, mas sem respeitar o tempo necessário para adaptação muscular, articular e cardiovascular. A falta de fortalecimento muscular e de orientação adequada também contribui significativamente para o risco de lesões. 

O grande problema entre iniciantes é a pressa em evoluir. O corpo precisa de tempo para se adaptar ao impacto da corrida, e quando esse processo não é respeitado, as lesões acabam surgindo com mais facilidade”, afirma o Dr. Adriano Almeida, presidente da SBRATE. 

Além disso, fatores como uso de calçados inadequados, ausência de aquecimento, técnica incorreta e até mesmo o tipo de terreno podem influenciar diretamente na saúde do corredor iniciante. 

A boa notícia é que a maioria dessas lesões pode ser evitada com medidas simples de prevenção. Entre as principais orientações estão: iniciar a prática de forma gradual, alternando caminhada e corrida; investir em fortalecimento muscular, especialmente de membros inferiores e core; utilizar um tênis adequado para o tipo de pisada; respeitar períodos de descanso e priorizar o alongamento e aquecimento antes das atividades. 

O acompanhamento profissional é essencial para orientar o corredor desde o início, evitando erros comuns e promovendo uma evolução segura. Com planejamento adequado, é possível reduzir significativamente o risco de lesões e melhorar o desempenho”, completou. 

Outro ponto fundamental é buscar acompanhamento profissional, seja de um educador físico ou fisioterapeuta, principalmente para quem está começando ou possui histórico de lesões. A orientação adequada permite a elaboração de um plano de treino seguro e eficiente, reduzindo riscos e potencializando os benefícios da corrida. 

A prática regular de atividade física é essencial para a saúde, mas deve ser feita com responsabilidade. Respeitar os limites do corpo e evoluir de forma progressiva são atitudes fundamentais para garantir que a corrida seja uma aliada, e não uma fonte de problemas.

 

Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte – SBRATE

 

Obesidade aumenta o risco de doenças venosas e pode agravar quadros como varizes e trombose, alerta especialista

Excesso de peso compromete o retorno venoso, favorece inflamação e eleva o risco de complicações circulatórias, especialmente nos membros inferiores


 A obesidade é um fator de risco importante para uma série de problemas de saúde, e entre eles estão as doenças venosas, que podem se manifestar com sintomas como: dor, inchaço, sensação de peso nas pernas, varizes e até trombose. Embora muitas vezes a relação entre excesso de peso e circulação não receba a devida atenção, o impacto sobre o sistema vascular pode ser significativo. O tema ganha ainda mais relevância diante do avanço global da obesidade: segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2022 cerca de 890 milhões de adultos viviam com obesidade no mundo, e 43% dos adultos já estavam com sobrepeso. 

No Brasil, o cenário também preocupa. Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025 indicam que 68% da população brasileira tem excesso de peso, sendo 31% com obesidade e 37% com sobrepeso, com tendência de crescimento nos próximos anos. 

De acordo com Dr. Márcio Steinbruch, especialista em cirurgia vascular formado pelo Hospital das Clínicas da FMUSP e membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, o excesso de gordura corporal exerce pressão sobre as veias, dificulta o retorno do sangue ao coração e favorece o surgimento ou agravamento de doenças venosas. 

“A obesidade sobrecarrega a circulação, principalmente nos membros inferiores. O aumento da pressão abdominal e o processo inflamatório associado ao excesso de peso prejudicam o retorno venoso e criam um cenário favorável para o aparecimento de varizes, insuficiência venosa crônica e também para complicações mais graves, como a trombose”, explica. 

O estudo populacional “Prevalence of Chronic Venous Disease and Quality of Life in a Representative Adult Population Sample in Greece”, divulgado recentemente, mostrou que a prevalência de doença venosa crônica foi maior entre indivíduos com obesidade do que nos demais grupos avaliados. 

Segundo Steinbruch, esse impacto acontece por diferentes mecanismos. Além da sobrecarga mecânica nas pernas, a obesidade está associada a maior inflamação sistêmica, redução da mobilidade e, muitas vezes, ao sedentarismo, fatores que contribuem diretamente para piora da circulação. 

“O sangue das pernas precisa vencer a gravidade para voltar ao coração. Quando há obesidade, especialmente associada à baixa atividade física, esse processo se torna menos eficiente. Isso favorece o acúmulo de sangue nas veias, gerando sintomas e aumentando o risco de evolução do quadro”, afirma Steinbruch. 

Entre os sinais de alerta mais comuns estão o inchaço nas pernas e tornozelos, sensação de peso, dor ao fim do dia, cansaço nas pernas, aparecimento de vasinhos e varizes, além de alterações na pele em casos mais avançados. Em situações mais graves, pode haver inflamação venosa, escurecimento da pele e formação de feridas. 

O especialista ressalta, ainda, que a obesidade também é um fator de risco relevante para tromboembolismo venoso, grupo que inclui a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar. Revisões recentes destacam que esse risco é explicado por uma combinação de estase venosa, aumento da pressão intra-abdominal, menor velocidade do fluxo sanguíneo nos membros inferiores e um estado inflamatório e pró-coagulante associado ao excesso de tecido adiposo. 

“A trombose é uma condição séria e que exige atenção. Pacientes com obesidade podem ter risco aumentado, especialmente quando existem outros fatores associados. Por isso, a avaliação vascular é importante não apenas quando já existem sintomas visíveis, mas também como forma de prevenção”, alerta. 

De acordo com Steinbruch, o controle do peso corporal faz parte do cuidado com a saúde vascular e pode contribuir tanto para a prevenção quanto para a melhora dos sintomas em pacientes com doenças venosas. A própria OMS destaca que sobrepeso e obesidade estão ligados a um aumento expressivo da carga de doenças crônicas e que o manejo do peso deve ser encarado como parte do cuidado contínuo em saúde. 

“A perda de peso, aliada à prática regular de atividade física, ao uso de meias de compressão quando indicado e ao acompanhamento médico, pode trazer melhora importante da circulação e da qualidade de vida. Não se trata apenas de uma questão estética, mas de saúde”, destaca. 

O especialista reforça que sintomas recorrentes nas pernas não devem ser ignorados, sobretudo em pessoas com sobrepeso ou obesidade. “Muita gente se acostuma com o inchaço e com a dor nas pernas e demora para buscar ajuda. Quanto mais cedo o problema é investigado, maiores são as chances de evitar complicações e indicar o tratamento mais adequado para cada caso”, conclui.
  


Fonte:

Dr. Márcio Steinbruch - Médico com especialização em cirurgia vascular pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, além disso, é membro efetivo e possui título de especialista pela SBAVC - Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Pode participar de pautas sobre varizes, tromboses, problemas derivados destas doenças, cirurgias e problemas vasculares no geral.
Dr. Márcio Steinbruch | Cirurgião vascular (@livredevarizes) •  vídeos do Instagram

Avanço do debate sobre Lipedema aumenta preocupação com tratamentos enganosos

Foto: Francine Ferreira
Especialista alerta que promessas de melhora imediata podem agravar a inflamação e atrasar o cuidado adequado para uma condição que pode atingir 12,3% da população feminina adulta brasileira

 

À medida que o Lipedema deixa de ser uma condição pouco conhecida e passa a ocupar mais espaço nas conversas sobre saúde, estética e qualidade de vida, cresce também a preocupação com a busca por tratamentos que prometem resultados rápidos para uma doença crônica, progressiva e sem cura definitiva. A condição, que ainda é frequentemente confundida com obesidade, retenção de líquido ou linfedema, pode atingir 12,3% da população feminina adulta brasileira, segundo estimativa de 2025 do Consenso Brasileiro de Lipedema.


O Instituto Brasileiro de Lipedema estima que ao menos 5 milhões de brasileiras apresentam sintomas, embora muitas ainda não saibam que se trata de uma doença. Nesse cenário, a falta de informação, a demora no diagnóstico e a fragilidade emocional causada pelas mudanças no corpo tornam muitas pacientes mais vulneráveis a promessas de tratamentos “milagrosos”, especialmente quando a oferta envolve melhora estética imediata.


Diferentemente do senso comum de que a patologia se resume ao inchaço desproporcional nas pernas, o Lipedema também pode acometer braços, tornozelos e pés. A doença causa dores, sensação de peso nos membros, hematomas frequentes e dificuldade de emagrecimento nas áreas afetadas, que não respondem a dietas e exercícios físicos da mesma forma que o restante do corpo.


Para quem convive com a condição, a ausência de um caminho claro pode representar anos de tentativas frustradas até encontrar o profissional e o tratamento adequado. Conforme explica a biomédica, esteticista e terapeuta linfática especialista em Lipedema, Cláudia Farias, por ser uma doença ainda pouco contemplada por estudos médicos, muitas pacientes acabam realizando procedimentos que podem piorar a condição dos membros acometidos.


De acordo com Cláudia, existem dois tipos de tratamento para o Lipedema: o conservador e o invasivo. O primeiro busca controlar os sintomas, reduzir a inflamação e melhorar o conforto da paciente no dia a dia, enquanto o segundo envolve procedimento cirúrgico e precisa ser avaliado com acompanhamento médico. Segundo ela, o problema está nas abordagens agressivas vendidas como soluções imediatas, especialmente quando apresentadas sem o devido cuidado multidisciplinar.


“O tratamento conservador busca desinflamar a região afetada pelo Lipedema, diminuir as dores sentidas pela paciente e trazer mais conforto no dia a dia. É um tratamento que também precisa ser acompanhado por consultas médicas e combinado com exercícios físicos e uma dieta específica. Já os procedimentos divulgados como milagrosos são mais agressivos e o paciente acaba por acreditar que a melhora do Lipedema vai ser imediata, quando na verdade a inflamação só piora”, explica a especialista.


O Consenso Brasileiro de Lipedema também indica que o manejo conservador deve ser a primeira opção em todos os casos. Esse cuidado inclui mudanças no estilo de vida do paciente, nutrição, terapia compressiva, exercícios de baixo impacto, fisioterapia descongestiva e, em alguns casos, uso de medicação, sempre prescrita, acompanhada e direcionada por um médico. Já o procedimento invasivo é cirúrgico, deve ser feito em conjunto com médico clínico, cirurgião e paciente, e tem como objetivo a melhora da mobilidade em situações mais graves.



O que é o Lipedema


Segundo o Consenso Brasileiro de Lipedema, o Lipedema é uma doença genética, crônica, sistêmica e progressiva, geralmente desencadeada por mudanças hormonais, como puberdade, gravidez e menopausa. A patologia é caracterizada pelo acúmulo anormal e doloroso de gordura subcutânea, principalmente nos membros inferiores e, em alguns casos, nos braços, sendo frequentemente confundida com obesidade ou linfedema.


Além dos sintomas físicos, o Lipedema pode comprometer a qualidade de vida e a saúde mental, principalmente das mulheres. Como os membros afetados não respondem a dietas e exercícios físicos de forma convencional, o acompanhamento médico multidisciplinar é necessário para frear a progressão da doença e aliviar os sintomas.



Comercialização da doença e tratamentos ineficazes


A relação entre Lipedema, aparência corporal e autoestima é um dos fatores que favorece a procura por alternativas de efeito rápido. Cláudia afirma que, por se tratar de uma doença que afeta a estética do corpo, muitas pacientes chegam emocionalmente fragilizadas e iniciam uma busca intensa por tratamentos que ofereçam melhora imediata no aspecto das áreas afetadas. Nesse processo, podem encontrar profissionais que se aproveitem dessa vulnerabilidade.


“Isso nada mais é que a comercialização de uma doença. As mulheres historicamente sofrem com a pressão estética e o Lipedema acaba por aumentar esse sentimento de insatisfação e insegurança com o próprio corpo. Essas pacientes ficam mais suscetíveis a tratamentos enganosos e ineficazes, que acabam piorando a inflamação da gordura por serem agressivos e inadequados”, alerta.

 

Como não há cura definitiva, o Lipedema exige cuidado contínuo, inclusive nos casos em que há indicação cirúrgica. O tratamento tem como foco aliviar sintomas, reduzir a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida. Entre as medidas utilizadas estão compressão elástica, fisioterapia descongestiva, alimentação anti-inflamatória e, quando necessário, medicação prescrita por médico especialista, além de lipoaspiração específica em alguns casos.

 


Claudia Farias - biomédica, terapeuta linfática e esteticista, com atuação especializada no cuidado de mulheres com lipedema. Criadora do método autoral Massagem Inteligente, registrado no INPI, desenvolveu uma abordagem própria que integra técnica, leitura corporal e atendimento individualizado, incluindo a adaptação da Massagem Inteligente (MI) para lipedema, construída a partir de formação específica no Instituto Amato. Atualmente, cerca de 70% de sua agenda é dedicada a pacientes com lipedema e ela também ministra a Jornada do Lipedema, capacitando profissionais para um cuidado correto, personalizado e alinhado à fisiologia da condição.


Texto: Shaiane Corrêa

 

Mulheres infartam mais depois da menopausa? Entenda quais são os riscos para o coração da mulher

Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher faz alerta importante à população feminina

 

Celebrado em 14 de maio, o Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher faz um alerta importante a todas as brasileiras. Isso porque, quando o assunto é saúde feminina, é dada muita ênfase à prevenção e ao diagnóstico precoce de doenças como câncer de mama e de colo do útero. 

Com isso, “muitas mulheres acreditam que a visita anual ao ginecologista é suficiente para o check-up, esquecendo que o coração também precisa de atenção”, segundo o cardiologista Jairo Lins Borges, médico consultor da Libbs. 

Em alguns estados, mulheres chegam a superar o número de homens com fatores de risco para doenças do coração¹. De forma geral, as mulheres tendem a desenvolver doenças cardiovasculares em idade mais avançada que os homens. Um dos motivos é comumente relacionado com os efeitos protetores do estrogênio, enfraquecidos após à menopausa². 

“Por exemplo, se para os homens o risco aumenta mais a partir dos 50 anos, para as mulheres a atenção redobra na faixa dos 60”, afirmou Borges. “Mas a idade e a menopausa não são os maiores fatores para o aumento do risco cardiovascular em mulheres, considerando as mudanças nos hábitos de vida modernos, as desigualdades e a falta de conhecimento sobre a saúde cardiovascular feminina”, acrescentou. 

A Cartilha da Mulher, elaborada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, aponta que grande parte das mulheres ainda desconhece o impacto negativo das doenças cardiovasculares. Além disso, elas também têm mais dificuldade em mudar alguns hábitos fundamentais para evitar fatores de risco¹. Por isso, “é fundamental que as mulheres estejam bem-informadas sobre a sua saúde cardiovascular e tenham o cuidado com o coração como parte de uma atenção integral à sua saúde”, disse o cardiologista.

 

O que o gênero tem a ver com a saúde do coração? 

Sexo e gênero influenciam diretamente o risco, o diagnóstico e o tratamento das doenças cardiovasculares. Embora as taxas globais dessas doenças estejam em queda, indicando avanços nos tratamentos, o cuidado cardiovascular ainda não atende mulheres da mesma forma que homens³. 

Entre as doenças do coração mais comuns nas brasileiras, a doença arterial coronariana é a mais frequente. Estima-se que ocorram cerca de 58 eventos a cada 100 mil mulheres, conforme dados de 2020 da Carga Global de Doenças4. Além dessas, outras condições cardíacas comuns incluem insuficiência cardíaca, arritmias e tromboembolismo⁴. 

É comum que mulheres, sobretudo aquelas em condição social mais vulnerável, enfrentem diagnóstico tardio, tratamento inadequado e falhas no reconhecimento de condições específicas do sexo feminino2,3.


Menopausa e saúde mental: fatores de risco para infarto em mulheres?
 

O risco de infarto em mulheres aumenta a partir de uma combinação de fatores biológicos, comportamentais e sociais. Além dos fatores tradicionais, como hipertensão e colesterol alto, aspectos relacionados à menopausa, à saúde mental e aos hábitos de vida têm impacto direto sobre a saúde cardiovascular feminina1,5. 

A transição para a menopausa marca um período de maior risco cardiovascular. A explicação está associada à queda dos níveis de estrogênio, que tem efeito protetor natural sobre as artérias. Mulheres que têm sintomas mais intensos, como fogachos, e menopausa precoce estão associadas a um risco maior de doenças do coração2. “Esse é um dos motivos que explicam o aumento do risco de doenças do coração em mulheres mais idosas. Mas não é único e, em muitos casos, não é o mais relevante”, explicou Borges. 

Outra diferença entre mulheres e homens é que o infarto em mulheres “nem sempre se manifesta da forma considerada clássica”, diz o cardiologista. “Além dos sintomas mais conhecidos, como dor no peito, falta de ar e fadiga, elas podem apresentar sinais menos óbvios, que nem sempre são imediatamente associados ao coração. Ou nem apresentar sinais, serem assintomáticas.” 

Por isso, é importante estimular hábitos de vida mais ativos e saudáveis entre as mulheres.4 “Não tem caminho mais fácil”, afirmou o médico. Manter esse estilo de vida e acompanhamento médico da saúde cardiovascular é o que qualquer mulher “precisa fazer para cuidar da saúde do coração, em qualquer idade, antes ou depois da menopausa.”

 

*Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

 

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Cardiologia. “Cartilha Informativa - Campanha Temática Mulher.” Apud. Secretaria da Saúde do Ceará. Mulheres devem ter mais cuidados com doenças cardiovasculares [Internet]. Ceará: Secretaria da Saúde do Ceará; 2015 [citado em 15 jan 2026]. Disponível em: Link
  2. Vervoort D, Wang R, Li G, Filbey L, Maduka O, Brewer LC, et al. Addressing the global burden of cardiovascular disease in women. J Am Coll Cardiol. 2024 jun 1;83(25):2690–707.
  3. Gulamhusein N, Ahmed SB. Getting to the heart of it: sex and gender considerations in the management of cardiovascular disease. Lancet Reg Health Eur. 2024 Sep 18;45:101076.
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Atividade física e hábitos saudáveis para a saúde cardiovascular da mulher [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; [maio de 2022] [citado em 15 jan 2026]. Disponível em: Link
  5. Oliveira GMM de, Almeida MCC de, Marques-Santos C, Costa MENC, Carvalho RCM de, Freire CMV, et al. Posicionamento sobre a saúde cardiovascular nas mulheres – 2022. Arq Bras Cardiol. 2022 nov;119(5):815–82.
  6. Mehta LS, Velarde GP, Lewey J, Sharma G, Bond RM, Navas-Acien A, et al. Cardiovascular disease risk factors in women: the impact of race and ethnicity: a scientific statement from the American Heart Association. Circulation [Internet]. 2023 abr 10;147(19).
  7.     Izar MC, Fonseca FA. Fatores de risco na mulher: tradicionais e específicos. Rev Soc Cardiol Estado São Paulo. 2023 jun 30;33(2):264–70.

7.

O risco jurídico como variável financeira: por que empresas ainda precificam errado suas decisões

Em um cenário econômico marcado por juros elevados, crédito mais restrito e crescente seletividade por parte de investidores, empresas brasileiras têm sido pressionadas a aprimorar seus modelos de gestão financeira. Ainda assim, um fator central segue sendo negligenciado ou subdimensionado: o risco jurídico.

 
Tradicionalmente tratado como um elemento acessório, muitas vezes limitado a provisões contábeis ou à atuação reativa em litígios, o risco jurídico raramente é incorporado de forma estruturada às decisões estratégicas. O resultado é uma distorção relevante na precificação de operações, no cálculo do custo de capital e na avaliação de oportunidades de investimento.
 
A questão central está na diferença entre o risco jurídico “formal”, aquele refletido em balanços e pareceres, e o risco jurídico real, que envolve variáveis como tempo de tramitação, imprevisibilidade decisória, mudanças regulatórias e dificuldades de execução. Esse descompasso cria uma falsa sensação de segurança e, não raramente, leva empresas a assumirem exposições incompatíveis com sua capacidade financeira.
 
Em operações de crédito, por exemplo, a ausência de uma análise jurídica aprofundada pode comprometer a efetividade de garantias, impactando diretamente o risco percebido por credores e, consequentemente, o custo do funding. Em contratos de longo prazo, cláusulas mal estruturadas ou pouco adaptadas ao ambiente regulatório brasileiro podem gerar disputas complexas, com efeitos relevantes sobre fluxo de caixa e previsibilidade financeira.
 
Ele se aplica a operações de fusões e aquisições. A diligência jurídica, quando tratada apenas como etapa formal, perde a oportunidade de capturar riscos estruturais que afetam valuation e integração pós-negócio. Em muitos casos, o passivo jurídico não está apenas no que é conhecido, mas naquilo que sequer foi corretamente mapeado.
 
Nesse contexto, torna-se cada vez mais evidente que o jurídico precisa deixar de ser visto como centro de custo e passar a atuar como vetor de geração de valor. Isso implica sua integração efetiva às áreas financeira, de compliance e de estratégia, com participação ativa desde a concepção das operações.
 
Empresas que conseguem internalizar essa lógica tendem a tomar decisões mais informadas, reduzir perdas evitáveis e acessar melhores condições de financiamento. Mais do que isso, desenvolvem uma capacidade diferenciada de antecipar cenários e estruturar soluções que equilibrem risco e retorno de forma mais eficiente.
 
Em um ambiente em que cada ponto percentual no custo de capital faz diferença, ignorar o risco jurídico não é apenas uma falha técnica e sim uma decisão financeira equivocada.


José Maria Franco de Godoi Neto - advogado, mestre em Direito pela USP, mestre em Gestão de Risco pela FEA/USP, com especialização em Finanças pela FGV/SP. Sócio do Franco de Godoi Advogados e membro fundador da STRUCTURA Investments.



Como olhos mágicos digitais e interfones com vídeo se integram nas casas atuais

Olho mágico digital
Modernas, discretas e com visual leve, tecnologias podem ser incorporadas com naturalidade em imóveis versáteis e conectados ou em projetos de retrofit, avalia Helena Pacheco, Gerente de Marketing da EZVIZ

 

Por muito tempo, a porta de entrada concentrou soluções essencialmente funcionais: fechaduras, trincos e o tradicional olho mágico. Discretos e quase invisíveis, esses elementos cumpriam um papel específico, sem dialogar, na maioria das vezes, com o restante da casa. 

Mas, com a evolução das tecnologias residenciais, esse cenário começa a mudar, destaca Helena Pacheco, Gerente de Marketing da EZVIZ, empresa de tecnologia para casas conectadas. Dispositivos como olhos mágicos digitais e interfones com vídeo, além de incorporarem câmeras de alta definição e integração com aplicativos, deixam de ser apenas itens de segurança para se conectar ao ambiente de forma natural, acompanhando um movimento mais amplo de apartamentos conectados e multifuncionais, com a tecnologia incorporada ao design do projeto. 

Nos modelos atuais, o olho mágico ganha novas funcionalidades. Em vez de um pequeno visor, surgem telas internas com acabamento limpo e interfaces simplificadas, que se aproximam de outros dispositivos já comuns no dia a dia, como tablets e painéis de automação. “A câmera externa, por sua vez, tende a adotar um design arredondado, que remete aos discretos olhos mágicos tradicionais, mas repaginados pela tecnologia e pensados para se adaptar a diferentes estilos de porta, sem interferir na composição visual”, explica Helena.

 

Olho com acessibilidade e alertas

Essa integração não é apenas estética. Ao permitir visualizar quem está do lado de fora pelo celular ou por um monitor interno, o dispositivo consegue alterar a dinâmica de circulação dentro da casa, trazendo ganhos em conforto e autonomia. “Em casas com moradores idosos ou pessoas com mobilidade reduzida, por exemplo, a possibilidade de visualizar e interagir com a entrada sem se deslocar até a porta traz mais praticidade e segurança”, destaca a executiva. 

Um exemplo dessa evolução aparece em soluções da EZVIZ, como o DP2C, uma campainha com câmera para olho mágico 2 em 1, que combina design moderno e elegante com recursos avançados de monitoramento. De fácil instalação, o modelo também é indicado para projetos de retrofit que buscam atualizar a infraestrutura do imóvel sem perder sua identidade original. 

“Essa tecnologia oferece imagens nítidas e funcionalidades como ver e falar com visitantes pelo monitor colorido interno, além de controle por aplicativo e alertas para qualquer atividade suspeita próxima à entrada”, informa a Gerente da EZVIZ. 

A visualização acontece por meio de uma tela interna de 4,3 polegadas, instalada do lado de dentro da residência, que também pode ser acessada remotamente pelo celular. Isso permite que o morador acompanhe, em tempo real, o que acontece do lado de fora, mesmo quando não está em casa. Por meio do aplicativo, também é possível ouvir e falar com quem está do lado de fora, sem abrir a porta. Esse tipo de interação amplia a sensação de controle e reduz a necessidade de contato direto, algo especialmente relevante em contextos urbanos. 

Outro recurso relevante é a visão noturna, que garante visibilidade contínua – com cobertura de 155 graus e nitidez em até cinco metros – ao longo do dia e da noite, sem depender da iluminação do corredor ou da área externa. O modelo também incorpora sensores de movimento, capazes de identificar quando alguém se aproxima da porta e enviar alertas automáticos. Em vez de depender apenas da campainha, o dispositivo passa a funcionar de forma proativa, registrando atividades e permitindo uma verificação antecipada.

 

Grandes ambientes

Em ambientes maiores, como casas amplas e condomínios, essa experiência pode se expandir para soluções como interfones com vídeo, que apresentam visual versátil e fácil incorporação a diversos estilos de decoração. É o caso do HP7, da EZVIZ, que combina câmera externa com monitor interno e permite, além da visualização, o controle remoto de portas e portões de entrada e saída. 

Com recursos como imagem em alta resolução e detecção de pessoas por meio do uso de Inteligência Artificial (IA), esses sistemas avançam na integração entre segurança, automação e rotina doméstica. “Entre as principais inovações, que devem se tornar mais comuns nos espaços residenciais, está o uso da IA, que possibilita distinguir não só pessoas, mas também veículos e animais, reduzindo falsos alertas”, informa Helena. 

Essa combinação entre design clean e novas funcionalidades dialoga com uma tendência crescente no morar: a integração natural com soluções tecnológicas que não exigem adaptação do espaço, mas se encaixam nele. “Em vez de equipamentos aparentes ou complexos, a proposta passa a ser de dispositivos discretos, que operam de maneira intuitiva e integrada ao cotidiano, como uma tecnologia invisível”, completa a Gerente de Marketing.

 

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